DIREITO E JUSTIÇA – 13 DE AGOSTO
qui, 13 de agosto de 2026 08:00
A Maçonaria; onde os símbolos e as alegorias dizem tudo –
PARTE II:
À esquerda:
– Vemos o símbolo universal e mais conhecido da Maçonaria; o esquadro sobre o compasso com a letra G no centro. A matéria (esquadro) prepondera sobre o espírito (compasso). É o início, o ponto de partida da caminhada maçônica. A letra G representa primariamente a Geometria e, por extensão filosófica, o Grande Arquiteto do Universo (Deus) e a Gnose (o conhecimento espiritual).
À direita:
– Uma visão dos instrumentos de trabalho do Maçom, que nos remete aos canteiros de obras da Idade Média, onde existiam as guildas ou corporações de ofício dos pedreiros-livres, encarregados da construção de catedrais de pedra e até de castelos. Existia entre eles hierarquização, especialização e divisão do trabalho, organizando-se os operários em Aprendizes, Companheiros e Mestres.
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O Simbolismo na Maçonaria:
A Maçonaria atravessa os séculos incólume naquilo que tem de substancial: a sua doutrina e o seu caráter simbólico, não tendo por objetivo difundir uma verdade sua, mas o de oferecer à humanidade meios para chegar à verdade plena. É através dos símbolos que se pode transmitir ou exprimir a todos os homens, com clareza e precisão, algo que seria simplesmente inatingível por outros meios à mente humana, como a simples palavra.
Interpretar completa e corretamente os seus símbolos é ter acesso aos verdadeiros mistérios da Maçonaria, os que não estão nos livros, aos quais aqueles que não são maçons buscam decifrar com sofreguidão irreverente, para devassar-nos premeditada e maldosamente, caluniando, difamando e injuriando a Ordem Maçônica apenas porque não a aceitam, não conseguem compreender ou não possuem atributos morais para integrarem os seus Quadros.
Provavelmente, a maior das características da Maçonaria seja exatamente o seu aspecto simbólico, único, peculiar, inigualável pelas demais instituições humanas, que lhe confere um aspecto sigiloso, misterioso e mesmo atrativo, embora a mera curiosidade deva sempre ser repelida. O simbolismo é o mais importante meio que nos leva ao conhecimento, pois libera o espírito de todo preconceito físico e material, permitindo-lhe buscar e alcançar a sabedoria. A Maçonaria é tradicionalmente definida como um sistema de moral, ilustrado por símbolos e velado por alegorias. São empregadas as ferramentas dos antigos pedreiros operativos para ensinar virtudes e o aperfeiçoamento moral do ser humano. Vejamos alguns conceitos, representações e significados desse sistema moral único:
Símbolo: Constitui-se de um objeto, sinal ou palavra que representa algo abstrato por convenção ou semelhança. Ex.: a pomba branca é um símbolo da paz, o coração simboliza o amor, o yin e o yang simbolizam a dualidade, a cruz simboliza o cristianismo.
Alegoria: É uma composição artística ou narrativa completa (como uma fábula, um apólogo ou uma cena), que possui duplo sentido: o literal e o figurado. Ex.: A estátua da Justiça (mulher vendada, com balança e espada), a alegoria da caverna de Platão (a busca pela verdade real), cada uma das Fábulas de Esopo, etc.
O Esquadro:
Na construção civil e na marcenaria, o Esquadro serve para verificar, marcar e garantir ângulos retos perfeitos de 90 graus (e às vezes de 45 graus) entre paredes, pisos e estruturas, evitando que os cômodos fiquem tortos e assegurando o alinhamento correto para o assentamento de pisos e instalação de portas e janelas. Na Maçonaria, representa a retidão moral, a justiça, a equidade e a ação correta do ser humano sobre a matéria e sobre si mesmo. Porque forma um ângulo reto de 90 graus, ele lembra ao maçom que suas atitudes devem ser firmes, precisas e honestas perante a sociedade.
