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Ficha Técnica – Criador e criatura

qua, 7 de outubro de 2015 08:47

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Em 11 minutos, o primeiro sorriso. Era como se nada houvesse fora dali. Todos os olhares pareciam incrédulos, mas escondiam por trás uma felicidade que transbordava. Nas arquibancadas, braços alçados de alegria ditavam o ritmo que os 11 artistas transmitiam. Mas não se tratava de um mero espetáculo.

Naquele ano, o mundo se despediu de João Paulo II, os Estados Unidos eliminaram o terrorista Saddam Hussein, e o futebol brasileiro protagonizou seu maior escândalo de corrupção de todos os tempos. Mas o luto, a barbárie e a indignação não entravam ali. O estádio era como uma sala de aula feliz. Dentro dele, Brasil e Chile encenavam o papel de professor e aprendiz.

Sensações como aquela, apenas na primeira vez que tive na praia, na chuva que surgiu em meio ao calor da Etiópia, ou quando conheci o escondidinho de frango da minha avó. Em 30 minutos, quatro a zero para os então campeões da América. Num dos gols, uma pintura, rabiscada por Robinho no meio e compartilhada entre Adriano (saudade), Kaká e Ronaldo, até retornar para o menino da Vila, que pegou emprestado a camisa 10 de Ronaldinho, suspenso.

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Um simples empate garantia a seleção na Copa do Mundo da Alemanha no ano seguinte, mas cabia mais. Com o placar 5 a 0 para os anfitriões, o passaporte estava mais do que carimbado, com todos os passageiros praticamente confirmados. Um quadrado mágico no ataque, respaldado por um quarteto defensivo liderado por Roberto Carlos e Cafú pelos flancos. O fim dessa história todos sabem. O que parecia um sonho deu lugar a um pesadelo.

Nesta quinta-feira, 8, um novo caminho se inicia. Brasileiros e chilenos voltarão a se encontrar pelas Eliminatórias. Daquele domingo de 2005, apenas Kaká estará presente. O Chile é o atual campeão da América. O Brasil, o autor da piada pronta, que até hoje sofre com os gols da Alemanha a cada esquina. Melhor esperar por um roteiro diferente, onde o criador ainda tenha o que ensinar para a criatura.

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