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A Catedral de Santa Teresinha e seus bancos

qui, 9 de outubro de 2014 00:03

Abertura Histórias de Uberlândia
Monsenhor Eduardo Santos quando chegou a Uberlândia, vindo de Uberaba, logo ficou amigo da família Crosara, dona de uma fundição construída na cidade em 1927. Lá, eram fabricadas usinas movidas a roda d’água para serem instaladas nas fazendas da região para geração de energia elétrica. A fundição também produzia peças de arado, ferramentas, maquinário agrícola e sinos. Os sinos das igrejas do município e da região eram todos fabricados pela família Crosara. Quando os padres vinham a Uberlândia à procura dos sinos, era monsenhor Eduardo quem os levava até à fundição. E assim a amizade se fortaleceu e a família começou a ajudar o padre a conquistar um de seus maiores ideais que era construção da nova sede da igreja matriz.

Cesáreo Crosara levava monsenhor Eduardo às fazendas conhecidas, mais abastadas, para pedir donativos para a obra. A caminhonete voltava lotada. Trazia porco, galinha, bezerro, leitão, pato, peru, mandioca. Na cidade, faziam frango assado, pernil, lombo e levavam para o leilão. Tudo era arrematado para ajudar a arrecadar fundos para a construção. Com ajuda do município, foi iniciada a construção da igreja em um terreno da diocese, na rua Duque de Caxias, em frente à praça da República. A construção começou em 1939.

A escolha de monsenhor Eduardo de colocar a igreja no terreno em que está hoje e não no centro da praça, como era de costume na época, desagradou a população. Até os jornais da época publicaram críticas à decisão.

Durante a construção, monsenhor Eduardo solicitou a Atílio Spini que fabricasse os bancos para seu interior. Atílio, descendente de italianos era dono de uma marcenaria, localizada na avenida Cipriano Del fávero. O preço acertado na época  foi de 5 contos de réis.

Em setembro de 1939, eclodiu a Segunda Guerra Mundial e houve um aumento expressivo no preço das madeiras que eram trazidas do estado do Paraná. Os pregos e parafusos, que eram importados da Europa, também sofreram reajustes absurdos, fazendo com que o preço combinado ficasse bem abaixo do custo de fabricação.

Atílio, então, procurou monsenhor Eduardo, explicou a situação e pediu um reajuste do que havia sido acordado. Com pouco recurso, monsenhor conseguiu lhe dar apenas mais dez por cento do valor.

Mesmo com o prejuízo iminente, Atílio honrou seu compromisso com monsenhor Eduardo e com a comunidade. Fabricou os bancos e, sem condições de pagar nem o frete, utilizou dois de seus onze filhos, Atílio Augusto de 9 anos e Luiz Spini de 6 anos na época, para levar os bancos prontos, a pé, da oficina até a Igreja. Dizem que gastaram quatro dias para entregar todos.

Finalmente, em 25 de dezembro de 1941, a igreja foi entregue aos fiéis, com os bancos de imbuia da marcenaria do Atílio. Aliás, são estes bancos que estão lá até hoje. Era a edificação mais alta da cidade naquela época. Hoje é a catedral de Santa Terezinha e a praça da República mudou de nome, para Tubal Vilela.

Sem dinheiro para pagar as contas, Atílio teve que vender a oficina e se mudou com a família para Goiânia onde recomeçou a vida.

Retornou a Uberlândia mais tarde, trabalhou como empregado durante algum tempo e conseguiu reerguer sua oficina, perto da estação da Mogiana, onde trabalhou até os 80 anos de idade.

Início da construção da torre da Igreja de Santa Terezinha. Foto: Divulgação

Início da construção da torre da Igreja de Santa Terezinha. Foto: Divulgação

Panorâmica da Praça da República (atual Tubal Vilela) mostrando a igreja de Santa Terezinha sendo construída. Foto: Divulgação

Panorâmica da Praça da República (atual Tubal Vilela) mostrando a igreja de Santa Terezinha sendo construída. Foto: Divulgação

Panorâmica do Centro de Uberlândia na década de 1940, com destaque para a edificação mais alta da cidade: a torre da Catedral de Santa Terezinha. Foto: Divulgação

Panorâmica do Centro de Uberlândia na década de 1940, com destaque para a edificação mais alta da cidade: a torre da Catedral de Santa Terezinha. Foto: Divulgação

Família de Atílio Spini, responsável pelos bancos da Catedral de Santa Terezinha. Foto: Divulgação

Família de Atílio Spini, responsável pelos bancos da Catedral de Santa Terezinha. Foto: Divulgação

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Coimbra Júnior.
(*) Administrador de Empresas, especializado em Finanças. Trabalha atualmente na Via Travel Turismo. Criou a página História de Uberlândia no Facebook.

8 Comentários

  1. Andressa C. Bravo Ferreira disse:

    olá, meu nome é Andressa sou neta de um homem por nome de José Deloges, que dizia ser filho do MonSenhor Eduardo, não tenho nenhum registro disso, se adotado ou não., apenas uma foto do padre e outras desse meu avó. Vcs sabem de alguma coisa? Não tenho familia do lado do meu pai, esse meu avó faleceu quanto meu pai tinha 6 anos, minha vó já é falecida e morava no bairro Saraiva e meu pai também já dorme no Senhor. Busco veracidade para poder fazer um registro da parte da família do meu pai. Hoje tenho 36 anos e ainda não sei nada dessa parte da minha família. Ja que vcs tiveram intimidade com o padre gostaria de saber mais um pouco a respeito da historia. obrigada! Deixarei o e-mail do meu esposo para vcs entrarem em contato se puderem…. obrigada mais uma vez!

