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Artigo de Opinião – Eu tenho medo

ter, 22 de março de 2016 08:19

Prof.Ms. Mauro Sérgio Santos

“O Sol da noite agora está nascendo. Alguma coisa está acontecendo. Não dá no rádio e nem está nas bancas de jornais” (Raul Seixas)

Em 2002, quando da iminência da eleição de Lula para o primeiro mandato como Presidente da República, a atriz global que atende pela alcunha de “Namoradinha do Brasil” ganhou notoriedade vociferando em propaganda eleitoral tucana Eu tenho medo!”; referindo-se, evidentemente, à provável condução do operário nordestino sindicalista ao posto político mais alto do País.

Quase quinze anos depois, não pelos mesmos ingênuos motivos burgueses, faço coro à afirmação de Regina Duarte. Eu tenho medo.

Todavia, não é o “comunismo devorador de criancinhas” ou o petista barbudo e aguerrido que me aterroriza. Tenho medo é do capitalismo avassalador que se alimenta de crises econômicas, da produção de desigualdades, da meritocracia, da ideologia dominante. Tenho medo de uma “elite branca” que simplesmente não suporta estar ao lado de pobres, negros e trabalhadores nas universidades e aeroportos. Tenho medo do processo de judicialização do sistema político brasileiro que coloca em risco o ordenamento institucional da Nação e da politização da justiça que espetaculariza ações isoladas de carreiristas oportunistas.

Tenho medo do processo de criminalização dos partidos de esquerda, da marginalização dos movimentos sociais, da desqualificação dos programas governamentais de assistência, da hostilidade em relação aos grupos de defesa dos direitos humanos, da militarização de sistemas educacionais, da divisão da nação (…)

Tenho medo da corrupção que assola todo o sistema político brasileiro, da promiscuidade pemedebista, do desejo tucano de poder pelo poder e da extrema direita neofundamentalista.

Tenho medo do surto conservador que alastra-se vorazmente por todas as esferas sociais. Tenho medo do fascismo da direita elitista e do pseudo-apartidarismo que, a bem da verdade, ofusca posições políticas muito bem definidas.

Espanta-me a ausência de reflexão na veiculação de conteúdos escusos e de procedência duvidosa na imprensa e nas redes sociais. Assusta-me a descriminalização da intolerância, do preconceito, do racismo, do machismo, da homofobia que, aos poucos, revestem-se de normalidade e adquirirem status de mera opinião.

Amedrontam-me as pedaladas políticas, os subterfúgios antidemocráticos, as agressões aos direitos civis individuais, as ações típicas aos estados de exceção que convertem-se em hábito e, paulatinamente, constroem os ambientes favoráveis aos golpes de Estado, às ditaduras e ao totalitarismo.

Pelas sombras do retrocesso e do autoritarismo, temo pelo risco que corre a paz social, a normalidade institucional, a soberania constitucional e Estado Democrático de Direito. O que está em jogo é a República. A questão é a democracia!

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