O Compasso:
Na construção civil e na marcenaria, o compasso serve para traçar arcos e círculos perfeitos, transferir medidas exatas, achar centros de peças e copiar perfis irregulares em superfícies como madeira ou metal. Na Maçonaria, representa o espírito, a mente e a sabedoria., pois, lembra a busca humana pela perfeição e os limites que cada um deve impor aos próprios atos.
A Pedra bruta:
Na construção civil, a pedra bruta ou natural serve para dar base e estabilidade estrutural em fundações e alicerces, ajudando a suportar o peso das edificações e distribuir a carga no solo, compor massas de concreto, criar sistemas de drenagem, fazer pavimentação e revestir superfícies Na Maçonaria, representa o ser humano em seu estado natural, cheio de imperfeições, ignorância, vícios e arestas. Ela representa a matéria-prima, o ingrediente primário, o ponto de partida , indicando ao maçom recém-iniciado, o Aprendiz, que precisa lapidar ou desbastar o próprio caráter.
A Pedra cúbica:
Na construção civil, a pedra cúbica ou polida, já aplainada em forma de cubo e sem arestas nos materiais como o mármore e o granito, serve essencialmente para dar forma a obras artísticas (esculturas) e como elemento de acabamento e revestimento estético de alto padrão. Na Maçonaria, ela representa o estágio de aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual que o maçom atinge após lapidar ou desbastar suas imperfeições e remover as arestas do ego, alcançando o equilíbrio, a harmonia e a constância perante a vida.
O Malho (ou maço):
Na construção civil, ou no contexto do trabalho artesanal, o malho (maço ou marreta), é uma ferramenta de impacto usada para golpear outras peças ou ferramentas sem danificá-las, servindo para ajustar pisos, assentamento de cerâmica, bater em formões na carpintaria ou encaixar peças estruturais de madeira sem estilhaçar ou quebrar o material atingido. Na Maçonaria, representa a força de vontade, a energia ativa e o trabalho persistente e necessário para moldar o caráter humano. Ele representa a ação que comanda e direciona o pensamento para eliminar os vícios e as imperfeições de caráter e de conduta.
O Cinzel:
Na construção civil, o cinzel é uma ferramenta de corte com lâmina afiada, sendo utilizado para desbastar, cortar, modelar e esculpir materiais duros por meio de impactos. Ele é empregado em várias outras áreas profissionais, como a alvenaria, marmoraria, escultura e odontologia. Na Maçonaria, impulsionado pelo malho, o cinzel é o instrumento que direciona a força empregada para lapidar a pedra bruta (o eu interior do iniciado), eliminando vícios e lapidando virtudes. Se for manuseado de forma errada ou com força excessiva, tanto lá como cá, o cinzel poderá despedaçar ou estilhaçar a pedra, arruinando todo o trabalho.
O Prumo:
Na construção civil, o prumo, fio de prumo ou perpendicular, serve para garantir o alinhamento vertical exato (perpendicular ao solo) de paredes, pilares e colunas. Ele evita que estruturas fiquem tortas, assegura a distribuição correta do peso e previne rachaduras ou quedas. É uma ferramenta física baseada na gravidade, impedindo também que partes da construção pendam para os lados. Na Maçonaria, o prumo representa a retidão de julgamento, o equilíbrio, a profundidade da observação e do conhecimento e a busca constante pela verdade. Indica que o maçom deve ser reto em suas ações e imparcial nas suas decisões, sem se deixar corromper por paixões ou interesses pessoais.
O Nível:
Na construção civil, o nível serve para garantir que superfícies, estruturas e peças fiquem perfeitamente horizontais e planas (ou com caídas calculadas), evitando torturas, desníveis e problemas estruturais. Ele é essencial para marcar alturas de referência, alinhar fiadas de tijolos, assentar pisos e instalar portas e janelas. Na Maçonaria, representa a igualdade entre todos os seres humanos e a harmonia, lembrando ao maçom que, perante as instituições e a lei moral, não devem existir distinções de classe, raça ou riqueza.
