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Tuberculose: Araguari registra queda no índice da doença desde 2015

qui, 26 de abril de 2018 05:39

por Carolina Rodrigues

Proposta, em nível mundial, é erradicar a patologia até 2035

Recentemente, a cantora Simaria, que faz dupla sertaneja com a irmã Simone, foi afastada dos palcos devido ao diagnóstico de reativação de tuberculose ganglionar. A doença da cantora acomete os gânglios linfáticos, não sendo contagiosa, mas aponta para o tipo de tuberculose mais comum, que é infecciosa e afeta preferencialmente os pulmões.

A tuberculose mais recorrente é a que ataca os pulmões  **Divulgação

A tuberculose mais recorrente é a que ataca os pulmões
**Divulgação

 

A secretaria de Saúde de Araguari divulgou um extenso informe epidemiológico da doença, na edição de ontem, dia 25, no Correio Oficial. O informativo, que está sendo distribuído nas Unidades de Saúde, aponta o que é a doença, tratamento, situação epidemiológica – em âmbitos nacional, estadual e municipal –, organização da assistência ao paciente em Araguari e recomendações.

Afinal, o que é tuberculose? “É uma doença infecciosa e transmissível, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos e sistemas. A apresentação pulmonar, além de ser mais frequente, é também a mais relevante para a saúde pública, pois é a principal responsável pela transmissão da doença”. A propagação acontece de forma aérea, a partir da inalação das partículas de bacilos.

Conforme o Ministério da Saúde, o principal sintoma da doença é a tosse prolongada; é preciso procurar uma Unidade Saúde ao notar tosse constante por três semanas ou mais. Outros sinais podem surgir, como febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cansaço/fadiga.

O tratamento da doença dura, pelo menos, seis meses, e envolve medicamentos – em doses e tempo adequados –, além do Tratamento Diretamente Observado (TDO) que consiste na observação direta de um profissional da equipe de saúde. É importante que o paciente não abandone a intervenção médica.

“Logo nas primeiras semanas de tratamento o paciente se sente melhor e, por isso, precisa ser orientado pelo profissional de saúde a continuar a prevenção até o final, independente da melhora dos sintomas. É importante lembrar que tratamento irregular pode complicar a doença e resultar no desenvolvimento de cepas resistentes aos fármacos”, conforme consta no informativo.

Os procedimentos médicos são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde. Em Araguari, os atendimentos e exames são realizados no departamento de Atenção Primária, da secretaria de Saúde. Todo o tratamento é oferecido de forma gratuita, juntamente com o acompanhamento dos profissionais de saúde. Quando necessário, o paciente é encaminhado para o Ambulatório de Pneumologia e Tuberculose do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac).

Com o início do tratamento, os pacientes diminuem gradativamente o processo de transmissão para outras pessoas. Mas, é válido ressaltar que a pessoa, uma vez infectada, pode adoecer em qualquer momento da vida, com riscos maiores nos dois primeiros anos após a primeira infecção – os níveis aumentam ainda mais quando a pessoa não conclui o tratamento.

Apesar de ter cura, quando não tratada da forma adequada, a doença pode levar a óbito. De acordo com dados do informativo, cerca de 10 milhões de novos casos são notificados, em âmbito mundial, a cada ano. No Brasil, esse número chega próximo a 70 mil, das quais decorrem em torno de 4,5 mil mortes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu o Brasil no grupo dos 20 países de alta carga, que devem priorizar o combate à doença; por também serem considerados os países que concentram 80% dos casos.

O informe epidemiológico também aponta que, nos últimos seis anos, Minas Gerais apresentou, em média, 6.085 casos por ano; o que representa a 4ª maior carga da doença no país. Por outro lado, também conta com o 4º menor coeficiente de incidência, sendo considerado o menor da região Sudeste.

Em Araguari, os dados foram contabilizados entre 2007 e 2016. O número de casos por ano se manteve constante – entre 10 e 20 ocorrências –, com aumento entre o triênio 2012 – 2014, seguido de uma tendência de queda a partir de 2014. Desde 2015, este número diminuiu para menos de 15 casos anuais.

A reportagem da Gazeta do Triângulo entrou em contato com a equipe de Vigilância em Saúde. A coordenação confirma que, em 2017, foram 14 casos da doença e, este ano, são contabilizados dois, com os pacientes sendo acompanhados pela equipe de saúde.

Prevenção

O Ministério da Saúde alerta que é possível prevenir a doença. Crianças até cinco anos devem ser vacinadas com a BCG, que protege contra formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a meníngea. Outra recomendação é manter ambientes bem ventilados e facilitar a entrada de luz solar.

“Todos juntos contra a tuberculose” é a campanha nacional deste ano, para divulgar informações relevantes sobre o assunto, formas de prevenção e conscientização.

Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose

Em 2017, o Ministério da Saúde deu início ao Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose, traçando estratégias com o intuito de erradicar o problema de saúde pública até o ano de 2035. “O plano ratifica o compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de reduzir a incidência da doença na população mundial, que hoje é de 33,7 casos para cada 100 mil habitantes”.

No Brasil, a meta é chegar a menos de 10 casos por 100 mil habitantes até o referido ano. Além disso, foi assumido o compromisso de reduzir o coeficiente de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes.

Em Araguari, as ações são feitas pelo Programa de Controle da Tuberculose (PCT), executado pela Atenção Primária à Saúde. As metas propostas ao município vão de acordo com a proposta nacional. Desta forma, segue-se a ambiciosa meta de erradicar a doença daqui a 17 anos, a nível mundial.

 

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