Arbitragem disciplinar deixa a desejar e impede uma Copa do Mundo tecnicamente impecável
qui, 2 de julho de 2026 08:00Da Redação

Legenda: A questão disciplinar é o maior complicador da arbitragem até o momento.
A Copa do Mundo realizada na América do Norte tem proporcionado grandes espetáculos dentro e fora das quatro linhas. Os estádios impressionam pela estrutura, as torcidas dão um verdadeiro show de paixão e a organização, especialmente no quesito segurança, merece reconhecimento. O futebol apresentado por diversas seleções também tem correspondido à expectativa de um Mundial. No entanto, há um aspecto que vem comprometendo a excelência da competição: a arbitragem, principalmente no critério disciplinar.
Na visão de muitos torcedores e analistas, os árbitros têm adotado um padrão excessivamente permissivo diante de entradas violentas e jogadas que colocam em risco a integridade física dos atletas. Em diversos jogos, lances considerados duros têm recebido apenas advertências leves ou sequer qualquer punição, alimentando a sensação de falta de critério e de uniformidade nas decisões.
Um dos episódios que mais gerou debate aconteceu na primeira rodada, envolvendo Lionel Messi. Na interpretação de muitos, após uma disputa de bola, o argentino acertou um pisão na panturrilha de um adversário em um lance que, sob esse entendimento, seria passível de cartão vermelho em qualquer competição. A permanência do camisa 10 em campo dividiu opiniões e se tornou mais um exemplo da inconsistência disciplinar que vem marcando este Mundial.
Esse, entretanto, está longe de ser um caso isolado. Ao longo da competição, outros lances semelhantes também provocaram discussões entre especialistas e torcedores, sem que os responsáveis fossem expulsos ou recebessem punições proporcionais à gravidade das jogadas. A impressão é de que o limite da violência aumentou dentro de campo, favorecendo um jogo mais físico e, em determinados momentos, perigoso.
As falhas não se restringem à aplicação de cartões. Também têm sido frequentes erros na marcação de escanteios, interpretações questionáveis de faltas e critérios diferentes para lances praticamente idênticos. Em uma competição que conta com tecnologia de ponta, como o VAR, espera-se um nível de precisão muito maior. Quando os equívocos se repetem rodada após rodada, inevitavelmente cresce o questionamento sobre o preparo técnico dos profissionais escalados para o maior torneio do futebol mundial.
É evidente que arbitrar uma partida de Copa do Mundo está entre as tarefas mais difíceis do esporte. A velocidade do jogo, a pressão das torcidas, o peso das decisões e a repercussão internacional tornam qualquer erro muito mais visível. Ainda assim, isso não pode servir como justificativa para atuações abaixo do nível que a competição exige.
A sensação que fica é que a FIFA precisa rever seus critérios de seleção, preparação e avaliação dos árbitros. Estar em uma Copa do Mundo deveria ser um privilégio reservado aos profissionais mais capacitados do planeta, e não apenas aos que cumprem requisitos de representação continental. A competição exige excelência, regularidade e personalidade para tomar decisões difíceis quando elas são necessárias.
Nem tudo, porém, merece críticas. Em meio às atuações contestadas, alguns árbitros têm conseguido manter um padrão elevado, demonstrando firmeza disciplinar, coerência nas decisões e boa condução das partidas. Na avaliação deste articulista, o paulista Rafael Claus figura entre os poucos destaques positivos até aqui, apresentando segurança técnica, um critério consistente na aplicação das regras e domínio das línguas inglesa e espanhola.
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