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O orgulho de ser ferroviário

sáb, 29 de abril de 2017 05:36

Por Edmar César

Durante mais de oito anos de pesquisas ininterruptas para compor o livro, ainda em construção, “As Fitas de Aço da Integração – Estrada de Ferro de Goiás – obra literária em homenagem à memória ferroviária da nossa saudosa “Goiás” que assinalou um dos mais florescentes períodos de progresso e de desenvolvimento de Araguari, no Triângulo Mineiro e de diversas cidades do Estado de Goiás, tive o privilégio de conhecer centenas de ferroviários que ajudaram a escrever a fascinante história dessa ferrovia como partícipes imprescindíveis.

Das incessantes viagens em busca de relatos, depoimentos, fatos, o que mais me chamou a atenção foi registrar e sentir a emoção sincera e verdadeira que brotava de cada um dos entrevistados ao recordar dos momentos vividos na Estrada. O respeito, o carinho e a amizade demonstrados ao relembrarem dos companheiros de jornadas que construíram a fortaleza e a união da família ferroviária é algo indescritível.

Ferroviários, assim são chamados, indistintamente, não importa a função, foguista, maquinista, chefe de estação, chefe de trem, portador, tatu e tantas outras. A alegria no semblante, as lágrimas por vezes no rosto, o riso modesto, a gargalhada farta, a voz rouca e embargada, a empolgação, o entusiasmo, a tristeza, o silêncio e as lembranças são comuns e evidentes em todos esses homens e mulheres que ostentam com orgulho o nome de ferroviário, classe distinta de trabalhadores da saudosa Goiás que deixou uma estrada luminosa de realizações.

Em todos os momentos e em todos os lugares, no intervalo de cada entrevista numa viagem introspectiva eu sempre me perguntava: o que os une? Qual a fonte de tanta devoção e gratidão? O que faz com que eles mantenham essa mística ferroviária destruída por outros aos poucos por tão pouco? Qual a magia que os encantou nesse tempo todo?  Que energia contagiante é essa que conservam mesmo estando longe há anos, dos trilhos, dos dormentes, das estações, dos trens? Afinal o que é ser ferroviário?

Em minhas buscas queria ir mais além. Além do conceito clássico do dicionário de Antônio Houaiss, cuja expressão é utilizada para todo aquele que trabalha em ferrovia. Mesmo vindo de um respeitado e devorador de cultura descendente de imigrantes libaneses, ainda era pouco para identificar e caracterizar aqueles homens que se ampararam nos pilares do comprometimento e do amor ao trabalho. Ao longo da caminhada a fim de saciar a sede do saber recorri a pesquisadores, historiadores, escritores, professores e, em especial a eles, os próprios ferroviários que, em depoimentos simples e sinceros, se manifestaram de corpo e alma, dentre eles, destaco o do octogenário Arcênio Paranhos Lopes, professor da antiga escola da Goiás: -“Ser ferroviário é ser tudo, é ter tudo. É trabalhar com gosto, trabalhar com satisfação e cumprindo o dever de transportar tanto cargas como pessoas. É trabalhar com aquela vontade, com aquela intenção de receber os proventos para tratar da nossa família, criar a nossa família. A família ferroviária até hoje é uma família mesmo. Eu não gosto de ser chamado de ex-ferroviário, ferroviário aposentado. Corre nas veias o sangue ferroviário, não tenha a menor dúvida.”

No Brasil, foi instituída no calendário anual de datas festivas e comemorativas, a data de 30 de abril como o Dia do Ferroviário.  Parabéns, a todos a nossa eterna gratidão.

1 Comentário

  1. Anônimo disse:

    Que pena que as ferrovias no Brasil não deram certo. É um transporte tão seguro. Tem 54 anos que tem o trem bala no Japão. Os EUA tem a maior malha ferroviária do mundo, pode-se cruzar o pais inteiro nos trens. Aqui só se vê trens abandonados. A Vale tem um de passageiros muito bonito, mas só vai do Espírito Santo a Governador Valadares e BH. Depois que o governo comprou e virou RFFSA aí dentro de pouco tempo acabou tudo, até os empregos gerados por elas. Que país atrasado!

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