Praça aos domingos
sex, 1 de agosto de 2014 00:00Dizem que ir à praça aos domingos é coisa de muito, muito antigamente. Mas, não é bem assim. Final de semana passado estive em Patrocínio para visitar um amigo. Com quase 90.000 habitantes, Patrocínio é muito gostosa, com casas de mais de cinqüenta anos, alpendres cheios de avencas e samambaias, onde espreguiçadeiras de fios de plástico quentam sol, com os da casa. Muros baixos, total ausência de cercas elétrica e chaves sendo escondidas nos vasos de avenca, pro próximo que chegar. Povo na rua, sem medo de ladrão.
O que me chamou a atenção é que, mesmo estando frio, muita gente foi tomar sorvete, na sorveteria pertinho da praça principal. Lá é o “point” da cidade. Domingo divertido, com gente alegre e orgulhosa da sua terra. Trazem no olhar a história vencedora de uma grande produção cafeicultora. Patrocínio é a capital do café!
Povo humilde, de olhar limpo, marca dos felizes e honestos. Muitas histórias de vida. A criança que brincava na praça conta da escola de música, onde aprendeu a tocar flauta. A senhorinha, lindeza de gente, fala do grupo de teatro e suas apresentações que deixam saudades. Tem também a feira de artesanato, que tem mil utensílios domésticos.
Terra de cheiros bons, pão de queijo e café quente, bolo assando e broa de fubá, doces e queijos. A natureza é puro glamour: cachoeiras e fazendas antigas. Patrocínio é rica em diversidades de pessoas e culturas.
Vem de um velhinho, que também estava apreciando o sorvete do point, a história desconhecida da cidade: “moça, cê qué sabê coisas de Patrocínio? Vida de contadora de causos é muito rica de curiosidade e atenção aos cotidianos da vida.
Sentei-me ao lado dele. Com o bigode branco teimando em entrar pela boca, ele me revelou a geografia da cidade, que só as pessoas do lugar sabem. “Aqui bem pertin, tem uma cratera muito grande. Acho que é um vulcão adormecido, bem ali rente ao Chapadão de Ferro. Na verdade moça, ninguém sabe direito o que é. Alguns homi das ciências fala que pode ser um resultado de….cumé que chama mesmo? Ah, é, asteróide. Mas nunca estudaram direito esse assunto. Pra mim sempre foi um vulcão, e algum dia há de acordar. Acho a cratera bonita. Chamo de Cratera Patrocínio. Tem dia que pego a charrete e trato de sair bem cedinho, só pra admirar essas coisas da natureza. Coisa bela demais.”
Logo mais adiante jovens cantavam músicas e tocavam violão. A cidade é hoje do jeito que Uberlândia já foi: calma e sem pressa. Vez ou outra, passa um carro, vai gente pra missa, sinos chamam, croc-croc da pipoca, o branco e rosa do algodão doce. Sorvete, muito sorvete temperando a paquera dos jovens.
Olho pros muros baixos, pro sorvete, pro velhinho. Jeito bom de domingo. Jeito bonito de ver a semana começar. Mais uma vez, trazendo o encantador de palavras, Rubem Alves: “Simplicidade é isso: Quando o coração busca uma coisa só. Concerto para Corpo e Alma.“
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