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Não dá mais!, por Olavo Machado Júnior

qui, 17 de julho de 2014 00:01

Olavo Machado Júnior *

Não sou daqueles que costumam confundir a Seleção Brasileira com a pátria de chuteiras, mas não há como não tirar do fiasco do time brasileiro na Copa do Mundo 2014 lições importantes para o país. O sonho do hexa ficou para trás e está adiado pelo menos até 2018. O que se diz agora é que o futebol brasileiro precisa passar por mudanças profundas para reconquistar o espaço que lhe pertence, por direito, a partir da conquista dos títulos de 1958 (Suécia), 1962 (Chile), 1970 (México), 1994 (EUA) e 2002 (Japão/Coréia do Sul).

O que esse memorável rosário de grandes conquistas nos diz é que, de fato, temos um dos melhores futebóis do mundo, muitos dos principais craques globais e, portanto, a chance de sempre obter bons resultados. O que a humilhante derrota para a Alemanha nos diz é que a opção pela arrogância, a prepotência, o corporativismo, o sectarismo e o personalismo são o caminho mais curto para a incompetência e o fracasso. É aqui, exatamente, que encontramos a primeira analogia: dentro de pouco mais de dois meses teremos eleições para escolher deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores e presidente da República.

Somos ainda um país relativamente jovem, temos recursos naturais fartos e estratégicos, temos um povo trabalhador e competente, temos um setor produtivo moderno e apto a disputar e conquistar mercados – portanto, todas as condições para assumir posição de relevo no cenário mundial. O que nos falta, então? Líderes políticos comprometidos com o país e com o seu povo e que repudiem claramente o fisiologismo, o corporativismo, o sectarismo. De onde saem esses líderes? Obviamente que das eleições, ocasião para que o eleitor faça sua escolha com consciência, votando em candidatos efetivamente compromissados em construir um país que seja forte do ponto de vista econômico, socialmente justo e verdadeiramente democrático.

Assim como não é mais possível admitir uma seleção de futebol que não tenha o melhor técnico, moderno e atualizado, os melhores jogadores, a melhor estratégia de jogo e – sempre – garra e vontade de vencer, também precisamos de políticos que antes de enxergar os seus próprios interesses partidários sejam capazes de ver e priorizar o país. Não dá mais para conviver com governantes que façam da gestão pública um latifúndio a ser concedido, via ministérios e demais cargos públicos, a aliados que se disponham a ceder seu tempo em programas eleitorais e a funcionar como “vaquinhas de presépio” nas votações da Câmara dos Deputados, no Senado Federal, assembleias legislativas e câmaras municipais.

Não se pode mais admitir governantes sempre prontos a manipular a opinião pública na pintura de cenários positivos quando a realidade do país mostra a inflação em alta, os maiores juros do mundo e as menores taxas de crescimento da história do país, com pibinhos que se repetem a cada ano. Não dá mais para conviver com governantes que, por sua inação e omissão, condenam o país às piores colocações em rankings mundiais que medem a qualidade da educação, da saúde, da segurança, da inovação, do desenvolvimento de tecnologia e de infraestrutura – estradas, ferrovias, portos e aeroportos, comprometendo a competitividade da economia do país e de suas empresas.

Não dá mais para conviver com parlamentares que, ignorando os interesses do país e das regiões que representam, apoiam sem questionar as medidas provisórias editadas aos borbotões nos gabinetes do poder central, por mais estapafúrdias que sejam. Não dá mais para eleger e conviver com líderes políticos que deixam de fazer as obras indispensáveis e, quando fazem, elas desmoronam como folhas ao vento, colocando em risco a vida das pessoas. Não dá mais para conviver com um ambiente político no qual, não mais que de repente, somos surpreendidos com a renúncia de ministros dos principais tribunais do país, sem maiores explicações.

Enfim, tudo indica que é mesmo hora de mudar o jogo – a não ser que mudamos o jeito de ser – e, com ele, muda um esquema que provocou o mais retumbante fracasso na história do melhor futebol do mundo. De mesma forma, é hora de aproveitar as eleições que se aproximam para escolher os melhores candidatos, em todos os níveis, e mandar para casa figurinhas carimbadas e reprovadas por uma atuação política contrária aos interesses do país e dos cidadãos. Dia 5 de outubro está chegando e se não aproveitarmos a oportunidade de votar bem, escolhendo os melhores candidatos, assim como no futebol, teremos que esperar por 2018. A hora é agora. Não dá mais para esperar!

* Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – Fiemg 

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