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Trauma na coluna

sex, 6 de dezembro de 2013 18:16

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1-Qual é a diferença entre paraplegia e tetraplegia?
Quando a lesão ocorre abaixo da sexta vértebra cervical, a pessoa para de mexer as pernas. Isso se chama paraplegia. Quando a lesão se instala acima de C6 provoca tetraplegia, que pode ser completa ou incompleta. Na tetraplegia completa, há perda total do movimento das pernas e dos braços; na incompleta, se o trauma tiver comprometido C5 ou C6, sobrou ainda uma parte intacta da enervação que possibilita mexer um pouco os braços.

2-É impressionante como o telhado desapareceu na periferia de todas as cidades brasileiras. As casas são cobertas por uma laje que, muitas vezes, por falta de opção, os moradores utilizam para estender roupa, apanhar um pouco de Sol ou fazer churrasco no domingo e ninguém se preocupa em providenciar uma proteção, por mais rudimentar que seja, para evitar que alguém despenque lá de cima.
Sim. No final de semana, a família faz um churrasco em cima da laje, mas alguém toma uma cervejinha a mais, aproxima-se da beirada sem querer, perde o equilíbrio e cai. Geralmente, cai de lado, dobra a cabeça sobre o ombro, e a coluna, que é o eixo central do corpo, não suporta o impacto e rompe em algum lugar. Ou, então, cai sentado, as vértebras que formam o cóccix e a bacia empurram as outras para cima e a coluna sofre um achatamento com consequências desastrosas.

Esse tipo de acidente não ocorre somente com os adultos. As crianças, muitas vezes, sobem na laje para empinar pipa, distraem-se com o brinquedo e caem.

Talvez por ignorar os danos que uma queda de três, quatro metros de altura, pode causar, cuidados com a prevenção não existem. Por isso, é tempo de pôr em prática um programa de conscientização para alertar os donos dessas casas sobre a necessidade de fazer pelo menos um cercado em torno das lajes.

 3-Outro acidente comum que provoca lesões na coluna ocorre com pessoas que mergulham em lugares rasos. Nesses casos, qual é a região mais afetada da coluna vertebral?
Quando mergulha sem conhecer a profundidade do lugar, em geral, o mergulhador bate a cabeça, porque o peso do corpo faz com que penetre na água muito rápido. Como normalmente percebe que vai bater, numa reação instintiva, vira a cabeça. Essa torção fragiliza a coluna cervical e favorece a ocorrência de lesões nessa área.

No Brasil, aproximadamente 1.500 casos por ano de lesão cervical completa, ocorrem por causa de mergulho em águas rasas, número quase igual ao dos casos provocados por quedas de laje e ferimentos por arma de fogo.

Diante da prevalência desses acidentes, a Sociedade Brasileira de Lesão Medular pleiteou que o Ministério da Saúde fizesse uma campanha sobre a importância de colocar primeiro os pés na água para certificar-se da profundidade antes de a pessoa mergulhar num rio, lagoa ou uma piscina, visto que, na maior parte das vezes, a lesão cervical por mergulho costuma ser completa.

4-Quando recebe um traumatizado que não mexe as pernas nem os braços, logo no primeiro exame, você sabe qual será o déficit motor que ele vai apresentar no futuro?
Nem sempre. Na admissão do acidentado, quando o exame clínico revela que existe desnível na coluna porque houve um deslocamento de vértebras, e a resposta aos exames de sensibilidade e de reflexos está alterada, pode-se inferir que ele ficará paraplégico.

Às vezes, porém, a pessoa sofreu traumatismo e chega ao hospital com choque medular, que se caracteriza pela interrupção do funcionamento da medula espinhal. Se a lesão não foi completa, entretanto, ela pode recuperar-se. O tempo de duração do choque medular varia muito. Pode durar 24 horas, mas existem descrições de casos que o paciente começou a apresentar algum grau de recuperação só depois de seis meses.

Para determinar a existência ou não de déficit motor e qual sua extensão, a avaliação clínica, a tomografia e a ressonância magnética, entre outros, são exames muito importantes.

5-Os leigos não entendem a demora dos médicos em operar uma pessoa que sofreu um traumatismo para liberar a porção da medula espinhal comprimida entre as vértebras. O que explica essa conduta terapêutica?
A coluna é uma sequência de vértebras empilhadas, uma em cima da outra, que se dobra e volta à posição anterior. Se a medula foi seccionada, não há o que fazer. Entretanto, quando o indivíduo cai sentado ou capota o carro, por exemplo, pode fraturar uma vértebra. Se um de seus fragmentos penetrar na coluna, o paciente precisa ser operado imediatamente para retirar o pedaço de osso que está empurrando a medula. Infelizmente, isso não é o que mais acontece. O mais frequente é um trauma grave provocar a ruptura completa da medula e não uma compressão apenas.

6-Quais as consequências de uma secção parcial da medula?
Paciente com secção parcial da medula continua sendo capaz de realizar alguns movimentos. Dependendo do grau da lesão, mantém o controle da bexiga, a função sexual e a sensibilidade. Mais do que isso, conta com alternativas de tratamento que podem melhorar sua qualidade de vida.

