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Oportunismo? O Novo Nacionalismo da Rede Globo de Televisão, por Pettersen Filho

qui, 23 de janeiro de 2014 00:00

* Pettersen Filho

Criada no imemorável ano de 1965, em plena Ditadura Militar Brasileira, logo após o Golpe Institucional de 1964, com capital do Grupo Time/Life Norte-Americano, justamente para apoiar o brutal regime, tendo por testa de ferro o Jornalista Roberto Marinho, do jornal “The Globe” (O Globo), de quem guardou o nome, a Rede Globo de Televisão, detentora no Brasil, da grande maioria da imprensa paga, televisiva e impressa, desde então, após sacramentar, em seu site, ter, possivelmente cometido um “erro”, ao apoiar o Golpe Militar, distanciando-se dos seus tradicionais aliados, da ultradireita conservadora, em ardilosos tempos de governo petista, num “mea culpa”, tanto histórico, como suspeito, quem sempre assumiu a causa do neoliberalismo econômico no Brasil, à frente de interesses das multinacionais, e da famigerada globalização, acaba de assumir uma série de reportagens de cunho “nacionalista”, até bem pouco tempo totalmente improváveis.

Assim é que, porta-voz, meio que chapa branca do senhor Snowden, tendo em uma de suas mangas o Jornalista Greenwald, por sua vez, também, porta- voz de Snowden, completamente contrariado pela apropriação pela Scotland Yard dos seus arquivos em Londres, aos poucos vai liberando os arquivos secretos da CIA/NSA, agências de segurança americana, copilados por Snowden, hoje, refugiado político na Rússia, a quem rejeitamos asilo, erigido a condição de inimigo público número 1 da administração Barack Obama, logo atrás da Al Qaeda, justamente pela infidelidade, liberando ao público brasileiro conteúdos somente acessíveis aos serviços secretos, de menos ao nosso, mundo afora, numa surpreendente guinada nacionalista, em suposta defesa da soberania brasileira, sem precedentes…

Fato é que, pouco após divulgar o acesso da CIA/NSA aos contratos telefônicos, e e-mails da Petrobras, e da própria President”a” Dilma Roussef, em busca de informações, não só políticas, fosse admissível, mas também econômicas, industriais e estratégicas, o que levou ao cancelamento da visita oficial da President”e” aos EUA, numa completa desfeita a Casa Branca, anfitriã, estabelecendo uma aparente crise entre os dois Estados, no Programa “Fantástico”, que acaba de confidenciar que o Ministério das Minas e Energia, responsável pelo Mapeamento, Concessões e Leilões de Petróleo, e outras Riquezas Minerais no Brasil, também fora vitima da espionagem, dessa vez, canadense, compartilhada com Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia, no melhor estilo commonwealth :” Comunidade das Nações de Língua Ingleza”, cuja matriarca a própria Rainha Elizabeth, da Inglaterra, demonstrando, muito claramente, o quanto estamos expostos.

Reportagem louvável, que sai em defesa da nossa pretensa soberania, a Globo parece ter saído na frente, em defesa do Brasil Tupiniquim, que tanto almejamos ser livre da grilagem internacional, a própria Globo dentre elas.

Detentora, no entanto, de mera Concessão de Serviço Público, no caso, de Telecomunicações, tal postura é no mínimo contraditória, e agride o passado recente da emissora, tão bem articulada pelo grupo Time/Life, hoje, muito mais, voltada a garimpar os vultosos recursos disponibilizados pelo Governo Federal, suas Agências Regulatórias, Ministérios e Bancos Públicos (Marcos Valério e o próprio Mensalão passaram pelos seus caixas), totalmente prescindíveis de propaganda, carreados à emissora, quem abocanha, em meio a Rede Record, Grupo Bandeirantes e SBT, suas congêneres menores, quase dois terços dos recursos, com que se mantém, na defesa ardente dos interesses das multinacionais que operam no Brasil, das privatizações, leilões e concessões públicas, no que alega ser sua interminável busca pelo nosso marco regulatório, na suposta corte, que se faz, aos almejados por ela, investidores estrangeiros…

Dona, no Brasil, dos intragáveis direitos do Big Brother, digna de cautelosos aplausos, e comedida censura, que interesse dessa vez, representará ao acaso, a emissora?

* Membro da IWA – International Writers And Artists Association. É advogado militante e assessor jurídico da ABDIC- Associação Brasileira de Defesa do Indivíduo e da Cidadania

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