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Projeto Turismo Sensorial Adaptado apresenta fazenda de café a deficientes visuais

seg, 13 de julho de 2015 08:00

Da Redação – Com Assessoria

Objetivo é promover experiências sensoriais e de conhecimento acerca da produção do café no cerrado mineiro

O café faz parte da vida dos brasileiros. Seja pela manhã, à tarde ou qualquer hora do dia, o cheiro e o sabor da bebida são praticamente irresistíveis. Mas como é produzido o café? Um grupo de 20 deficientes visuais embarcou em uma viagem pela rota do café do cerrado mineiro e descobriu que a bebida do dia a dia, além do cheiro e do sabor pode ser conhecida também através do tato.

Participantes conheceram sobre a história do café na região, visitaram o cafezal e acompanharam a colheita de grãos

Participantes conheceram sobre a história do café na região, visitaram o cafezal e acompanharam a colheita de grãos

 

A iniciativa faz parte de um projeto piloto sobre Turismo Sensorial Adaptado, promovido por uma empresa de turismo de Uberlândia (Flanar Turismo) e que teve o apoio da prefeitura de Uberlândia e da Associação de Deficientes Visuais de Uberlândia (Adeviudi).

Uma das propostas do projeto é promover experiências sensoriais e de conhecimento acerca da produção do café no cerrado mineiro, identificando seus protagonistas, saberes, costumes e tradições a grupos de apreciadores da bebida, idosos e deficientes visuais.

O grupo embarcou na manhã de sexta-feira, 10, para Araguari, onde visitou uma fazenda de café e uma cooperativa. Eles conheceram sobre a história do café na região, visitaram o cafezal e acompanharam a colheita de grãos.

O prefeito Gilmar Machado acompanhou o embarque. Segundo ele, todas as pessoas precisam ter a oportunidade de viajar e conhecer outros espaços. “Em uma cidade educadora nós queremos que as pessoas tenham oportunidades. Espero que seja o início de muitas outras viagens”, disse.

Uelismar Divino Souza Batista, 22 anos, é deficiente desde o nascimento e possui apenas 5% da visão. Empolgado com o passeio, ele disse que sempre teve curiosidade em conhecer uma fazenda de café. Segundo ele, quando soube da viagem tratou logo de garantir sua vaga. “É gratificante porque não tinha chegado perto. Estou muito satisfeito, comentei com a minha mãe e ela me apoiou. Estou muito feliz”, afirmou.

O aposentado Firmino Graciano Oliveira, 57 anos, via os cafezais pela janela do caminhão que trabalhava. Depois que perdeu a visão, há oito anos, sua vida mudou. No passeio, ele conheceu um cafezal de uma forma diferente. “É uma novidade a mais. Essa iniciativa é boa porque nos sentimos valorizados”, comentou.

A proprietária da Fazenda Paraíso, Evanete Peres Domingues, recebeu os deficientes visuais com um bom cafezinho. Sua história de vida se confunde com a da própria fazenda herdada de seu pai. Evanete também tem deficiência visual. Com visão parcial em apenas um olho, ela venceu os desafios e dificuldades para se tornar cafeicultora. “Estou imensamente feliz. Acho que esse pessoal nos traz uma lição de vida. A deficiência mais difícil de lidar é a visual”.

No roteiro da viagem, o grupo conheceu também a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado de Araguari e pôde identificar através do tato e da degustação os diversos tipos de café produzidos na região.

Segundo a gestora da Superintendência da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Urbana, ligada à secretaria de Governo, Claudia Coutinho, este projeto é piloto e não teve ônus para o município. “É o início de uma política pública que queremos implantar em Uberlândia e que oferecerá às pessoas com deficiências a oportunidade de conhecer outros lugares. Para isso, estamos criando um roteiro com outras cidades”, disse.

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