Veja um exemplo: a lesão incompleta pode comprometer mais o funcionamento de uma perna do que da outra. Colocando uma órtese que estabilize a perna ou a bacia do lado mais afetado, o paciente volta a andar e dispensa o uso da cadeira de rodas. A bexiga ficou com problemas? Uma cirurgia para abrir um pouquinho a uretra pode abolir a necessidade de usar uma sonda urinária permanente.

7- Nos casos das bexigas neurogênicas, que não funcionam espontaneamente por causa da secção da medula, e nos de impotência sexual provocada traumatismos na coluna, que regiões foram mais afetadas?
Nas lesões lombares baixas, os pacientes preservam o controle vesical. Se ocorrerem na área de transição entre a coluna torácica e lombar, ou acima, dificilmente esse controle será mantido.

No entanto, quando a lesão da medula é incompleta, alguns pacientes permanecem com reflexo na bexiga e determinadas cirurgias ajudam a evitar as sondagens intermitentes. A proposta de uma delas é dilatar o espaço por onde sai a urina a fim de que, fazendo uma pressão manual sobre a bexiga, a pessoa consiga esvaziá-la um pouco.

Mesmo nos casos de lesão completa é possível ampliar a capacidade da bexiga para reter urina e, em vez de três ou quatro sondagens por dia, uma ou duas podem ser suficientes para esvaziá-la.

8-Que complicações provoca a perda de movimentos das pernas e dos braços?
Existem complicações adicionais à devastação que a falta de mobilidade e o fato de não ser autossuficiente, por si só, representam. A perda da sensibilidade pode fazer com que os pacientes permaneçam sentados na mesma posição durante muito tempo. Isso provoca úlceras de pressão, ou escaras, isto é, pequenas feridas na bacia, na porção lateral do corpo, às vezes nas costas e nos pés, que ficam apoiados no calcanhar, e se transformam numa grande complicação à medida que progridem e infeccionam. Daí, a importância da fisioterapia no acompanhamento desses pacientes.

Outra complicação, às vezes fatal, a que estão expostos é o tromboembolismo. Como não possuem boa circulação nos membros inferiores, podem formar-se coágulos de sangue num vaso que sobem e vão parar no pulmão, causando embolia pulmonar. Para evitar a formação de êmbolos, esses pacientes precisam ser mobilizados constantemente e tomar medicamentos anticoagulantes.

Embora essas duas sejam as complicações mais graves, existem outras como a infecção urinária e as provocadas por tombos. No Brasil, como são poucos os lugares adaptados para a circulação de cadeiras de rodas, frequentemente os portadores de deficiência caem e se machucam.

9- O uso intermitente de sondas para a retirada da urina é um processo doloroso?
 Não, porque os pacientes perderam a sensibilidade. Na verdade, conseguem fazer isso de forma higiênica, antisséptica e com bons resultados. Às vezes, só palpando a barriga percebem que a bexiga está cheia e, então, realizam o esvaziamento.

10-Pacientes com lesão na coluna conseguem manter relações sexuais?
Alguns preservam o desejo e a atividade sexual. Atualmente, existem técnicas urológicas e medicações que ajudam os homens a melhorar a ereção e a levar vida sexual próxima da normalidade. Valendo-se das técnicas modernas de fertilização, também há os que conseguem ter filhos, uma conquista importante para aqueles que sofreram lesão medular ainda jovens.

11-Quando houve secção dos nervos que vão para os genitais, as drogas para disfunção erétil funcionam?
Ainda não temos certeza de que funcionam como o fazem nos homens normais, ou se apenas potencializam uma capacidade ainda preservada, mas que os bloqueios psicológicos comuns nesses casos impediram de pôr em prática. De qualquer forma, são drogas que ajudam muito quando o problema é esse.

5 Comentários

  1. CAROLINA DA SILVA MIYASHIRO disse:

    Bom dia DR. Luciano

    gostaria triar a duvida caso lesões medular + c5 ou c6 TEM CURA?
    E também porque vem as formigas?
    FICOU 3 MESES COLAR CERVICAL HOJE ESTA SEM COLAR
    FICOU 3 MESE COM SONDA HOJE ESTA SEM SONDA

  2. Fatima Brites disse:

    Boa Noite! Dia 29/04/2015 o ônibus que eu viajava do trabalho para casa a noite corria muito, quando passou numa lombada fui jogada para o alto e caí de costas com muita força na quina da braçadeira do ônibus onde pegou o meu cox e a bacia. Senti uma dor infinita. Hoje dia 08/08/2015, continuo a sentir muitas dores e cada vez aumenta mais é mais intensa, as vezes não consigo dormir, ficar sentada e até andar. Já caí duas vezes de costas na rua pois o meu joelho direito dobra sozinho e vou ao chão. Várias vezes fui e vou ao Pronto Socorro e eles me aplicam TRAMAL mais outros remédios, durante um tempinho alivia mas depois vilta as dores bem fortes no cox e bacia. Estou incrita no Sisreg para fazer ressonância mas ainda não conseguí. Preciso saber pode ser oquê? Me responda por favor. Importante tenho 60 anos
    Grata
    Fatima Brites

  3. Cher disse:

    Muito interessante o conte

  4. Leta disse:

    Muito interessante o site. Mas minha reclama

  5. neyriane disse:

    Meu esposo caiu de um teto de 4 metros de altura e sente dores no meio dos peitos e na coluna e no pescoço o que pode ser

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