Ficha Técnica – O que seus privilégios dizem sobre você?
qua, 1 de fevereiro de 2017 05:03
Nem tudo é o que parece. Poucas lições cativam-me o peito e bagunçam-me a zona de conforto como essa. Talvez pela paixão arrebatadora nos mistérios das teorias da conspiração, ou por simples ceticismo mal resolvido, o fato é que aprendo a cada passo. Na loja de R$ 1,99 que vende promoção a R$ 10,50, ou no rapaz do seleto grupo de bilionários que fez as malas para uma cela de presidiários. Do terno Armani importado ao uniforme branco desbotado. Tem brasileiro que é tão presunçoso que sequer admite quando faz gol contra. Para ele, é gol da Alemanha.

Eike Batista
Vez ou outra, dedico-me à missão de enxergar além da miopia que me embaraça. Desatar nós, abrir caminhos e seguir pela estrada não pavimentada. Como Romário e Edmundo contra o Manchester United no mundial de 2000, ou Palhinha e Muller diante do Barça de Johan Cruyff e do Milan de Capello em 1993. Gente que longe das manchetes internacionais podia dominar o universo com os pés, ainda que alguém que pese 68 kg na Terra não passe dos 30 em Marte. Pior mesmo é quem acredita que o mundo gira em torno de si.
Para a Fifa, o Santos de Pelé, o Flamengo de Zico e o São Paulo de Telê não foram campeões oficiais. De fato, gratidão tem memória curta, e na entidade máxima do futebol, a bola é o que menos interessa. Quantos Zidanes, Ronaldos e Rivaldos desperdiçados. Certo dia, um astrofísico norte-americano resumiu – “Talvez o próximo Einstein esteja morrendo de fome na Etiópia”.
Confesso que, por algumas andanças, sinto como se vivesse na Alameda dos Anjos dos Power Rangers. Uma busca incansável por grandes heróis entre um extermínio geral a qualquer momento, pelo menos nas redes sociais. Eike Batista foi para Bangu 9. Temer vai para Cuba e o presidente da CBF, de nome Marco Polo, não pode viajar. Neste mundo do avesso, a autenticidade vive em extinção.
Como nas palavras do menino Gerson, goleiro vice-campeão da Copinha pelo Batatais. Com a camisa 12 em homenagem ao ídolo Marcos, pensou em deixar precocemente o esporte após a morte da irmã em um acidente. Depois da final, ele sintetizou seu sentimento. “Antigamente via minha mãe chorando na cama, querendo se matar. Hoje, vejo ela na arquibancada gritando feito louca, rindo de orelha a orelha. Deixa o primeiro lugar para lá. Troféu, medalha, é legal ganhar, mas não é mais importante que o sorriso de uma mãe”, disse.
Nada é mais justo que a humildade e menos humilhante que a soberba. Pré-requisito básico para se julgar um cidadão mais de bem que o outro, com traços de intolerância e hipocrisia. Em tempos de liquidação de bons samaritanos, para no tempo quem acredita somente naquilo que vê. A propósito, você sabe com quem está falando? O que seus privilégios dizem sobre você?
Nenhum comentário
Últimas Notícias
- Sete meses depois, encosta em JF segue sem solução ter, 29 de setembro de 2026
- Educação promove formação continuada para profissionais da Rede Municipal de Ensino ter, 29 de setembro de 2026
- América e União mantêm 100% ter, 29 de setembro de 2026
- Polícia Militar orienta para golpes de vendas falsas de veículos pela internet ter, 29 de setembro de 2026
- Com nova frente de terraplenagem, obras de duplicação avançam na BR-365 ter, 29 de setembro de 2026
- Inglaterra vence Portugal e conquista a Taça Aman na Panda Mito ter, 29 de setembro de 2026
- Vôlei sentado passa a integrar modalidades paralímpicas oferecidas em Araguari ter, 29 de setembro de 2026
- Amanhece vence duelo de invictos, e América domina clássico contra o Grêmio ter, 29 de setembro de 2026
- Duas pessoas morreram em acidente grave na BR-365 ter, 29 de setembro de 2026
- Educação e Saúde alinham ações e orientam famílias sobre rematrículas para 2027 ter, 29 de setembro de 2026
> > Veja mais notícias...