Casamento homoafetivo no Brasil completa cinco anos de regulamentação
sex, 18 de maio de 2018 05:37por Tatiana Oliveira
Desde então nenhum divórcio de casamentos entre pessoas do mesmo sexo foi registrado em Cartório
Esse ano completam cinco anos desde que foram autorizadas uniões civis entre casais do mesmo sexo. O casamento homoafetivo começou no Brasil em 2013 quando o Conselho Nacional de Justiça – CNJ – emitiu uma resolução determinando que todos os Cartórios do País realizassem casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Júlio César e Edmilson casaram-se em 2016
Desde então, em Araguari, 14 casamentos homoafetivos foram realizados no Cartório de Registro Civil da cidade. Desses, nenhum divórcio, apenas um viúvo, mostram dados do CRC de Araguari. Um deles é o do artista plástico Júlio César Monteiro (67 anos) e Edmilson Silva (53 anos) que encontraram o amor depois de mais velhos. “Conheci o Edmilson em rede social no ano de 2015 e em janeiro de 2016 ele veio de Sorocaba – SP, para Araguari. Foi então que resolvemos nos unir definitivamente e legalmente em setembro do mesmo ano”, conta Monteiro. “Temos levado uma vida normalmente como um casal qualquer.Com amizade, cumplicidade e ajuda mútua. Nunca sentimos vergonha de assumirnosso relacionamento. Temos a certeza que o apoio da família e de amigos é fundamental para um relacionamento responsável”, aconselha. Monteiro comenta que a cerimônia foi registrada pelo próprio sobrinho, que foi criado por ele.
Outra história feliz é do esteticista Thiago Lopes Benevides e de Marcos Paulo Martins de Resende, representante comercial. Os dois foram os segundos a se casarem em Araguari após a decisão do CNJ. Em 2018 eles completam as “Bodas de Cristal”, com 15 anos juntos. A união estável foi firmada bem antes, em 2009, pela intensa vontade de adotar. “Eu sempre tive muita vontade de adotar. Há 7 anos mais ou menos, quando ele me ‘apertou’, eu falei para ir buscar o seu filho biológico que morava no Espírito Santo. Quando chegou lá os avós o entregaram porque a mãe deYagotinha falecido”, conta. “O Thiago me ligou, trouxe o filho para cá; hojeele mora com a gente. Assim que o Thiago chegou fizemos a certidão de união estável”, relata.
Após a união estável, Marcos Paulo fez a adoção unilateral de Yago e o casal entrou na fila de adoção, pois queriam mais filhos. Há dois anos conheceram os irmãos João Vitor Silva Dias, que hoje tem 11 anos, e Cauã Felipe da Silva Alves, de 7 anos. Depois de um ano de tutela os dois passaram a viver como filhos do casal. “Eles ainda não têm o nosso sobrenome, porque falta o juiz ‘bater o martelo’ e oficializar a adoção, mas logo receberão”, relata Thiago.
O casamento de Thiago e Marcos Paulo foi formalizado no primeiro ano da resolução do CNJ. “Quando fizemos a união estável em 2009, falei ao Thiago que iríamos comemorar quando completássemos 10 anos juntos, que seria em 2013. Eu até brinquei ‘quem sabe até lá a gente não pode casar’?’”, lembra Marcos Paulo. Por coincidência, o ano em que completaram uma década juntos foi justamente quando da aprovação do casamento homoafetivo. “Em junho de 2013 foi liberado o casamento homoafetivo.Em dois meses programamos tudo e no dia 10 de agosto, com a graça de Deus, deu tudo certo”, comemora.
O casamento civil foi celebrado no CRC da cidade e as festividades de recepção no restaurante Queda d’Água. “Quando foi liberado o casamento homoafetivo no Brasil, eu disse a ele: vamos casar mesmo, oficial agora? Ele aceitou. Ele não queria festa, mas eu sempre fiz questão”, comenta Marcos Paulo.
Na criação dos filhos Thiago relata que o segredo é o diálogo. “Desde quando os meninos chegaram, nós deixamos claro que agora eles têm dois pais, dois homens. A gente está sempre conversando”, diz. “Meu pequenininho — que é uma comédia, é o que fas as perguntas mais ‘cabulosas’. Procuramos sentar e esclarecer com todo mundo. Quando tem que chamar a atenção, chamo dos três. Tanto na organização da casa, nos afazeres, na responsabilidade de cada um; é muito tranquilo”, fala.
Para aqueles que pensam em se casar, Thiago deixa um conselho. “O conselho que tenho é o que ele [Marcos Paulo] sempre me falou ‘nós vamos viver bem. Se for para ficar brigando, é melhor não estar junto’. Nossa convivência é muito boa. No primeiro ano foi mais difícil, pois eu era muito encrenqueiro, mas graças a Deus o tempo foi passando e fui mudando um pouco”, relata.
O companheirismo e a confiança também são apontados por Thiago como essenciais. “Uma coisa muito interessante, é que ele não dá ouvido para as outras pessoas. Ele ouve a mim. Se eu falar que fiz, eu fiz, se falar que não, não fiz; se existe alguma dúvida, conversamos e esclarecemos. Acho que não brigamos nestes 15 anos; não houve agressões, nem mesmo verbais. A gente discute a situação, resolve, mas dorme junto, não tem dessa de dormir separado”, aconselha.
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Parabéns!
O que interessa é ser feliz. Cada um de nós temos esse direito. O que realmente faz a diferença é essa cumplicidade, e dedicação em passar para os filhos os valores que importam, respeitar o outro e suas escolhas, esforçar-se para se tornar uma pessoa honesta, que trabalha e vive dignamente do que é seu. Parabéns pela atitude! Muitas crianças em nosso país necessitam de conhecer como funciona uma família de verdade e vocês estão proporcionando isso a elas.