Achamos que não é conosco, por Bruno Peron
ter, 17 de junho de 2014 23:00Bruno Peron *
Algumas bocas sinceras dizem que um dos motivos pelos quais Estados Unidos não ratificou o Protocolo de Quioto (que prescreve metas de redução de gases que prejudicam o meio ambiente) é o receio de entravar alguns setores de sua economia. Talvez se refiram às indústrias estadunidenses que poluem o ar, a água e o solo. Por analogia, é possível deduzir que o Brasil só não acaba com o desmatamento de uma vez devido à expansão descontrolada da agricultura e da pecuária no interior.
No entanto, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou recentemente que tais setores agrícolas e pecuários no Brasil encontraram maneiras de prosperar sem desmatar. Este ritmo de sustentabilidade une-se ao elogio da ONU, durante uma reunião sobre mudanças climáticas em 5 de junho de 2014, aos esforços do Brasil no combate ao desmatamento e na redução da emissão de gases que causam efeito estufa.
O Brasil é um caso emblemático para a ONU devido à extensão territorial colossal da Amazônia e do papel “emergente” que algumas lideranças brasileiras creem que o país tem nas relações internacionais. A ONU comparou o caso do Brasil com os de países africanos, asiáticos e sul-americanos.
É verdade que algumas situações de desmatamento se devem a mudanças climáticas que prolongam o período de secas. No Brasil, porém, está claro que nosso desmatamento tem origem num modelo de desenvolvimento econômico corrosivo e predador. Sustentabilidade é uma roupa nova que esconde um corpo sujo. Desse modo, os que mais falam de sustentabilidade são os que menos fazem para conquistá-la.
O pronunciamento da ONU de que a intensidade do desmatamento tem diminuído no Brasil é alentador, mas digo que o cenário ambiental ainda é preocupantemente grave neste país. Matas extensas transformam-se em glebas para agricultura e pastos para pecuária. Mas não num passe de mágica. Logo, a diminuição do ritmo de desmatamento não é um convite à comemoração porque árvores continuam sendo derrubadas.
Não há dúvida de que duas medidas governamentais têm efeitos positivos: demarcação de terras de proteção ambiental e punição a empresas que desmatam para explorar tais áreas. As advertências, leis e medidas do governo fortalecem-se, mas dependem também do consentimento de empreendedores e neo-bandeirantes.
É necessário que os brasileiros nos desenvolvam com todo respeito à natureza e ao próximo. E não é só porque a ONU se pronunciou ou pela mensagem de outro organismo internacional que o Brasil segue nos Twits do desenvolvimento. Basta observar que mais tiramos que repomos, poucas cidades brasileiras têm planos de reciclagem de lixo, e nossas metrópoles expandem-se com pouca arborização.
Temos assim santuários florestais virgens, de um lado, e zonas urbanas sedentas de expansão descontrolada, de outro. O encontro entre estas duas entidades (a natural e a humana), cedo ou tarde, ocorre através de uma sustentabilidade fraudulenta.
Por fim, aproveito para finalizar este artigo recordando ao leitor que o Brasil se impõe metas ambiciosas. Uma delas é a de reduzir o desmatamento em 80% nos próximos seis anos. As florestas suspiram de alívio. A ONU regozija-se. Agricultores e pecuaristas são lançados contra a parede. E nós meio-cidadãos achamos que não é conosco.
http://www.brunoperon.com.br
Nenhum comentário
Últimas Notícias
- Acionamento de sirenes de barragem assusta moradores seg, 17 de agosto de 2026
- PL oficializa candidatura de Flávio Roscoe ao governo de Minas em evento nesta segunda-feira seg, 17 de agosto de 2026
- Senar Minas conquista ouro, prata e bronze na 15ª Olimpíada Brasileira de Agropecuária seg, 17 de agosto de 2026
- Empreendedorismo e liderança impulsionam nova agenda para mulheres do Vale do Jequitinhonha dom, 16 de agosto de 2026
- CANTINHO DO MÁRIO – 15 DE AGOSTO sáb, 15 de agosto de 2026
- DA REDAÇÃO sáb, 15 de agosto de 2026
- Araguari Vôlei EVA Sub-16 Feminino realiza jogo preparatório antes do CBI sáb, 15 de agosto de 2026
- Campeonato Amador 2026 terá novo formato e começa em setembro sáb, 15 de agosto de 2026
- Prefeitura de Tupaciguara prepara construção de nova praça de 2.800 m² no bairro Jardim Europa sáb, 15 de agosto de 2026
- DRAKES/LDT ENGENHARIA MONTA SUPERELENCO PARA A PRIMEIRA COPA 89 MARAVILHA FM – LIGA TRIÂNGULO sáb, 15 de agosto de 2026
> > Veja mais notícias...