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Coluna: Neuropsi (14/07)

qua, 14 de julho de 2021 08:17

 

1-Como namorar uma pessoa com filhos?

“A namorada do pai”, “o namorado da mãe “. Até a expressão pode fazer confusão, apesar de todos reconhecermos que a família tradicional há muito tempo que tem vindo a dar lugar a novas formas de família.

Atualmente, com o número cada vez maior de pessoas que querem ter filhos sem terem uma relação estável, é muito provável encontrar um namorado/namorada que já tenha filhos de outro relacionamento. A presença de mãe ou pai solteiro se torna cada vez mais comum, e as que pessoas que não têm filhos estão interessadas em namorar alguém com filhos.

Se você entrou em um novo relacionamento com uma pessoa que já tem filhos, não é necessário ter qualquer receio, entretanto, será fundamental considerar o impacto que as crianças ou adolescentes terão no namoro. É comum que os filhos estranhem a nova dinâmica da relação dos pais com um novo parceiro, pois existe certo territorialismo nessa fase de transição: eles têm a sensação de que os pais são apenas seus.

Mas nenhum filho deve ter o poder para decidir sobre a vida afetiva dos pais, independentemente da sua idade.

 

2-Como tratar os filhos do namorado (a)?

Não se preocupe em simular um papel ou agir muito diferentemente do que você costuma ser. Uma grande dica, no entanto, é ter cuidado para não confrontar o papel da ex-mulher. A mãe é realmente sagrada, mesmo que tenha conflitos com os filhos, e serão sempre vistas como prioridade pelas crianças. O que não quer dizer que a nova namorada possa ser carinhosa e cuidadosa se a situação for confortável para todos.

Além disso, é importante que o pai também contribua para um relacionamento saudável e respeitoso da nova namorada com os filhos e que construa uma ponte entre os dois lados. Já a mulher deve olhar para a criança como se fosse parte do parceiro, isso facilitará a interação.

Nessa situação, é fundamental também que a mulher entenda que o homem terá de priorizar os filhos em determinados momentos. Diferente de um homem que nunca se casou e não teve filhos, um parceiro com esse histórico também carrega o grande e indispensável papel de pai. A mulher deve considerar que um tempo exclusivo com os filhos é saudável para a relação. Enquanto isso, ela pode também se dedicar a coisas pessoais. Nem em um relacionamento com filhos, nem em qualquer outro é bom ser totalmente dependente do parceiro.

 

3-Quais são os primeiros passos para se dar bem na relação com uma pessoa que tem filhos?

O primeiro passo para se dar bem na relação com uma pessoa que tem filhos é aceitar o seu papel de companheira. Muitas mulheres cometem o erro de desejar prioridade absoluta e exclusiva na vida do parceiro sem considerar o passado dele. Para evitar o confronto, é importante respeitar a história da pessoa, que a levou a ser o que é hoje.

As crianças podem trazer complicações para um relacionamento, mas também pode adicionar muito amor em torno de seu romance. Se o seu namorado ou namorado tem filhos, é vital respeitar os interesses dos filhos em primeiro lugar. Aqui estão as regras para namorar alguém com as crianças quando você não tem seus próprios filhos:

As crianças são prioridade: a regra fundamental quando namorar alguém com crianças é saber que os filhos vêm sempre em primeiro lugar. Isso não quer dizer que a pessoa não seja uma prioridade na vida de seu namorado/a ou não se importe profundamente com você.

Porém, uma pessoa que tem crianças deve colocar as necessidades de seus filhos em primeiro lugar. Este é um sinal positivo que indica que eles valorizam a família e estão emocionalmente saudáveis. A pessoa que namora também deve colocar as crianças em primeiro lugar, priorizando o que eles precisam acima e além de todo o resto para a harmonia da nova família que irá se formar.

Não competir com as crianças: a pessoa nunca deve se colocar em uma relação na qual o seu namorado/a deva escolher entre ela e as crianças. O casal pode aproveitar o tempo juntos, separado dos filhos, mas reforçando sempre o amor pelo namorado/a e também pelos seus filhos.

 

4- O que é que acontece quando a relação conjugal (segundo casamento) é aparentemente prejudicada pelo fato de o membro do casal que tem filhos de outra relação colocar os seus interesses acima de tudo?

A insegurança cresce, bem como os problemas: cobranças, discussões, ressentimentos.

Como não há uma fórmula universal para lidar com estes desafios, e, sobretudo, porque dificilmente existirá uma vítima e um culpado nestas histórias, importa que cada um procure enfatizar com as necessidades e vulnerabilidades do outro, olhando para lá do óbvio. Se uma mulher se sentir insegura porque o seu marido (ou namorado) não é capaz de valorizar na medida certa os eventos que, para ela, são significativos, mas não arrisca ausentar-se nos compromissos que assume com os filhos, é possível que sinta que, para o companheiro, aquela relação não é assim tão importante.

No entanto, muitas vezes, aquilo que está em causa é a insegurança daquele pai que, vendo os seus filhos apenas de 15 em 15 dias, não constrói uma ligação tão segura quanto o faria numa família tradicional. De resto, é precisamente isso que acontece com muitos progenitores que se veem forçados pelo tribunal a resumir o contato com os filhos a estas visitas esporádicas – a pessoa passa a dar tudo para que aqueles momentos sejam especiais, mesmo que, para isso, tenha de cometer alguns erros, como não ser capaz de dizer não às crianças, por exemplo.

Neste exemplo prático, como em muitos outros, bastará que os membros do casal invistam no diálogo sincero e procurem aceder àquilo que está por detrás da aparente negligência/ desvalorização da relação. Na medida em que uma mulher perceba que o companheiro se sente inseguro no papel de pai, ser-lhe-á mais fácil apoiá-lo, elogiá-lo e, claro, condescender num ou noutro episódio. Claro que isso não deve implicar anular as suas próprias necessidades. De resto, estas têm de continuar a ser atendidas, para que o papel parental não anule o papel conjugal, sob pena de a relação não subsistir, apesar da empatia.

 

5-Quais são as recomendações finais para as pessoas com namorados (a) com filhos?

Não tenha pressa em conhecer o filho/filha da pessoa amada: mesmo que o namorado/ namorada esteja ansioso para apresentar o seu filho/filha logo no início do relacionamento amoroso, a pessoa deve esperar algum tempo antes que isto realmente venha a acontecer.

A pessoa tem que ter certeza de que você, e o namoro, é sério e seu parceiro/ sua parceira tem intenções de ficar juntos para sempre antes de trazer o filho para a relação. Não é justo para as crianças se a pessoa de repente for embora porque o namoro acabou.

Uma boa recomendação é esperar pelo menos três meses antes de apresentar o filho ao novo namorado/namorada. Mesmo que a pessoa já tenha conhecido as crianças apenas de vista, deve aprofundar a relação com elas somente quando o relacionamento com a outra pessoa ficar realmente sério e os dois tiverem a certeza que querem ficar juntos realmente.

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