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Trombose Venosa Profunda (TVP)

sex, 15 de novembro de 2013 17:56

Luciano_Mazo_26112010DR. LUCIANO MAZÃO LEITE
Neurologia UFJF

1 – O que é Trombose Venosa Profunda (TVP)?
A Trombose Venosa Profunda (TVP) conhecida como flebite ou tromboflebite profunda, é a doença causada pela coagulação do sangue no interior das veias – vasos sanguíneos que levam o sangue de volta ao coração – em um local ou momento não adequados (devemos lembrar que a coagulação é um mecanismo de defesa do organismo). Na maior parte das vezes, o trombo se forma na panturrilha, ou batata da perna, mas pode também instalar-se nas coxas e, ocasionalmente, nos membros superiores.

2 – Quais são as veias acometidas?
As veias mais comumente acometidas são as dos membros inferiores (cerca de 90% dos casos). Os sintomas mais comuns são a inchaço e a dor.

3 – O processo de formação de coágulos é prejudicial ao nosso organismo?
Nem sempre. Sabemos que, quando nos cortamos, nosso organismo reage rapidamente fechando os vasos sanguíneos do ferimento com a formação de um coágulo local, para interromper o processo de perda sanguínea. Quando a formação de coágulos se dá de maneira patológica, ou seja, sem necessidade, caracteriza-se o quadro de Trombose Venosa Profunda ou TVP e, neste caso, ela é prejudicial.

4 – Quais são os fatores de risco?
É uma patologia mais frequente em pessoas portadoras de certas condições predisponentes – uso de anticoncepcionais ou tratamento hormonal, tabagismo, presença de varizes, pacientes com insuficiência cardíaca, tumores malignos, obesidade ou a história prévia de trombose venosa.

Outras situações são importantes no desencadeamento da trombose: cirurgias de médio e grande porte, infecções graves, traumatismo, a fase final da gestação e o puerpério (pós-parto) e qualquer outra situação que obrigue a uma imobilização prolongada (paralisias, infarto agudo do miocárdio, viagens aéreas longas etc.), dificuldade de deambulação. Entre as condições predisponentes é importante citar ainda a idade avançada e os pacientes com anormalidade genética do sistema de coagulação.

5-Qual a incidência de Trombose Venosa Profunda (TVP)?
No Brasil, um estudo clínico realizado em Botucatu (SP) evidenciou a incidência de 0,6 caso a cada 1.000 habitantes por ano.

6-Quais são as principais características da TVP?
A TVP pode ser de extrema gravidade na fase aguda, causando embolias (desprendimento do coágulo)  pulmonares muitas vezes fatais (embolia pulmonar é causada pela fragmentação dos coágulos e a migração destes até os pulmões, entupindo as artérias pulmonares e gerando graves problemas cardíacos e pulmonares).

Na fase crônica, após dois a quatro anos, os principais problemas são causados pela inflamação da parede das veias que, ao cicatrizarem, podem levar a um funcionamento deficiente destes vasos sanguíneos.

O conjunto das lesões (pigmentação escura da pele, grandes varizes, inchação das pernas, eczemas e úlceras de perna) é chamado de síndrome pós-flebítica. Esta complicação leva a imensos problemas socio-econômicos por ser de tratamento caro, prolongado e extremamente penoso em suas repercussões sociais.

7-Como posso saber se pertenço ao grupo de risco para desenvolver TVP?

Você deve procurar seu médico Cirurgião Vascular. A avaliação de risco é simples e a prevenção também.

8-Como é o quadro clínico?
Todo paciente com queixa de edema (inchaço) e dor nos membros inferiores deve ser avaliado pensando-se em trombose venosa profunda. A TVP é, muitas vezes, assintomática.

Quando ocorre manifestação clínica, o sintoma mais frequente é dor na panturrilha, associada a eritema (vermelhidão), edema (inchaço) e sensação de peso nas pernas, rigidez da musculatura na região em que se formou o trombo.

Edema (inchaço), cor mais escura da pele, endurecimento do tecido subcutâneo, eczemas, úlceras são sintomas característicos da síndrome pós-flebítica.

9-Quais os achados no exame físico?
Durante o exame físico, o membro afetado pode estar mais edemaciado (inchado), com dor presente à palpação da panturrilha e à dorsiflexão do pé; podem-se observar veias varicosas ou veias superficiais dilatadas e edema de tornozelo.

10-Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico clínico é difícil. O exame mais utilizado para o diagnóstico da TVP é o Eco Color Doppler. Quanto mais precocemente for feito e mais cedo introduzido o tratamento, maior a possibilidade de reverter o quadro e evitar complicações e sequelas

11-Como é feito o tratamento?

O tratamento é feito com substâncias anticoagulantes (impedem a formação do trombo e a evolução da trombose) ou fibrinolíticos (destroem o trombo). Mais modernamente, e em situações selecionadas, o tratamento da TVP pode ser feito na própria residência do paciente, usando-se as heparinas de baixo peso molecular e anticoagulantes orais. Alguns casos requerem intervenção cirúrgica.

12-Quais são as recomendações finais?
Esteja atento às alterações que a trombose venosa profunda pode provocar, especialmente se tem predisposição para a doença ou esteve exposto a fatores de risco que favorecem a formação de trombos:
– Não se automedique. Procure imediatamente assistência médica se suspeitar que desenvolveu um trombo;
– Evite o consumo de bebidas alcoólicas e de remédios para dormir quando for obrigado a permanecer sentado por muito tempo;
– Use roupas e calçados folgados e confortáveis;
– Aproveite todos os pretextos para mudar de posição ou movimentar-se durante as viagens;
– Faça exercícios de rotação, flexão e extensão com as pernas e os pés enquanto estiver viajando;
– Comece a caminhar tão logo as condições físicas permitam depois de uma cirurgia, dos períodos de imobilidade prolongada em virtude de problemas de saúde ou de muitas horas de viagem ;
– Use meias elásticas;
– Beba muito líquido para evitar a desidratação.

Manter o peso dentro dos limites saudáveis, não fumar, restringir o consumo de bebidas alcoólicas e praticar exercícios físicos são medidas importantes para prevenir a formação de trombos.

Pessoas com predisposição a desenvolver trombos precisam movimentar-se tão logo seja possível nas viagens que pressupõem longos períodos de imobilização, depois de cirurgias e quando tiverem necessidade de permanecer em repouso por muito tempo. Usar meias elásticas e evitar o consumo de bebidas alcoólicas e de medicamentos para dormir são medidas que também ajudam a prevenir a formação de coágulos.

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