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Os avanços das tecnologias no trabalho, por José Pastore

sáb, 18 de janeiro de 2014 00:00

* José Pastore

Faz algum tempo que venho lendo sobre os avanços das modernas tecnologias na indústria, no comércio e nos serviços. O que leva um analista do mercado de trabalho a se interessar por engenharia, robótica e mecatrônica? A razão decorre do fato de vivermos, no Brasil, uma combinação perversa de falta de mão de obra, baixa produtividade e alto custo do trabalho. Essa equação não fecha! Nenhuma empresa ou país pode ter êxito com custos altos e produtividade baixa.

Com um crescimento demográfico declinante, a atual falta de mão de obra com salários altos tenderá a se perpetuar. A saída será a utilização de tecnologias que permitem reduzir custos, aumentar quantidades, diminuir tempo e melhorar qualidade. Só assim a produtividade aumentará, podendo-se, com isso, manter uma trajetória ascendente de salários e benefícios.

Em setores de ponta (aviões, automóveis, siderurgia, petroquímica, medicamentos), as empresas já usam largamente mecanização, automação, robotização e outros métodos. Mas poucos são os fornecedores desses setores que apresentam o mesmo padrão. A defasagem é enorme. Muitos fornecedores argumentam com razão que, sem escala, é antieconômico mecanizar ou robotizar.

O que dizer dos outros setores? Será que na construção civil, por exemplo, o Brasil mecanizou tudo o que a engenharia oferece?

Os produtores que conheço dizem que o Brasil está engatinhando nesse campo. Informam que, apesar de progressos sensíveis, a maior parte das obras continua sendo realizada em ambientes sujos, com enorme esforço físico, alto risco, grande desperdício de tempo, energia e materiais, muito retrabalho e baixa produtividade, enquanto nos países avançados tudo é feito com menos esforço, menos riscos e mais eficiência. A mecanização e a automação são usadas em larga escala, além dos grandes avanços nos pré-moldados. Paredes e colunas trazem embutidos redes de eletricidade e de hidráulica e vários equipamentos elétricos e eletrônicos, indispensáveis na vida moderna – tudo isso economizando trabalho e aumentando a produtividade.

Daqui para a frente, os avanços serão revolucionários, pois estamos prestes a poder produzir muitas peças (exemplo: aparelhos sanitários) nas próprias obras com base na impressão em três dimensões, o que eliminará transporte, esforço físico e perdas. É o novo mundo que chegou.

O mesmo pode ser dito em relação às novidades das ligas e fibras que já existem. Fiquei abismado ao saber que, no Japão e nos Estados Unidos, muitas obras adicionam óxido de titânio no concreto armado. Com isso as paredes ficam permanentemente limpas, pois nelas não são impregnados resíduos, algas ou fungos – eliminando trabalho e evitando doenças.

E a sofisticação vai mais longe. Na presença da luz e do oxigênio, o óxido de titânio provoca uma reação que converte o dióxido de nitrogênio emitido pelos veículos (grandes poluidores e causadores de doenças) num nitrato inofensivo, que, por sua vez, é lavado pela chuva! Isso trará grande melhoria do meio ambiente e da saúde em geral, com enorme economia para a sociedade. É fantástico!

É isso que estou apreendendo com as leituras que faço nos dias atuais. Para mim, é penoso entender as tecnicalidades dos textos. Os progressos são lentos. Mas as informações são fascinantes no que tange ao impacto da ciência e da tecnologia no uso mais eficiente do fator trabalho, tornando-o menos perigoso e mais rentável. Volto ao ponto inicial: a única maneira de sustentar aumentos crescentes de salários e benefícios é por meio de uma elevação substancial da produtividade, o que pode ser alcançado com a ajuda de tecnologias que permitem produzir mais com menos. Isso se torna crucial quando o trabalho fica escasso e caro – como ocorre no Brasil. Voltarei ao assunto no próximo artigo.

* Professor de Relações do Trabalho da FEA-USP e membro da Academia Paulista de Letras

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