Meio Desligado – Morre David Bowie, o “herói” camaleão
qua, 13 de janeiro de 2016 08:21
Um dos principais ícones da música pop morreu no domingo, 10. O artista britânico David Bowie sucumbiu ao 69 anos à batalha que travava contra um câncer há 18 meses. Assim como sua vida e carreira eram cheios de surpresas, sua partida também o foi. Havia acabado de lançar o álbum “Blackstar” dois dias antes. A notícia caiu como uma bomba.

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Músico, cantor, compositor ou letrista, ator, enfim, um artista musical e visual. Suas performances, personagens e jeito de entender o rock influenciaram diretamente grande parte das bandas e artistas que o sucederam. Mais do que a música propriamente dita, Bowie expressava através do rock todo um comportamento e estética que lhe eram peculiares, com personagens e histórias que transformavam seu trabalho em uma espécie de teatro. Não por acaso era chamado “camaleão”. Sua carreira profícua é marcada por diferentes fases. Isso sem falar na ousadia e transgressão inerentes das estrelas do rock, além de sua assumida bissexualidade e visual andrógeno.
Bowie alcançou o estrelato em 1969, quando a canção “Space Oddity” ficou em quinto lugar no UK Singles Chart. A música, que retrata a viagem do astronauta major Tom, foi utilizada pela BBC durante a cobertura da chegada do homem à Lua naquele mesmo ano.

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Autor de elogiados álbuns como “Heroes” (1977), “Lodger” (1979) e “Scary Monsters” (1980), David Bowie surpreendeu o público com seu regresso em 2013. Havia dez anos que não lançava qualquer álbum novo e desde 2006 não realizava apresentações. Em 8 de janeiro de 2013, festejou 66 anos com o lançamento da canção “Where are we now?” e dois meses depois o álbum “The Next Day”.
Tornado público no dia de seu último aniversário, “Blackstar” agora ganha contornos sombrios e melancólicos. Muitos tem visto o trabalho como uma espécie de despedida. O som — com influências de jazz e rock, como muitas críticas e textos sobre o artistas pontuaram, deixava no ar questionamentos como reclusão, esquecimento e a própria morte, como se ele avisasse ao público que se aproximava da morte.
Isso fica evidente no videoclipe da canção Lazarus (nome do musical co-escrito por Bowie e pelo dramaturgo irlandês Enda Walsh que se encontra em cena na Broadway). O artista aparece magro e envelhecido, deitado numa cama de hospital, cantando trechos como Bowie “eu estou em perigo, nada tenho a perder” e falando de “cicatrizes que não podem ser vistas”. Em determinado momento, ele dança, iluminado, relembrando “do tempo que cheguei a Nova York e estava vivendo como um rei” de depois sai de cena lentamente, caminhado para trás até fechar a porta. Uma espécie de premonição do que estava por vir e seus sentimentos em relação à isso.

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