Ficha Técnica – Querida Lu
ter, 25 de abril de 2017 05:34
Agora as colunas saem às terças. Sei que não é o melhor dia para gastar tempo debruçada num caderno de esportes, mas talvez a agenda de feriados de 2017 nos alegre mais. Dia 23 foi seu aniversário. Vi que ganhou “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marquez. Um prêmio Nobel de Literatura nas mãos de uma professora honrada pela história que carrega. Singular até nas arquibancadas, torcedora do Juventus da Mooca. De ti, bordam-se coreografias, livros e tecidos. De mim, resta o privilégio pela paciência com tamanhas linhas tortas.
Outro dia, questionei a afinidade que tinhas com o time grená de São Paulo. Por que cargas d’água uma mulher do cerrado mineiro se relacionaria com o mais querido da Mooca? Fui pego de surpresa com uma aula gratuita sobre garra, vontade e perseverança. Ali, lembrei-me daqueles que jamais abriram mão de acreditar acima de qualquer percalço. De quem se permite andar com os pés descalços, perder, lamentar-se e fazer do suor do trabalho o doce sabor da vitória.
Numa curta viagem no tempo, encontrei o Guarani, campeão brasileiro de 1978. Passei por Bahia, vencedor de 1988 e último da região nordeste. Perambulei entre o Bragantino de Luxemburgo campeão da Série B de 1989, o América decacampeão mineiro e o Paysandu que calou a La Bombonera em Buenos Aires, naquele 24 de abril de 2003. A vez de Sport, Juventude, Santo André e Paulista de Jundiaí na Copa do Brasil, e do São Caetano, na Libertadores de 2002.
Essa semana, a Ponte Preta também pavimentou mais um capítulo de sua história. Com William Pottker na linha de frente, deixou Santos e Palmeiras pelo caminho para reencontrar o Corinthians na decisão do Campeonato Paulista após 40 anos, quando o Timão quebrou um jejum de 23 anos sem título. Dos tempos de Carlos, Odirlei, Jair Picerni, Oscar, Marco Aurélio e Vanderley Paiva, comprado junto ao Galo para carregar o piano em Campinas, e Dicá, super-homem que se multiplicava em campo, sobrou apenas a alma pontepretana.

Após 40 anos, Ponte Preta reencontra o Corinthians na decisão do Paulista
Querida Lu, que tanto prezas pelas próximas gerações, se pudesse guardaria um pouco de suas andanças para ensiná-las para quem se aventura por outros cantos. Lembraria as vitórias que desatam nós entrelaçados na garganta. De alvinegros, auri-rubros, colorados, tricolores, celestes, alviverdes e rubro-negros. De todas as palavras que possam representar a garra, vontade e perseverança que habita em todos eles, herdei três letras. Obrigado, mãe!
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