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Quando troquei o jogo pelo cachorro

qua, 25 de fevereiro de 2015 00:01

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Por um domingo com mais amor e menos show de horrores. Foto: Gazeta do Triângulo

Por um domingo com mais amor e menos show de horrores.
Foto: Gazeta do Triângulo

Talvez haja concorrência, mas não há mal que supere esquecer o despertador ativado num domingo de manhã. Ainda eram sete horas, quando minha mão quicava na cabeceira da cama à procura da salvação. Bob, um labrador com cara de boi bandido e língua de leão, colaborava para o show de horrores, termo mais sugestivo para o dia que estava por vir.

Nas 24 horas mais bipolares da semana, encontrei o caminho da felicidade no macarrão da avó e a depressão na pré-segunda-feira. Mas nesse dia, o desencanto me tomou antes, ao decidir acompanhar a rodada dos estaduais. Era um atentado contra um patrimônio nacional, que no túnel do tempo reunia centenas de milhares na geral. Ao meu lado, Bob observava tudo como se estivesse me cantarolando a eterna canção dos Novos Baianos – “Dê um Rolê”.

Saímos em direção ao nada. Apartei algumas brigas aqui, outras ali, mas nada que tirasse a satisfação de caminhar sem saber aonde chegar. Após acompanharmos o pôr do sol em um mirante da cidade, retornamos para casa. Na tevê, se falava de tudo. Racismo em jogo de Minas, cachorro de PM que mordeu jogador, brigas de torcida no Rio, Fluminense e Vasco para sete mil pagantes, mas nada de futebol.

Não fosse por “Bill Gates e Steve Jobson”, além de times e jogadores extintos à procura da redenção, não saberia encontrar os motivos da primeira fase dos estaduais. No dia do Oscar, seria sugestivo se vivêssemos em um filme de Tarantino, como “Bastardos Inglórios”, mas o fato é que sempre desaguaríamos em “Onde os fracos não têm vez”, de Joe Coen.

Nesse mundo graúdo e sem porteira, reencontrei o despertador na manhã de segunda-feira. Na semana que vem, assistirei a rodada dos estaduais, mas se Bob me olhar daquele jeito, deixarei os jogos para trás. Afinal, num país onde o congresso é retrocesso e “para-ra-tibum” é música de sucesso, com um cachorro ganho mais.

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