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Ficha Técnica – Especial Pelezinho

qua, 20 de janeiro de 2016 08:58

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Quinta-feira, 2 de julho, véspera das quartas de final da Copa de 1998. “O Brasil está no caminho certo. O Leonardo está bem, resta alguém encostar mais no ‘Ronaldinho’. Está faltando o Romário, ele merecia uma segunda chance. Buscaram o Emerson sem necessidade, ninguém fala desse rapaz”. As sábias palavras eram de Hamilton Soares Alfaiate, que por muitos anos pavimentou seu caminho numa estrada sem buracos, chamada futebol.

Uma homenagem a Hamilton Soares Alfaiate (*25 de fevereiro de 1942 - +13 de janeiro de 2016) (Arquivo Pessoal)

Uma homenagem a Hamilton Soares Alfaiate (*25 de fevereiro de 1942 – +13 de janeiro de 2016) (Arquivo Pessoal)

 

Filho da cidade de Baliza, com menos de quatro mil habitantes na divisa entre Mato Grosso e Goiás, foi adotado por todos os lugares que passou. Nascido em tempos de Segunda Guerra Mundial, fez da bola sua principal arma. Pelas mãos do visionário Paulo Nogueira, foi levado logo cedo do Nacional de Itumbiara para o Araguari Atlético Clube. Na antiga Cidade Sorriso e com o número dez estampado nas costas, Hamilton passaria a atender por Pelezinho.

Ganhou nome, espaço e um contrato de 8 milhões de cruzeiros com o Botafogo de Ribeirão Preto. No mesmo ano, retornaria para o Triângulo, onde novamente tentariam buscá-lo. Após um período de testes na base do São Paulo, o então dirigente do time, Michel Aidar, pisou fundo em seu novíssimo Aero Willys rumo à Araguari para oferecer uma proposta de 5 milhões de cruzeiros. A oferta, no entanto, não agradou o presidente do Galo da Comarca, João Vasconcelos Montes, que afirmou que a joia do seu time valia mais. Nos bastidores, se falava em 10 milhões de cruzeiros.

Pelezinho ainda desfilaria seu futebol por outros campos. Típico camisa 10 de rara espécie nos dias de hoje, devolveu o prestígio ao Goiânia, que após cinco anos voltou a disputar títulos com Vila Nova e Goiás. Garantiu o primeiro título profissional da história de Brasília com o Grêmio Brasiliense, faturou as divisões de acesso com o Fluminense de Araguari e o Ituiutabano, e ainda integrou um dos maiores esquadrões do Uberlândia Esporte Clube. Em cobrança de falta, venceu o Flamengo do Rio. Enfrentou a seleção da Rússia e calou o Mineirão lotado. Foi levantado por Dadá Maravilha e reverenciado por Ademir da Guia.

A partir de hoje, a coluna Ficha Técnica traz um especial com essas e tantas outras histórias de Pelezinho. São arquivos, lembranças e depoimentos daquele que para muitos é um dos maiores nomes que o futebol mineiro já viu. O homem que era sábio dentro e fora dos gramados. Que ganhava voz por onde passava, e levava às alturas os verdadeiros amantes do esporte bretão. O operário da bola, que construiu sua história sem tirar os pés do chão.

Fontes: Gazeta do Triângulo, Botija Parda, Diário de Araguari, Jornal da Cidade, Jornal da Manhã, Correio de Uberlândia, Correio Braziliense, Arquivo São Paulo Futebol Clube

1 Comentário

  1. cláudio costa disse:

    Obrigado por estas lembranças maravilhosas. Aqui em Ituiutaba ele foi o cérebro de outro timaço, a UTE ,União Tijucana de Esportes. Era um prazer enorme vê-lo jogar. lembro-me que os companheiros de ataque pediam para ele lançar a bola . Então ele dizia ; não sai do lugar, e fazia aqueles inúmeros lançamentos primorosos de quarenta, cinquenta metros , como que se estivesse colocando a bola com as mãos nos pés dos companheiros, deixando-os na cara do gol por várias vezes. Tio Hamilton era um homem do bem e com certeza o céu está em festa.

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