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Coluna: Direito e Justiça (08/02)

qui, 8 de fevereiro de 2024 08:09

Direito e Justiça:

 

 

O Monge Mordido:

 

 

 

– Não podemos e nem temos o direito de mudar os outros, mas podemos melhorar as nossas próprias reações e atitudes, sabendo que cada um dá o que tem e o que pode. Devemos fazer a nossa parte com muito amor e respeito ao próximo.

 

– Cada um de nós deve agir de acordo com a sua própria natureza, e não conforme a do outro. Mas, não podemos, jamais, esquecer que, para mantermos a nossa essência em equilíbrio, devemos, sobretudo, respeitar a natureza do outro. Devemos seguir sempre os passos e os princípios dos ensinamentos que nos levam ao caminho certo.

 

– E, o caminho certo, possivelmente, nem sempre será o mais curto ou o mais fácil. À primeira vista, ou ao primeiro e superficial exame, o pérfido e traiçoeiro escorpião não merecia, de fato, receber a compaixão e a ajuda salvadora daquele monge.

 

– Todavia, e ao contrário do que seria de esperar-se, o calejado Mestre Zen ouviu tranquilamente os comentários de reprovação dos seus discípulos e companheiros, para somente depois responder-lhes de uma forma irretorquível e definitiva:

 

– “Ele (o escorpião) agiu de acordo com a sua natureza; e eu, de acordo com a minha”…

 

 

 

 

O Monge Mordido:

 

 

Um monge — Mestre Zen — e seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o escorpião o picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio.

 

Sem qualquer hesitação, foi então à beira do rio, tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.

 

– Mestre, o senhor deve estar doente! Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda; picou a mão que o salvara! Não merecia a sua compaixão!

 

O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu:

 

– Ele agiu conforme sua natureza; e eu, de acordo com a minha…

 

 

“Se compreendermos a natureza de cada um dos que nos cercam, certamente viveremos melhor e em harmonia”.

 

 

 

FONTE: Parábolas Eternas – LEGRAND,

Solar Editora, – Belo Horizonte – MG. Págs. 50/51.

(Com pequenas adaptações)

 

 

 

 

 

GLOSSÁRIO:

 

O que é ser uma pessoa Zen?

É saber conservar um estado de tranquilidade mesmo diante das adversidades da vida, assumindo uma atitude ativa e desperta para viver de maneira consciente. A palavra tem origem em uma escola de budismo da China, que possui como prática a busca pela autodisciplina e meditação.

 

 

Quem é budista acredita em quem ou no quê?

O budismo é uma doutrina espiritual e filosófica, criada pelo indiano Siddharta Gautama, o Buda, que considera e admite o poder da reencarnação humana, dos animais e das plantas, e acredita que as escolhas para se chegar à libertação dos sofrimentos estão no autoconhecimento.

 

 

Filosofia e religião budista.

Há farto material de pesquisa em livros, revistas e na internet sobre o Budismo e sua

Filosofia. Vale a pena conhecer, pois o Budismo é muito profundo e belo.

 

O maior templo budista do Brasil:

É o Templo Zu Lai, que é também o maior templo budista da América Latina, com 10.000 m² de área construída, ocupando um terreno com 150.000 m². Foi inaugurado em 05.10.2003 e está localizado no município de Cotia – SP, com acesso pela rodovia Raposo Tavares. Há outros espalhados pelo Brasil.

 

 

 

DJ = COMENTÁRIO LIVRE:

 

 

O mundo está completamente mudado, muito mais do que antes esteve; as pessoas se comprazem em criticar umas às outras, fazendo-o até mesmo sem motivo aparente algum, tão somente pelo prazer de denegrir, de espicaçar, de debochar e de impor a sua opinião sobre a do seu vizinho, ainda mesmo que saiba estar errada.

 

 

Autoerstima, reputação, senso de honra, amor, compaixão, solidariedade, bondade, compreensão, tolerância, caridade, honestidade e muitos mais, são conceitos que hoje em dia possuem pouca ou nenhuma valia, servindo tão somente para que você seja visto como um tolo que não quer ou não pôde ascender social e economicamente. Enfim, eles têm você apenas como sendo um derrotado e um frustrado, pois a isso reduzem-se, hoje, as pessoas boas e corretas, que se recusaram e que se recusam a integrar uma maioria pusilânime, mesquinha e crápula.

 

 

Pois, que seja! Já foi feito algures por um grande jurisconsulto deste país, há mais de 100 anos, um sério chamamento às consciências das pessoas, embalde, e suas palavras candentes continuam absolutamente atuais e quiçá inúteis. Ei-las:

 

 

– “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”– Rui Barbosa, O Águia de Haia.

 

 

Sim, não há como negar! Está mesmo sendo cada vez mais difícil perseverar na virtude, preservar na honra e manter-se honesto. Mas, no que me diz respeito, estes são os caminhos que me foram ensinados por meus pais, estes são os caminhos pelos quais trilhei, estes são os caminhos que procurei ensinar aos meus filhos e aos meus milhares de alunos de Direito, em anos idos. Sim, estes foram os valores que procurei conservar intactos em minhas inumeráveis decisões judiciais, quando estive na ativa como Juiz de Direito.

 

 

Porém, antes que esta nova oportunidade passe e se escoe nas brumas do tempo, quero atualizar o meu pensamento, aproveitando-me da belíssima lição de moral que o monge Mestre Zen proporcionou aos seus discípulos e companheiros e que se estende a nós mesmos. E, quiçá ao escorpião! Por que não…?

 

 

– Nenhuma religião, seita ou crença, sejam elas cristãs ou não cristãs, tiveram, têm ou terão o direito, divino ou humano, de apropriarem-se da verdade.

 

– Poderá ocorrer, isto sim, ao longo dos séculos e como já ocorreu tantas vezes, buscarem recorrer à violência, às armas, ao morticínio, para ensaiarem impor os seus pontos-de-vista, mas jamais terão os seus argumentos validados pela razão.

 

– A verdade é universal e a todos pertence; nenhum grupo ou indivíduo tem o direito de apropriar-se dela ou de distorcê-la. A mente humana deve e poder ser livre, para escolher e seguir os caminhos que julgar melhores e conducentes ao bem, pois fazer o bem é da natureza final do ser humano.

 

 

Enfim, é isso! Também eu, tal como o monge, mesmo que fosse picado por um escorpião, se pudesse e naquelas mesmas circunstâncias, correria pela margem do rio e tornaria a tentar salvá-lo.

 

 

– Sei que não posso mudar o mundo. Com certeza, não…!

 

 

– Sei também que o mundo não haverá de me mudar. Com certeza, não…!

 

 

– Portanto, será como se diz: cada um fique dentro do seu quadrado…!

 

 

 

Araguari – MG, 08 de fevereiro de 2024 .

 

 

Rogério Fernal .´.

1 Comentário

  1. Eliane disse:

    O monge mordido é uma parábola que dá uma lição de ética e transmite sabedoria. O escorpião foi usado no lugar de um personagem humano, porque é um animal peçonhento que nos faz mal assim como um inimigo. Mas o que o Monge quis dizer é que temos o dever de salvar a todos mesmo que seja um inimigo, uma pessoa que nos odiamos, que nos tenha feito o maior mal.

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