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Para artista plástico, corte de Gameleira foi uma decisão ‘absurda e equivocada’

sáb, 6 de junho de 2015 08:03

Da Redação

Segundo a prefeitura, laudo indica existência de dano e corte é por segurança

O corte de árvores centenários no município vem gerando vários questionamentos entre os cidadãos araguarinos. Muitos afirmam que a poda de algumas espécies é desnecessária, uma vez que a ação destrói a história da cidade. Um dos casos mais recente é a derrubada da Gameleira, situada em uma praça pública na rua Amazonas, no bairro Brasília.

A árvore derrubada no bairro Brasília, segundo Júlio Monteiro, se trata da espécie Ficus adhatodifolia nativa do Cerrado

A árvore derrubada no bairro Brasília, segundo Júlio Monteiro, se trata da espécie Ficus adhatodifolia nativa do Cerrado

 

O caso que ocorreu no dia 21 de maio, gerou certa revolta sendo denunciado pelo artista plástico Júlio Monteiro. Segundo ele, a árvore se trata da espécie Ficus adhatodifolianativa do Cerrado, usada para reflorestamento de áreas degradadas e aproveitada como alimento para a fauna cerradiana. “Esta é a mesma árvore cortada impiedosamente que ilustra a página 105 do livro ‘Memórias Fotográficas, Desenhísticas e Poéticas de sua Excelência – Cerrado. É vedada a retirada destas árvores, pois está em extinção e no livro eu busquei retratar a história de Araguari que ainda mantém o Cerrado vivo em seus logradouros públicos, mas infelizmente, aconteceu o contrário,” ponderou.

Ainda segundo ele, a situação veio a se complicar após a justificativa dos responsáveis pela secretaria de Meio Ambiente que garantiu que a mesma se trata de uma Ficus Benjamina e devem ser retirados da cidade. “Esta contestação não justifica a prática, em se tratando de uma decisão completamente absurda e equivocada. Estamos lutando para proteger o Cerrado e simplesmente retiram as árvores de maneira indiscriminada e sem estudo prévio. Não adianta se basear em legislação específica e interferir no desenvolvimento da espécie e na cadeia alimentar do bioma,” ponderou.

Conforme apurou a reportagem, existe um projeto de lei que prevê a retirada de todas as árvores da espécie Ficus Benjamina. O mesmo foi aprovado na Câmara Municipal por unanimidade e sancionado pelo prefeito Raul Belém (PP) em 2013. A justificativa para a retirada das arvores é devido aos danos ao patrimônio público e privado, pois as raízes crescem e estragam as redes de esgoto e pluviais, além disso, quebram pisos e calçadas, de acordo com os laudos técnicos feitos por biólogos da secretaria. Assim, as espécies devem ser removidas até dia 31 de dezembro de 2017 e no local posteriormente, deverão ser plantados outros tipos de árvore.

A indignação com a retirada da Gameleira inspirou o artista a escrever o poema ‘Vida e morte de uma Gameleira’. Confira:

 

Que bela Figueira eu era!

Servia todos os dias de refúgio

para  minha companheira fauna.

Quantas vezes durante anos…

Os pássaros, animais e insetos alimentaram-se

da seiva de meus suculentos frutos,

além de fazerem algazarras

entre meus galhos e folhas ao vento.

Minhas sombras foram muitas vezes

deliciadas no descanso, brincadeiras e trovações

daqueles que me rodeavam nos dias de calor.

Nem assim me guardaram no coração,

e além de não me agradecerem,

não me defenderem do julgamento de morte.

Em virtude disso, impiedosamente, fui abatida e decapitada

por homens do” poder público” que diz nos proteger

e, certamente, os pedaços de meu corpo

depois de desidratado meu sangue,

vão alimentar os fornos de “padarias” e ”olarias”.

Que triste fim foi o meu!

E, aqueles que me dilaceraram, certamente ficarão impunes

mas, meu amigo pássaro, aquele que me semeou,

delatará para toda irmandade fauna e as forças divinas

a atrocidade imposta aos órgãos indefesos do meu corpo.

Depois de suportar tanta dor e já fragilizada

Sinto não mais poder oferecer minhas sombras                                                                     também para aqueles que me esquartejaram sem pena alguma,

Sinto ainda não mais produzir o alimento para as criaturas de Deus

e nem exalar o oxigênio, essência que dá vida ao universo.

 

1 Comentário

  1. Lucas disse:

    Lendo essa reportagem, me pergunto se realmente existe uma secretária de meio-ambiente na cidade. Tem mesmo? Tem alguém algum biólogo ou engenheiro florestal que trabalham nela? Tem alguém lá que se preocupa com o meio ambiente de verdade? Ah não. Estou pedindo demais agora.

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