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Ficha Técnica – Ilusionistas aurinegras

qua, 30 de março de 2016 08:28

 

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Existem dias em que até o errado, caminha pelo certo. O pão que virou torrada, David Luiz suspenso da seleção ou a televisão que acabou queimada. Era semifinal de campeonato. Naquela noite, sete vozes pareciam seguir um único timbre. Guerreiras que há meses desafiavam esse país graúdo e sem porteira e que jamais cogitariam o fiasco. Se os deuses do esporte instituíssem o Dia Internacional da Mulher, fariam uma data especial em Uberlândia apenas para lembrar aquele 28 de março.

Praia Clube de Uberlândia faz história e está na final da Superliga de vôlei *Praia Clube

Praia Clube de Uberlândia faz história e está na final da Superliga de vôlei  (Praia Clube)

Durante pouco mais de uma hora e meia, nada ou ninguém atravessaria a atenção de quem passasse por aquela quadra. Mulheres que causavam alvoroço ao desfilarem sua coragem por onde passavam – abençoadas. Fossem bloqueios, saques, passes ou ataques. Cada jogada era como uma invenção procedida dos céus, iluminando terras até então jamais desbravadas.

Numa ode ao cerrado, o time de vôlei do interior espremeu as meninas da capital mineira num caldeirão preto e amarelo. Era o oitavo encontro somente naquela temporada – a sétima vitória. De um lado, jogadoras como Daymi Ramirez, Walewska, Michelle e Alix eram feito personagens perto do técnico Ricardo Picinin, que mais lembrava o gerente de uma fábrica de ilusionistas em ação. A trama certamente daria resultado.

Nem numa obra de Simone de Beauvoir ou numa canção de Nina Simone. Não poderia haver homenagem melhor no mês da mulher – um presente para o cerrado. Após uma melhor de três, o esporte do Triângulo Mineiro se viu representado por novas mulheres. Credoras de uma dívida que sequer era delas. Atletas que romperam tabus, incendiaram as arquibancadas e devolveram para a torcida o grito que por anos estava engasgado.

No próximo domingo, o esquadrão do Praia Clube embarca para o último desafio da temporada, em Brasília. Será a primeira vez que aquelas mulheres pisarão em uma final de campeonato nacional com o traje aurinegro. A décima segunda consecutiva da equipe do Rio de Janeiro. Se por um lado a decisão não será novidade, de outro estará o melhor time de vôlei da história da cidade. Uma turma de ilusionistas, capaz de em cada truque surpreender, e até nos erros acertar.

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