A régua:
Na construção civil, a régua serve para nivelar, alinhar e alisar superfícies como paredes, tetos e pisos, removendo o excesso de massa ou concreto, garantindo que o acabamento fique reto, plano e sem ondulações. Na Maçonaria, a régua representa a retidão de conduta, a medida exata (precisão) das ações humanas, a correção na execução do trabalho e a gestão sábia do tempo. Representa ainda a diretriz moral que orienta o maçom a caminhar de forma íntegra e sem desvios de conduta.
A Alavanca:
Na construção civil, a alavanca é uma ferramenta manual de aço, usada para multiplicar a força física aplicada para mover, erguer ou girar objetos pesados com muito menos esforço. Como uma máquina simples, ela usa uma barra rígida e um ponto de apoio para gerar vantagem mecânica. Na Maçonaria, a alavanca representa o poder da vontade firme, a perseverança, a persistência, a resiliência, e, como a ferramenta dos pedreiros, representa também o poder de multiplicar o esforço humano para superar grandes obstáculos, transformando a realidade e corrigindo imperfeições na construção do templo interior.
A trolha:
Na construção civil, a trolha ou colher de pedreiro é uma ferramenta manual de aço em forma triangular com cabo de madeira ou plástico. Sua principal finalidade é recolher, transportar, aplicar, alisar e nivelar argamassa ou cimento durante o assentamento de tijolos, blocos e a execução de revestimentos. Na Maçonaria, representa o amor fraternal, a benevolência, a tolerância, a indulgência e a pacificação. Assim como a ferramenta do pedreiro, a trolha maçônica serve para espalhar, nivelar e alisar a argamassa moral que deve unir entre si os maçons, em harmonia e fraternidade, cobrindo e perdoando os defeitos, erros e asperezas dos irmãos. “Passar a trolha” é uma expressão usada para significar o perdão de uma ofensa e o esquecimento de ressentimentos.
O avental:
Na Idade Média, o avental dos pedreiros servia essencialmente como um equipamento de proteção física no canteiro de obras. Era feito de couro grosso, frequentemente de carneiro ou boi. Ele protegia o corpo do trabalhador contra os perigos diários advindos do corte e do manuseio de pedras pesadas na construção das catedrais e castelos. Na Maçonaria, o avental representa o trabalho honrado, que dignifica o ser humano, e a pureza. É a vestimenta mais importante e obrigatória do maçom, e, como antes, impede ferimentos, agora, os morais.
Exemplos de alegorias maçônicas:
A Construção do Templo de Salomão: a Maçonaria inteira é estruturada como a mítica edificação do Templo de Salomão em Jerusalém. O templo em construção representa o aperfeiçoamento interior de cada indivíduo e da própria sociedade humana.
A pedra bruta e a pedra cúbica: o Aprendiz recebe a tarefa de desbastar a pedra bruta com maço e cinzel; o Mestre lida com a pedra cúbica e polida, pronta para ser integrada ao conjunto da construção. A pedra bruta significa a transformação do ser humano, ainda cheio de vícios e ignorância, rumo ao equilíbrio, à razão e à sabedoria. A pedra polida significa o ser humano evoluído e já aperfeiçoado, livre dos vícios e da ignorância.
A lenda do Mestre Hiram Abif: é uma alegoria dramática, relatando o assassinato do arquiteto Hiram Abif durante a construção do templo. Ela é apresentada no Grau 3 do Simbolismo Maçônico e representa a vitória da verdade, da fidelidade e da espiritualidade sobre os grandes males da humanidade: a ignorância, o fanatismo e a superstição.
Araguari – MG, 13 de agosto de 2.026.
Rogério Fernal .`.
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