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Produção de café pode cair aproximadamente 33% na região de Araguari

qui, 19 de março de 2015 00:26
Em entrevista concedida à Agência Safras, presidente da ACA fala em perdas para este ano, escassez de água e expectativas em relação ao mercado
 Cláudio Morales Garcia, presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA). Foto: Arquivo

Cláudio Morales Garcia, presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA). Foto: Arquivo

DA REDAÇÃO – No ano passado, a região de Araguari produziu 600 mil sacas de 60 quilos. E de acordo com a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), a produção esperada é de 400 mil sacas, o que representa uma queda de 33% na safra, resultado do ciclo bianual da cultura do café arábica.

Estas e outras informações estão presentes em uma entrevista feita com o presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA), Cláudio Morales Garcia, concedida durante a Fenicafé 2015 e publicada pela Agência Safras na segunda-feira, 9. O presidente comenta as perdas esperadas para este ano e fala sobre a falta de chuvas, que pode afetar na colheita da safra, prevista para maio.

Ao ser indagado se a escassez de água no Sudeste afetaria a irrigação para a cafeicultura, Cláudio Garcia afirmou que este é um ponto crucial, uma vez que interfere no desenvolvimento dos frutos. “A implicação dos períodos secos que tivemos em 2014 e no início de 2015 é a afetação da fisiologia do cafeeiro, pois a água serve para transportar os nutrientes no interior da planta. Com período prolongado de seca, falta água, aumenta o déficit hídrico e há menos água para que a planta possa fazer este trabalho. O período de enchimento dos frutos acaba sendo altamente prejudicado,” explicou.

Mesmo com as chuvas de fevereiro, os períodos de seca podem afetar as plantações em 2015, assim como ocorreu em 2014. “No ano passado tivemos aqui um veranico de 60 dias. Então o prejuízo foi grande. Como ainda temos irrigação de gotejamento, achamos que não teríamos prejuízo. Mas como tivemos temperaturas com dois graus acima da média vimos que tivemos prejuízo na colheita em termos de granação e um pouco de perda de safra. Isso gerou perdas de mais ou menos 10 por cento. Agora em 2015 houve 30 dias no mês de janeiro onde aconteceu a mesma coisa, um veranico. Então ainda não sabemos quantificar o tamanho da perda,” declarou ele durante a entrevista à Agência Safra.

Em relação ao mercado, mais especificamente sobre os preços para este ano, o presidente da ACA está receoso. “Ninguém sabe o que pode acontecer. Só esperamos que a quebra anunciada na produção de arábica faça os preços reagirem. O exportador não está percebendo que é um ano complicado, mas acredito que ele vai ser. Eles estão esperando que seja colhida uma quantidade de safra que acreditamos que não haverá,” concluiu.

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