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Ficha Técnica – SEM CLUBISMO

sex, 11 de dezembro de 2015 08:47

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Janeiro de 1973. O Brasil de Médici ainda pulsava sob o sangue do regime militar. Entre manchetes censuradas e receitas de paçoquinha, o Jornal da Tarde trazia o São Paulo de Waldir Peres, Pedro Rocha, Forlán e Mirandinha. O futuro vice-brasileiro estampava a capa da edição de esportes. Enquanto isso, longe dos holofotes, nascia um M1T0.

Nascido em Pato Branco, no Paraná, foi levado ainda criança para Mato Grosso. Entrou para o time da cidade e não demorou a virar notícia nos corredores da escola. Descoberto pelo São Paulo aos 17 anos, embarcou para a capital paulista para não voltar mais. Encontrou o primeiro desafio profissional apenas em junho de 1993, no Dia do Imigrante, com direito a um pênalti defendido na goleada sobre o Tenerife, da Espanha. De fato, parecia mesmo um garoto de outro mundo.

Ceni cumprimenta ídolo inglês Gerrard, após superá-lo na final do Mundial de Clubes

Ceni cumprimenta ídolo inglês Gerrard, após superá-lo na final do Mundial de Clubes

 

Quase quatro anos depois, soube que entraria para o esquadrão de frente tricolor. Agarrou a chance como uma bola, para não largar mais. Desde então, defenderia aquelas cores do Oiapoque ao CT de Cotia. Fã de Metallica, Pink Floyd e Elvis Presley, aprendiz de Telê Santana. Encantou as Américas. Assistiu do banco seu time bater Milan e Barcelona, e Ronaldo e Rivaldo garantirem o penta para o Brasil. Em campo, segurou nada menos que o Liverpool, vencedor de uma das finais mais memoráveis da Liga dos Campeões da Europa.

Lembro como se fosse ontem daqueles segundos em que a bola do ídolo inglês Gerrard partiu em alta velocidade no seu contrapé. Os 1,88m que erguestes ficaram pequenos perto da grandeza daquele lance. Com os dedos, salvou o time, a coruja, e ainda cuidou do coração de milhões. Goleiro, biólogo, cardiologista, artilheiro e colecionador de recordes. Bateu Pelé em jogos, o galês Ryan Giggs em vitórias e o paraguaio Chilavert, em gols. Por essas e outras, sequer precisou sair da América para figurar entre os melhores do mundo.

Hoje, procurei no dicionário a definição de lealdade – “característica daquilo ou aquele que se pauta em probidade” – dizia. A partir deste ano, as palavras rebuscadas poderão ser traduzidas por uma imagem. Algo que ao menos remeta a segurança, gratidão e confiabilidade. Traços que lembrem alguém que ganhou uma chance, construiu uma história e deixou um legado. Seu nome, Rogério Ceni, o mais novo ídolo do passado.

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