Terça-feira, 10 de Março de 2026 Fazer o Login

Exposição “55 Anos de Inquietação Formal” de Júlio Monteiro é lançada em Uberlândia

qua, 23 de julho de 2025 08:00

Da Redação

Foto 1: A exposição celebra os 55 anos de carreira do artista Júlio Monteiro.

No dia 24 de julho, às 19h, acontece o lançamento da exposição “55 Anos de Inquietação Formal” do artista plástico Júlio Monteiro, uma realização da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Uberlândia, com apoio da CPA Empreendimentos, Lucom Incorporadora, Cidade Nova 2 Loteamento e Gran Ville Loteamento.

A mostra será realizada na Galeria de Arte do Centro Municipal de Cultura e Turismo, localizada na Praça Jacy de Assis, s/n, em Uberlândia. O público poderá visitar a exposição de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, até o dia 5 de setembro.

Com uma trajetória de 55 anos dedicados ao desenho e às artes visuais, Júlio Monteiro reflete nesta nova exposição a sua reconexão com a criação artística, após um período dedicado exclusivamente ao ensino.

Segundo o artista:
“A ideia de comemorar meus 55 anos de vivência artística é apenas uma porcentagem da vaidade que tenho por esse fragmento chamado Arte. Interpretar as Artes no mais íntimo de suas origens é um ato de ascensão ao belo. Colocá-la em exercício no nosso cotidiano coroa as ações e evidencia a Obra do Construtor do Belo. Salve as Artes Visuais!”

No dia 22 de julho, a Gazeta conversou com Júlio Monteiro sobre a exposição e sua trajetória. Confira a entrevista:

O que despertou em você esse desejo de voltar a criar e expor depois de um tempo afastado da produção artística? E como essa nova exposição reflete esse reencontro com seu lado criador?
“Eu havia abdicado de ser artista plástico. Estava satisfeito com a minha trajetória até aqui e continuaria como professor. Mas com a chegada dos meus 55 anos de carreira, voltei a investir no meu lado artista com essa exposição, e me dediquei a cada etapa desse projeto. Para essa exposição, participei de um edital. A proposta era livre — cada artista fazia sua própria proposta de exposição. Esperei o resultado, mas não fiquei de braços cruzados. Quando saiu o resultado, a exposição já estava pronta. Agora, estou esperando para mostrar esse trabalho e comemorar esses 55 anos”.

Ao longo desses 55 anos de carreira, como você percebe a evolução da sua arte em relação às mudanças sociais, políticas e tecnológicas que ocorreram no Brasil e no mundo?
“O artista precisa manter uma centralidade, respeitando suas origens e os motivos que o levaram a escolher o caminho da arte. Sempre tive isso muito claro. Minha arte sempre teve o intuito de demonstrar a nossa paisagem, o valor dela. Vivi minha juventude no Cerrado, antes mesmo de entrar na Escola de Arte. Uni essas duas coisas: a fragrância da escola — os ensinamentos acadêmicos — com a vivência no meio da paisagem, que no futuro seria minha válvula de escape como artista. Sempre pensei na vaidade de ser artista, mas também na possibilidade de viver disso. Tanto é que fui professor por causa da Escolinha de Arte que frequentei, dos ensinamentos que tive. Foi um detalhe essencial na minha formação profissional. Levei essas duas coisas paralelamente: professor e artista, artista e professor — nunca deixei de ser nenhum dos dois. Muitos alunos passaram por mim, e hoje são arquitetos, designers, entre outros profissionais. Quando faço uma série, faço questão de enaltecer o lugar que me deu o motivo para criá-la. A arte me trouxe condições de vida”.

Você teve alguma obra ou momento na sua trajetória que considera um divisor de águas, tanto no reconhecimento do público quanto no seu desenvolvimento como artista?
“Considero todo o meu trabalho importante, desde o início. Nenhuma obra é mais importante que a outra, pois umas servem de trampolim para as outras. Na obra Fundo de Quintal, de 1993 — uma homenagem a uma amiga que faleceu este ano —, trago uma das minhas melhores séries. Eu era amigo dos irmãos dela e passava as férias na fazenda onde eles eram caseiros. Lá, fiz essa série, e essa obra homenageia Maria Arruda da Silva, que fez parte da infraestrutura da minha produção artística. Cada série tem um cunho, do mais simples ao mais sofisticado”.

Que conselho você daria para os jovens artistas que estão começando agora, em um cenário tão diferente do que existia quando você iniciou sua carreira?
“Que eles acreditem em sua potência. Pelo que vejo como professor, muitos não acreditam. Eles fazem, têm talento, mas não acreditam que aquilo possa ser uma profissão. Hoje, essas crianças e jovens têm uma potencialidade incrível de expressão estética — parece até que já vêm formados. Mas ainda encaram a arte como um hobby, não como uma possibilidade real de profissão, de vida. E é isso que precisa mudar”.

Foto 2: Mergulhar nas raízes mais profundas da Arte é elevar-se à essência do belo.

 

1 Comentário

  1. Muito agradecido pela relevante matéria. disse:

    O verdadeiro jornalismo é bem recebido por aqueles adoram notícias. Parabéns Gazeta do Triângulo.

Deixe seu comentário: