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Preservação ambiental é solicitada por artista plástico após supressão de árvores no bosque John Kennedy

qua, 24 de janeiro de 2018 05:26

por Mel Soares

Segundo a secretaria municipal de Meio Ambiente ação está sendo promovida por meio de autorização do Codema

O professor aposentado Júlio Monteiro atua como artista plástico há 48 anos. Em 2012, ele deu início aos trabalhos de pintura utilizando como cenário o bosque John Kennedy.

As atividades rotineiras foram interrompidas no segundo semestre do ano passado quando Júlio, que é defensor do meio ambiente, presenciou o corte de cipós e plantas ornamentais. “Também foram cortadas outras espécies como a copaíba, que tem mais de 200 anos e pode ser utilizada como planta medicinal”, observou.

De acordo com a secretaria de Meio Ambiente supressão está sendo viabilizada mediante autorização

De acordo com a secretaria de Meio Ambiente supressão está sendo viabilizada mediante autorização

 

A supressão de árvores motivou o artista plástico a solicitar providências dos poderes Executivo e Legislativo por meio de ofício sendo destacado que o bosque é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Município, e que as finalidades quanto a preservação não estão sendo cumpridas. “A reserva urbana natural é um bem tombado pelo decreto número 029 de 18 de agosto de 1997 e ratificado pelo decreto número 013 de 3 de abril de 1998. Meu objetivo é evitar a destruição irreversível desse bem de grande importância ecológica e histórica, que nós araguarinos tanto amamos”, justificou.

Em ofício, o professor também pede intervenções ao Ministério Público através da Curadoria do Meio Ambiente. A última ação realizada em prol da natureza foi encaminhar uma carta a todos os gabinetes dos vereadores solicitando medidas de inspeção sobre o assunto.  “O bosque é um bem tombado, não pode ser tocado. As pessoas em Araguari não gostam que haja contestação acreditando que estamos falando mal, porém meu objetivo é apenas ajudar, afinal, o bosque é de todos nós. Eu quero ter voz como cidadão”, concluiu.

A reportagem apurou junto ao secretário de Meio Ambiente, Hamilton Tadeu de Lima Junior, que a supressão está sendo viabilizada mediante autorização do Codema (Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente). Foi possível ter acesso ao documento contendo o diagnóstico das espécies sendo constatado que as intervenções foram consolidadas após a apresentação evidente de queda.

Poema em homenagem ao Bosque John Kennedy

Bosque – Uma mata nativa

Em pleno perímetro urbano…

Primeiro, seu nome foi “Capão da Mata”

depois, Parque “Siqueira Campos”

e hoje enigmaticamente,

Bosque “John Kennedy”…

…mata nativa de tantas espécies,

fragmentos, vegetações diversas

e uma infinidade de frutas que alimentam a fauna…

suas árvores com suas peculiares formas

tanto nas copas como nos galhos e troncos,

encantam, dão sentido

e compõem o colorido do céu.

Suas folhas

com milhares de matizes de verdes

bailam no ar e ao vento

exalando assim, o oxigênio que dá vida

a todos os seres vivos do universo…

…folhas, que, mesmo depois de mortas ao chão

dão um colorido exuberante

com tonalidades quentes e pastéis,

quebrando muitas vezes o frio e a melancolia

da paisagem que às vezes é sombria e triste

por ser sozinha

e indefesa das garras ‘humanas’.

Bosque dos saguis, de ricos e diversos pássaros.

Das aranhas com o tecer de suas teias,

das cigarras e de répteis

todos habitantes de direito do lugar.

Bosque das caminhadas

de transeuntes diversos

que muitas vezes dão um colorido

diferente em suas passarelas.

Bosque dos encontros culturais e artísticos

de cunho comemorativo

que celebram datas e outras manifestações…

bosque de pessoas reflexivas,

que batem papos, que conversam sozinhas

que oram e que fazem planos e projetos para o futuro.

Bosque de turistas; cidadãos ausentes

E que quando retornam ficam saudosos

e pesarosos por terem deixado

Tão rico e esplêndido lugar…

bosque de pintores, poetas, fotógrafos

atores, pensadores e de namoros secretos.

bosque, álibi daqueles que amam a natureza.

Autor: Júlio Monteiro – novembro de 2015

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