DIREITO E JUSTIÇA – 2 DE JULHO
qui, 2 de julho de 2026 08:00
Mentira Descarada ou Mera Restrição Mental? — PARTE I:
À esquerda:
Professora: – “Se eu digo: fui bonita, é passado. Se eu digo, sou bonita, o que é, Joãozinho?
Joãozinho: – “É mentira”!
À direita:
Professora: – “Nossa, Joãozinho, como suas notas estão baixas!
Joãozinho: – “É para combinar com o seu salário, fessora…
O que se poderia dizer?
– Na charge da esquerda, ainda que seja verdadeira a resposta do Joãozinho, ele faltou com o devido respeito à sua professora, uma coisa que nos dias de hoje acontece reiteradamente. O (a) professor (a) era (não é mais) a maior autoridade dentro de uma sala de aula. Sua palavra era final e sempre obedecida. Agora, pais desautorizam suas decisões, e alunos até agridem moral e fisicamente os seus mestres. Lamentável!
– Na charge da direita, o Joãozinho também diz a verdade, mas de forma muito rude e grosseira, buscando justificar a sua própria ignorância pela péssima situação econômico-financeira em que se encontram os mestres neste país. País sem professores valorizados devidamente é um país sem futuro e sem melhor perspectiva. Lamentável!
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É fundo..!
O fazendeiro chega na beira do rio com sua criação de vacas e pergunta para o Joãozinho que estava em cima da cerca:
– Este rio é fundo, menino?
E Joãozinho responde:
– Sei não, mas a criação do meu pai passa aí com água no peito…
Então, o fazendeiro passa a sua criação e, lá pelo meio do rio, todas as vacas começam a afunda e se afogam.
Desesperado, ele volta e pergunta para o menino, fulo de raiva:
– Mas, seu pai cria o quê, moleque…”? — (final impublicável).
Joãozinho responde:
– Pato…!
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Comentários da Coluna DJ:
De início, vale a pena perguntar se a resposta do garoto foi simplesmente o que chamamos de uma “restrição mental”, ou se foi uma mentira descarada, pura e simplesmente. Eu esclareço desde já que a restrição mental é um conceito moral e comunicativo, utilizado para ocultar a verdade sem recorrer à mentira explícita.
Consiste em omitir parte dos fatos ou em dar uma resposta ambígua, vaga e inconclusiva a alguém que não tem o direito algum ou condição de saber ou de obter a informação pretendida ou necessária. Na verdade, a restrição mental é um recurso que suscita frequentes e acaloradas discussões na ética e na teologia moral, visto que, numa e noutra, induzem pessoas de boa-fé ao erro, podendo acarretar funestas consequências.
O tema de pretender-se, ou não, justificar e desculpar a restrição mental é muitíssimo interessante e não o quero esgotar por aqui, mas complementá-lo na próxima Coluna DJ. Pois, se o Brasil já é, sem dúvida alguma, o país da impunidade, em que o bandido posa de mocinho e é este quem vai preso, temos aqui uma classe de indivíduos que se aproveitam dos seus cargos e funções no serviço público, para locupletarem-se. Estão eles aí espalhados de alto a baixo em todos os Poderes da República. Para esses “privilegiados” a Lei que os prejudica é para os outros, não para os “amigos do rei”.
No entanto, para a matéria que lhes trago hoje, qual seria a moral de uma “estória jocosa”; ou melhor, jocosa e trágica para o fazendeiro? E, claro…, para as vacas…?
Eu diria que o ensinamento que se pode retirar seria este:
– Nunca acredite no que “um Joãozinho” diz. Se o fizer, o prejuízo é certo. Não se fie em “restrições mentais” de mentirosos contumazes. Fique esperto.
Porque, se o Joãozinho puder, ele vai mentir sempre para você e para todo mundo. É uma doença que ele tem: chama-se mitomania. Sim, majoritariamente, a mentira pode ser considerada uma patologia e neste quadro clínico inserem-se as pessoas que contam mentiras compulsivamente. Ou seja, “aqueles que mentem e que nem sentem”.
Existe algum tratamento? Bem, dizem que a mitomania é tratável com psicoterapia. Deixo os detalhes para os especialistas. Entretanto, por qual motivo uma pessoa mente assim, sem perceber, sem pudor algum, com total desfaçatez, sem nem mesmo corar e até mesmo acreditando que tudo o que fala é verdade?
Bem, dizem os “doutos” que isso – o hábito de mentir compulsivamente –decorre da necessidade de chamar a atenção dos outros sobre si, ou da soberba, ou do ciúme ou da baixa autoestima, podendo, ainda e como foi dito, ser um quadro patológico, oriundo de um distúrbio de personalidade
Justificativas bem elaboradas e ensaboadas para encobrirem um reles eufemismo. Ninguém se preocupou em citar os motivos, certamente, mais comuns para uma pessoa conseguir agir assim: a falta de vergonha na cara, ou de um caráter familiar bem formado…! Tudo resultante da não imposição de consequências…!
Agora, se o danado do moleque desta nossa estória usou, ou não, de uma mera restrição mental ou de uma mentira descarada para com o fazendeiro, é coisa difícil (quando não impossível) de sabermos. Isto ficará para sempre em aberto. O certo é que as vacas do coitado levaram a breca. Certo também é que o menino disse a verdade: os patos do pai dele atravessam o rio com água no peito e para eles o rio é raso. E, se as vacas foram ao fundo e não voltaram à superfície, paciência! O dono delas deveria ter verificado a profundidade do rio. Deveria, mas não o fez. Pagou o preço…!
Eu mesmo já conheci mais de um Joãozinho na vida.
De alguns eu me safei. De outros, nem tanto…!
Nos dias de hoje, eles são muito mais comuns do que se possa pensar.
Por isso, acautelemo-nos. Com certeza…!
Araguari – MG, 02 de julho de 2026.
Rogério Fernal .`.
- S.:
A minha referência a “um Joãozinho” não contém (da minha parte) qualquer ofensa, ou desprestígio ao alentado e popular nome João, enfim, aos milhões de Joões que existem espalhados pelo mundo. Pelo contrário: reconheço-lhes o valor. Porém e conforme encontrei nas mídias sociais, o termo “Joãozinho” pode referir-se a vários contextos ou significados na cultura e no cotidiano brasileiros.
Além de ser o diminutivo carinhoso e familiar para pessoas chamadas João, a palavra Joãozinho é muito utilizada para nomear personagens em piadas ou anedotas. Piadas e anedotas de todo tipo: leves, pesadas, de cunho doméstico, escolar, profissional, social, pornográfico. Enfim, há “gracinhas” e charges do sempre indiscreto, inteligente, irreverente e peralta Joãozinho para todos os tipos e gostos. Basta procurar. E não se escandalizar
O Joãozinho clássico, aquele das piadas populares, geralmente aparece mais como o aluno da escola, aquele que sempre tem uma resposta inesperada e engraçada (e não digo mais) para os professores ou para os pais. Quem é de vocês que nunca leu ou ouviu uma piada “inocente” sobre e com algum “Joãozinho da vida”? Aqui, o “nosso Joãozinho” transmutou-se em um garoto da roça, sentado numa cerca e à beira do rio, quieto no seu cantinho. Incomodado, deu no que deu…!
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