Parcelamento de salário prejudica rotina financeira de servidores do Estado
qui, 13 de setembro de 2018 05:51Da Redação
Empréstimos e pagamento de boletos com juros causam transtorno
O parcelamento dos salários de aproximadamente 600 mil servidores de Minas Gerais e os atrasos das datas das escalas anunciadas devem continuar até o fim do ano. A falta de um quadro fixo de data de pagamento atrapalha a rotina financeira de diversos servidores, como é o caso de Sérgio Peixoto, que precisou se reorganizar. “Mudei as datas de pagamento dos boletos, peguei o dinheiro da poupança e sempre uso para pagar o começo das dívidas, a fim de não gerar juros de cheque especial”, conta o servidor.
Para Magno de Alcantara Leite a situação é um pouco mais complicada e resultou em um empréstimo bancário. “Nenhum banco está recebendo repasse do governo, então eles não estão realizando empréstimo consignado para professores. Com isso tivemos que pegar empréstimos com altas taxas de juros.”

Com o atraso no pagamento dinheiro ‘sumiu’ da mão dos servidores
A reorganização financeira, conforme relata Leite se agravou no início do ano. “O ano letivo em 2018 começou atrasado e os designados receberam metade do salário apenas. Com isso, iniciamos o ano com um transtorno, pois ninguém estava esperando. Imagine você, de repente, receber apenas metade do que havia planejado?”
O professor Felipe de Oliveira e Silva concorda com o colega de profissão e acrescenta a dificuldade de planejar-se. “A maior dificuldade, entretanto, é que não há uma tabela fixa para escala de pagamentos. Sem planejamento, o professor não consegue se organizar. As contas não parcelam. Caem todo mês e os bancos não estão querendo saber se o Estado está em crise e cobram juros.”
Conforme Silva, o problema se acumula há dois anos. “Tudo começou com atrasos no pagamento, lá em 2016. No ano de 2017, ele parcelou o nosso décimo terceiro. Isso desestruturou bastante a vida do professorado e demais servidores, porque o salário é baixo e vindo parcelado, piora a situação.” “A rotina financeira ficou abalada porque não se pode mais contar com o salário. Muito além do salário, ficou claro o desprezo que os governantes possuem pela educação.”
O reflexo é diretamente percebido pelo comércio, conforme apurado pela Gazeta do Triângulo, como é o caso da loja onde Michele trabalha. “O comércio está muito fraco; as vendas caíram bastante. Nesse ano, principalmente, o movimento diminuiu muito.” Segundo Magno Leite, a situação agrava a crise financeira. “Você atrasa o pagamento, os comerciantes demoram a receber, atrasa a arrecadação no município, vira uma bola de neve”, disse Leite.
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