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Projeto do IMEPAC promove atendimento humanizado à população LGBTQIAPN+ e aproxima estudantes da realidade de Araguari

ter, 15 de setembro de 2026 10:59

Da Redação

Legenda: O IMEPAC, em Araguari, desenvolve iniciativas que aproximam a formação acadêmica das necessidades da comunidade.

Iniciativa AbertaMENTE nasceu em 2017 a partir da mobilização de estudantes e reúne diferentes áreas da saúde para oferecer cuidado integral

 

Em Araguari, um projeto criado a partir da iniciativa de estudantes de Medicina se transformou, ao longo de nove anos, em uma ação de cuidado, formação profissional e aproximação entre universidade e comunidade. O AbertaMENTE surgiu em 2017 com o objetivo de oferecer um atendimento especializado, acolhedor e multidisciplinar para a população LGBTQIAPN+. Desde então, a iniciativa ampliou sua atuação e passou a reunir diferentes áreas da saúde, como Medicina, Psicologia, Enfermagem e Fisioterapia.

 

A proposta parte de uma necessidade identificada no próprio território. Segundo a professora do IMEPAC, Lucille Garcia, muitas vezes as Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) não conseguiam contemplar todas as demandas dessa população, especialmente diante da falta de preparo e de espaços específicos de acolhimento. “O projeto busca oferecer um cuidado integral e livre de julgamentos, além de aproximar a universidade dos serviços de saúde e da comunidade. O AbertaMENTE surgiu do interesse dos próprios estudantes, que perceberam a necessidade de um atendimento especializado, acolhedor e multidisciplinar para a população LGBTQIAPN+ de Araguari”, explica.

 

 

Cuidado que vai além da consulta

 

As demandas que chegam ao projeto são diversas e incluem consultas e exames de rotina, acompanhamento de doenças crônicas, saúde sexual e reprodutiva, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e questões relacionadas à saúde mental. O atendimento também contempla condições como hipertensão, diabetes, ansiedade e depressão. Para a professora, porém, o impacto do acolhimento ultrapassa a assistência clínica. “Quando uma pessoa percebe que pode falar sobre sua saúde e sua vida sem medo de ser julgada ou discriminada, ela passa a confiar mais no serviço e a cuidar melhor de si”, afirma a professora.

 

Essa experiência também interfere diretamente na formação dos estudantes. Ao participar do AbertaMENTE, os futuros profissionais de saúde têm contato com situações que dificilmente poderiam ser reproduzidas apenas em sala de aula, desenvolvendo habilidades relacionadas à escuta, empatia e compreensão das desigualdades que interferem no acesso à saúde.

 

Para Lucille, a construção coletiva é justamente um dos fatores que ajudaram o trabalho a ganhar reconhecimento. “Acreditamos que o principal diferencial do AbertaMENTE foi a união entre universidade, estudantes, profissionais de saúde e comunidade. A partir das demandas identificadas também entre os trabalhadores da saúde, o projeto passou a desenvolver ações de capacitação que complementam a assistência oferecida à população. Dessa forma, a iniciativa reforça uma característica do IMEPAC de estimular a participação ativa dos estudantes e conectar a formação acadêmica aos desafios encontrados nos serviços de saúde”, conclui.

 

Depois de quase uma década, o projeto deixa como legado não apenas os atendimentos realizados, mas também uma mudança na forma de compreender o cuidado. Para a Lucille, a principal contribuição do AbertaMENTE é mostrar que todas as pessoas têm direito a serem atendidas com respeito, dignidade e acolhimento. “Mais do que um serviço, o projeto ajudou a construir uma cultura de cuidado mais inclusiva em Araguari”, resume.

 

 

 

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