Ficha Técnica – À MODA ANTIGA
qua, 24 de fevereiro de 2016 08:56
São quase nove da manhã de domingo. Acabou o horário de verão. Ganho uma hora, mas perco no tempo. Com sono de um morcego e peso de uma retroescavadeira, atendo o celular. Relacionamentos modernos são chatos feito nosso futebol atual. Dedicamos com o coração na ponta da chuteira, mas ainda preocupamos com qualquer bola nas costas eventual. Melhor levantar, afinal, como diria Padre Fábio de Mello – o pó de café não caminha sozinho em direção à cafeteira.

Uberlândia Esporte faz pulsar novamente o futebol profissional na região (Foto: PMU)
Passo o café. Tem requeijão na geladeira. Na TV, matéria das tatuagens do Neymar. É dia de jogo. Esquemas defensivos, ofensivos, pragmáticos e desconhecidos. Decido não fazer tantos planos. Não basta planejar uma jogada se não estudar como o outro time vai se comportar. Soa o apito inicial. A torcida levanta o estádio adormecido. Nas ruas, encontros e desencontros. Tem clássico carioca em Brasília, Uberlândia no Parque do Sabiá e o São Paulo mais bagunçado que o ferro velho do Seu Almir.
Em campo, 90 minutos para ao menos em um lance resolver a partida. No futebol, segue uma linha tênue entre o amor correspondido de um Palmeiras de 1999 e a paixão desastrosa dos 7 a 1. Quem persegue, às vezes consegue. Quem não faz, toma. Que diria o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, ainda vivendo como réu de corrupção nos Estados Unidos?
O time venceu, porém não convenceu. Melhor aceitar. Não era hora de colocar em panos limpos a roupa suja que por tantas vezes lavamos. O importante é que o futebol voltou no quintal de casa. Aquela mistura de sensações. Pulsante, eufórica, pendente. Até Dona Teresa, que parecia intransigível em seu crochê, sentou-se à frente da porta para ver a torcida passar.
Mestre Bernardo Santos, o carioca B-Negão, outrora alertou – “corpo sem alma é um vinil que não toca”. De fato, é algo que me intriga. Cadê o calor nas palavras e o frio na barriga? Gente vazia constrói estádio vazio e, convenhamos, ambos não precisamos.
Que nossas cidades voltem a alimentar o futebol profissional, ainda que seja nutrido com refri, cachorro quente e pipoca a suados cinco reais. Não importa se vier da direita ou da esquerda. Boicotamos o silêncio por uma única voz. Ali, o jogo imita a vida. Por essas e outras, prefiro vivê-lo como um bom e velho relacionamento à moda antiga.
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