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MINUTO DE OURO – 10 DE JULHO

sex, 10 de julho de 2026 08:00

O INSS DO BRASIL NÃO VAI ACABAR!

Todo mês tem um vídeo novo circulando nas redes: “o INSS vai quebrar”, “o governo vai acabar com a aposentadoria”, “corre pra tirar seu dinheiro de algum lugar”. E a pergunta que eu sempre devolvo pra quem me manda esses vídeos é simples: se o INSS vai acabar, o Bolsa Família vai acabar? O SUS vai acabar? Alguém vai desligar a máquina pública que atende, todo santo dia, quase 40 milhões de beneficiários?

A resposta é não. E o motivo é básico: antes de qualquer discussão ideológica, tem uma coisa chamada estabilidade social. Nenhum governo, de nenhum espectro político, sobrevive um mandato inteiro cortando o benefício de quem já contribuiu a vida toda. Existe reforma, existe ajuste de regra, existe discussão de teto e de alíquota — isso sim, acontece e vai continuar acontecendo. Mas “acabar”? Primeiro, as pessoas precisam comer. E é justamente essa lógica de sobrevivência que sustenta, na prática, qualquer sistema de proteção social num país como o Brasil.

O CASO DA EMPRESÁRIA QUE DECIDIU RECOLHER SOBRE O TETO

Imagine uma empresária do Simples Nacional que, aos 49 anos, decide passar a recolher sobre o teto do INSS — hoje em R$ 8.475,55 — pensando na aposentadoria aos 62.

Ao longo de 13 anos (156 meses), ela paga mensalmente R$ 932,31 de INSS, mais um IRPF médio de R$ 380,00. Some tudo isso e o gasto total do período — do bolso dela para o sistema — chega a R$ 204.720,44. Pra você ter noção do tamanho desse investimento no seu bolso hoje: é praticamente o valor de um terreno nos novos bairros de Araguari.

 

Aos 62 anos, ela se aposenta pelo teto. Considerando o 13º salário do benefício (13 pagamentos por ano) e uma expectativa de vida até os 89 anos, ela vai receber o benefício por 27 anos — 351 pagamentos de R$ 8.475,55.

Total recebido ao longo da aposentadoria: R$ 2.974.918,05 — o equivalente a 6,61 alqueires de terra de soja.

Pra dar dimensão real: hoje, R$ 450.000,00 compram uma boa área de terra de soja numa região produtiva. O que essa empresária vai receber do INSS ao longo da aposentadoria equivale a 6,61 propriedades desse tamanho. Não é pouca coisa. E é dinheiro público, garantido, reajustado, sem risco de mercado, sem seca, sem preço da soja caindo.

Isso é o INSS funcionando como ele deveria: um seguro social, pago coletivamente, que devolve ao contribuinte — principalmente a quem contribui pelo teto — um valor muito superior ao que ele mesmo colocou.

MAS TEM UM DETALHE QUE NINGUÉM CONTA

Só que esse retorno não vem de graça, nem vem sem regra. E aqui entra um ponto que eu vejo cliente MEI errar com frequência: pra ter direito a benefícios como auxílio-doença, não basta “estar em dia” na véspera de precisar. É preciso manter a qualidade de segurado e cumprir a carência mínima de contribuições mensais.

Quem some com o pagamento das guias e, na hora do aperto, tenta regularizar tudo de uma vez, pagando o DAS acumulado à vista, corre sério risco de descobrir que aquilo não conta como carência válida para o benefício. O INSS olha a data efetiva de cada recolhimento, não o “pacote quitado depois”. Ou seja: o sistema até é generoso com quem contribui direito e por tempo suficiente.

A APOSENTADORIA NÃO PODE TER SÓ UMA PERNA

E aqui eu faço questão de citar uma leitura recente que recomendo a todo cliente meu que já passou dos 40: “Previdência Particular: A Nova Aposentadoria — 5 Caminhos para não Depender dos Governos”, de Marcos Silvestre. O livro é direto ao ponto logo na abertura: você vai colher, lá na frente, exatamente o que plantou hoje, na proporção do esforço que dedicou a preparar esse caminho.

Eu discordo do autor num ponto — como você viu na conta acima, o INSS não é o vilão que o título do livro sugere, é uma das pernas mais rentáveis do banco, quando bem planejado. Mas o recado central da obra está certíssimo: ninguém deveria chegar aos 60 e poucos anos com uma perna só de sustentação.

Na prática, o que eu monto com os meus clientes — inspirado nesses “5 caminhos” — costuma ter essa cara:

  1. INSS oficial do Brasil — a base pública, contributiva, previsível, e como mostramos hoje, capaz de devolver muito mais do que você coloca, se você contribuir com teto e tempo.
  2. Previdência privada (PGBL/VGBL) — o colchão que você molda do seu jeito, com o benefício extra de planejamento sucessório e, dependendo do regime, abatimento no Imposto de Renda.
  3. Casa de aluguel no fundo do terreno — aquele imóvel menor, de baixo custo de manutenção, que vira renda mensal certa sem grande dor de cabeça.
  4. Apartamento alugado ou Barracão alugado — o imóvel de maior ticket, geração de renda mais robusta, mas que também exige mais estrutura (condomínio, IPTU, vacância).
  5. Renda fixa (Tesouro Direto, CDB, LCI/LCA) — a liquidez que você guarda pra emergência e pra não precisar vender patrimônio na pressa, se algo sair do previsto.

Nenhuma dessas cinco pernas, sozinha, é suficiente. Mas as cinco juntas formam uma mesa que não cai, não importa qual perna o governo decida mexer. E é esse — não o pânico de vídeo de rede social — o verdadeiro “plano B” de quem quer chegar à aposentadoria de cabeça erguida.

 

Rodrigo Almeida Rodrigues – CEO Fundador Seu Bpo Soluções de Negócios

 

 

 

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