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Por volta de 830 pessoas podem ter sido infectadas com sífilis na cidade em 2017

sáb, 13 de janeiro de 2018 05:10

por Tatiana Oliveira

Outras doenças como HIV, hepatites B e C também tiveram novos casos confirmados durante o ano

O Centro de Apoio Especializado – CAE – registrou 277 casos positivos de sífilis no ano passado. Deles, 117 eram homens e 160 mulheres. “É um número alto, principalmente porque levamos em consideração o fato de cada pessoa ser um multiplicador. Em média, cada caso detectado transmite para mais duas pessoas’, afirma a coordenadora administrativa do CAE, Simone Guirelli. Pela lógica da coordenadora, seriam 831 novos casos de pessoas infectadas com sífilis em 2017 em Araguari.

Os dados do CAE também mostram que a cidade registrou 16 novos soropositivos em 2017, estimando-se 48 novas infecções pelo HIV. Dos casos de HIV positivos, 14 foram homens e duas mulheres. “A quantidade de infecções em homossexuais voltou a aumentar, e isso nos preocupa”, coloca Guirelli.

O número de hepatite C também foi alto, sendo 31 positivos (19 homens e 12 mulheres), o que equivale a aproximadamente 93 pessoas com o vírus. A hepatite B registrou um número menor, porém ainda alarmante. Em 2017 foram nove pessoas positivas (7 homens e 2 mulheres) com o vírus detectado no CAE.

Hoje o CAE atende aproximadamente 400 pacientes e realiza ações em toda a cidade. No começo do ano foram realizados testes rápidos para HIV, Hepatite C, Hepatite B e Sífilis no CAE e no Abrigo Cristo Rei. Antes do Carnaval diversas ações estão sendo programadas em empresas e locais públicos. “Ainda estamos fechando a agenda, mas algumas empresas nos pediram para realizar o teste rápido com os funcionários”, afirma a coordenadora.

Nos nove dias úteis de 2018, 44 pessoas procuraram o CAE para realizar testes rápidos. Dessas, foram detectados: um soropositivo (homem), cinco casos de sífilis (4 homens e 1 mulher), um caso de hepatite B (homem) e um de hepatite C (mulher).

Novo local de atendimento

Desde o início de dezembro de 2017 o Centro de Apoio Especializado funciona em novo endereço: nas dependências da UBS – Unidade Básica de Saúde do Bairro Chancia, localizada na rua Antônio B. Sobrinho, s/nº. “Devido às fortes chuvas, o telhado do antigo local estava quase cedendo. Então, para garantir a segurança de nossos pacientes e colaboradores efetuamos a mudança para o novo endereço, que tem espaço suficiente e conforto para todos”, afirma a coordenadora. “O Corpo de Bombeiros interditou o prédio e tínhamos urgência em mudar, pois os pacientes não poderiam ficar sem os remédios. Foi então que o secretário de Saúde nos mudou de imediato para cá”, disse a coordenadora.

No antigo endereço, uma das dificuldades frequentemente apontadas por Guirelli era a visibilidade do local. “Os pacientes muitas vezes tinham vergonha de ser reconhecidos por algum familiar, porque o endereço era no centro da cidade. Nesse novo local muita gente disse ter gostado por ficar mais anônimo”, afirma.

Segundo ela, no antigo endereço o CAE atendia aproximadamente 50 pessoas/dia e hoje, com apenas nove dias úteis no ano, estão atendendo em média 30 pessoas/dia. “Aqui dentro também nos encaminham pacientes que tenham alguma suspeita de ser de nossa alçada”, coloca.

HIV no País

De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2017, de 1980 a junho de 2017, foram identificados no país 882.810 casos de aids no Brasil (Tabela 9). O país tem registrado, anualmente, a média de 40 mil novos casos de aids nos últimos cinco anos. A distribuição proporcional dos casos de Aids, identificados de 1980 até junho de 2017, mostra uma concentração nas regiões Sudeste e Sul, correspondendo cada qual a 52,3% e 20,1% do total de casos; as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste correspondem a 15,4%, 6,1% e 6,0% do total dos casos, respectivamente. Nos últimos cinco anos (2012 a 2016), a região Norte apresentou média de 4,2 mil casos ao ano; o Nordeste, 8,8 mil; o Sudeste, 16,3 mil; o Sul, 8,5 mil; e o Centro-Oeste, 2,8 mil (Tabela 9).

Desde o início da epidemia de aids (1980) até 31 de dezembro de 2016, foram notificados no Brasil 316.088 óbitos tendo a HIV/aids como causa básica (CID10: B20 a B24). A maior proporção destes óbitos ocorreu na região Sudeste (59,6%), seguida das regiões Sul (17,6%), Nordeste (13,0%), Centro-Oeste (5,1%) e Norte (4,7%) (Tabela 24). Em 2016, a distribuição proporcional dos 12.366 óbitos foi: 42,4% no Sudeste, 21,3% no Nordeste, 19,6% no Sul, 10,2% no Norte e 6,5% no Centro-Oeste (Tabela 24).

No período de 2014 para 2015, com o início da política de tratamento para todos, observou-se uma redução de 7,2% na taxa de mortalidade padronizada, que passou de 5,7 para 5,3/100.000 habitantes. No período de 2006 para 2016, verificou-se uma queda no coeficiente de mortalidade padronizado para o Brasil, que passou de 5,9 para 5,2 óbitos por 100 mil habitantes, o que corresponde a uma queda de 11,9%. O mesmo comportamento foi observado no período de 2015 para 2016 nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, que apresentaram 3,8%, e 5,6% e 4,3% de queda, respectivamente. Nas regiões Norte e Nordeste os coeficientes sofreram incremento de 7,6% e 2,3% nesse mesmo período, acompanhando a tendência de crescimento nessas regiões nos últimos dez anos.

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