Ressaca eleitoral, por Inocêncio Nóbrega
qui, 9 de outubro de 2014 00:02* Inocêncio Nóbrega
Após o 2º turno entraremos, definitivamente, na ressaca eleitoral. Foram meses de intensas conversações e conchavos, envolvendo meliantes do complexo político, movimentando nossa economia. Na apuração do senador João Capibaribe, na pré-campanha os gastos anuais das Assembléias Legislativas, com os deputados, e Tribunais de Contas, com os conselheiros, somam, em média, R$ 14,5 bilhões, no pagamento de diárias e passagens, a fim de atenderem interesses particulares.
No auge da competição, só atrás dos EUA, os chamados candidatos G-3, manifestaram intenção de gastar R$ 4 bilhões, 85% dos quais oriundos de 117 empresas, maioria das quais empreiteiras e bancos. É uma falência, sem dúvida, da montagem política brasileira. Antecipando a esses desembolsos e ao calendário oficial de propaganda, a espanhola Santander panfletava cartas aos seus clientes, de renda mensal acima de R$ 10 mil, alertando para os rumos de nossa economia, acaso a presidente Dilma venha ser reeleita.
Apesar de concessionária pública, para seu funcionamento no país, e de frontalmente ferir a legislação eleitoral, por se tratar de “eleitor” de primeira classe, ao que se sabe não foi punida, talvez o rigor fosse outro, em relação ao pequeno candidato.
A realidade atual é que estamos na reta final da escolha presidencial. Abstraídos os demais postulantes, a nítida polarização entre dois grupos de aliança, o eleitorado vai decidir com quem ficarão os destinos da Nação. Pela primeira vez na sua história estão em jogo o tamanho e o prestígio do estado brasileiro, diante do cenário globalizado, especialmente as co-irmãs latino-americanas e as refratárias ao imperialismo euro-norte-americano.
De um lado, nessa dicotomia partidária, pretende-se diminuí-lo, voltando ao modelo neoliberal, com inalienáveis benesses aos abutres internacionais, dando-lhes livre iniciativa para solapar o patrimônio nacional. Com certeza, o Mercosul sofrerá esse refluxo, em favor de tratados comerciais, de sonhos estadunidenses e europeus.
Alargado nas suas responsabilidades, perante o Continente e, recentemente, o Brics, entendemos que não poderemos mudar para pior. O eleitor consciente deve mirar um mandatário poli-nacional, correspondendo confiança aos governos progressistas das Américas e do mundo. A retração econômica, reflexo dos insucessos de outros sistemas capitalistas, não pode servir de motivo para dispensarmos essa oportunidade pano-americanista, pregada, em tempos idos, pelo próprio José Bonifácio. Avancemos, e não recuemos. Necessária uma profunda reforma política, com a participação popular.
* Jornalista
inocnf@gmail.com
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