  2. Maria Francisca Vital disse:

    Bom dia.
    Sou filha de João Vital Ferreira e Olívia Cândida de Carvalho.
    Meu pai veio para Uberlândia em 1938 e foi grande colaborador para o crescimento da cidade, construindo várias casas e efetuando serviços de marcenaria, carpintaria e ferraria para a nossa Prefeitura.
    Foi amigo do nosso amado ex Prefeito Tubal Vilela da Silva, prestando a ele serviços de sua profissão, tanto na Prefeitura quanto na sua Imobiliária.
    Tenho muito orgulho de ser uberlandense, nasci aqui em 1943.
    Quero muito ver o seu trabalho.

  3. Reginaldo José Spini disse:

    Oi, Maria Francisca, acabei de ler sua mensagem. Também nasci em Uberlândia, em 1928. Estou com 92 anos, sou o irmão mais novo do Atílio Spini. Quando menino e durante vários anos morei na av. João Pinheiro, 639, num chalé que havia ali, Hoje estou em São Paulo, desde 1978, para onde vim como funcionárrio do Banco do Brasil, Também tenho muito orgulho de ser uberlan=
    se. Prazer em conhecê-la.

  4. Hugo Spini Júnior disse:

    Boa Noite.
    Sou neto de Atílio Spini, que veio da Itália para o Brasil. Nasci em Uberlândia-MG em 1973 onde resido até os dias de hoje. Deus me deu esta linda família Spini e um pai, o mais novo da foto acima, que me amou intensamente e me proveu sempre em tudo com o suor de seu esforço e trabalho. Hoje tenho dois filhos e uma linda esposa e me recordo ainda do quanto esta cidade cresceu, de quando brincávamos nas ruas de Uberlândia-MG sem perigo; de quando ainda não havia televisão para todos e os programas televisivos eram escassos.

  5. Luiz Eugênio Spini disse:

    Sou neto do vovô Atílio Spini, sou filho de David Spini, no grupo dos filhos do vô Atilio e da vovó Geny Custódio Pereira Spini, o meu pai é o quarto filho de uma prole de onze filhos, o tio Luiz que morreu prematuramente aos cinco anos de apendicite.
    O papai era o quarto filho, sinto-me muito feliz, em fazer parte desta árvore genealógica. Desse grupo tão grande de pessoas que assinam o sobre-nome SPINI, vou filho de José Séptimo Spini, o meu bisavó saiu com a família da Itália devido às guerras e a grande oportunidade de vir a colaborar, como muitos italianos, em construir esse novo país, o nosso amado Brasil.
    Homem simples, cristão, amante de Deus Pai e de Jesus, o humilde filho do carpinteiro José e sua meiga Maria lá de Nazaré.
    Vovó Atílio nasceu em Cremona, Itália recebeu as duas cidadania, italiano e brasileiro.
    No Brasil tornou-se brasileiro e carpinteiro, como José o pai de Jesus.
    Construiu os bancos da matriz Santa Terezinha, no interior do Triângulo Mineiro, as cadeiras estão lá até hoje, fui batizado e cismado nesse templo de oração, fiz mim comunhão lá, moramos por doze anos ao lado da Igreja Matriz de 1965 a 1977, cresci no no quintal de casa, divisando ao templo de fé através do muro, havia do lado de casa uma árvore, sabão de macaco, escalava com destreza essa árvore e via todo o interior da igreja.
    Comecei a amar Jesus nesse local, adorava as imagens querando conhecer o Evangelho como diz Jesus, ” em Espírito e Verdade”, depois, bem depois aqui em Goiânia entendi quase tudo…
    O meu avô marcineiro Atilio Spini, minha vó Geny, ensinaram-me a força da FÉ.
    Como é bom sabermos um pouco mais de nossas raízes.
    Os meus avós voltaram para o Mundo dos Espíritos, eu e muitos dos Spinis seguimos por aqui, o laço que nos une a todos, encarnados ou libertos da vida material, é o amor que Jesus nos ensinou.

  6. Henrique Wiliam Castro Cavalcante disse:

    Fiquei muito bem impressionado com a saga da família Spini, e tenho o privilégio de ser amigo do Luiz Eugênio Spini, além de colegas de faculdade. O Luiz Eugênio é descendente dessa família de garra, desenvolvendo ostensivo trabalho na seara espiritual aqui na terra, ajudando muitos irmãos a enxergar a luz espiritual.Tenho muito orgulho do meu amigo Luiz Eugênio Spini.

  7. Maria de Lourdes dos Santos Malaquias disse:

    Fico muito feliz em saber essa incrível história de Uberlândia,nasci em arcos de minas ,mas fui criada no triângulo , estou em Uberlândia mais de 50 anos me considero uberlandense,amo Uberlândia, gosto muito de saber suas histórias .

  8. Edilcio José Crosara disse:

    Tenho muito orgulho de ser um Uberlandense de coração, pois foi lá que vindo praticamente fugido de Conquista em busca de crescimento e ainda muito novo , fui hospedado por algum tempo por meu tio Revilio e tio Augusta até conseguir um emprego estável, vivia lá pela casa de tio Cesário e tia Rorato que dizia Crosara não volta atrás. Me tornei um homem graças a estes ensinamentos e convivência com todos estes parentes em Uberlândia,
    Hoje moro em Brasília.

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