Audiência pública discute situação de filhos separados dos pais com hanseníase
sáb, 9 de novembro de 2019 05:24por Laura Alvarenga
O plenário da Câmara Municipal sediará na próxima segunda-feira, 11, às 19h, uma audiência pública com os integrantes do grupo Somos Todos Colônia/Asthemg (Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais) de Araguari. Promovida pelos vereadores Wesley Lucas Mendonça (PPS) e Giulliano Sousa Rodrigues (PTC) o encontro visa debater sobre a indenização aos filhos separados dos pais portadores de hanseníase.

Encontro acontecerá no plenário da Câmara Municipal
Segundo o presidente do Legislativo, vereador Wesley Lucas, os representantes do movimento o procuraram para relatar a história deles.
“Apesar de conhecer o preventório e de ter participado de atividades de cunho religioso naquele espaço, como retiros de igreja, eu não sabia do passado dolorido e marcante na vida das pessoas que passaram por lá.”
Diante disso, ele o vereador Giulliano Sousa Rodrigues, se reuniram no intuito de organizar essa audiência, a fim de produzir um documento relatando sobre os direitos das pessoas oriundas do preventório, bem como, levar a causa ao governo do estado de Minas Gerais, através dos deputados estaduais. Está confirmada a presença de um representante do deputado estadual Doogal Andrada (Patri) e do deputado estadual Raul Belém (PSC).
Ronaldo Fernandes, um dos representantes do grupo Somos Todos Colônia, ressaltou que a audiência acontecerá no intuito de sensibilizar as autoridades locais e a sociedade civil organizada, para conhecerem a história, além da lei que institui o pagamento de indenização a estas pessoas.
“Esperamos que, a partir de Araguari, possamos chegar a um consenso quanto a uma prática articulada dos irmãos egressos dos preventórios e separados compulsoriamente dos pais, para que seja possível mobilizar o governador. Qualquer valor de indenização não pagará o sofrimento dos filhos, mas, pelo menos, pode servir de alento.”
Para finalizar, o vereador Wesley Lucas ressaltou que, caso alguém conheça uma pessoa que é ou tem parente oriundo do preventório, que estes também possam ajudar na divulgação e aderir à ação.
História
O caso aconteceu em um dos marcos legais da política de isolamento, estabelecida através da Lei nº 610 de 1949, a qual orientava a separação compulsória e imediata dos filhos daqueles pais isolados por hanseníase. Entre as décadas de 1920 e 1980 em torno de 16 mil brasileiros sofreram com a situação. De acordo com dados do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) estimativas oficiais apontam que mais de 14 mil filhos separados ainda estejam vivos.
À época, a Lei obrigava que todos os filhos de pais que fossem diagnosticados com hanseníase fossem enviados ao educandário mais próximo da região, não importando se eram recém-nascidos ou crianças com certa idade. Por outro lado, os doentes eram isolados em uma colônia com a promessa de receberem tratamento adequado, contudo, muitos morriam sem a família ter conhecimento.
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Que bom quê aínda essiste neste país jente como vocês que se preocupem com jente como nós quê fomos tão descriminados sofredores Deus abençoe vocês até oje somos porque guardamos tanto segredos porque não podemos contar prós nossos filhos nem marido nem a ninguém porque temos medo obrigada por oivirnos Vanda Ajala Gonçalves filha separada dos pais nem conheci minha mãe obrigada más uma vez