Meio Desligado – Os 50 anos da Jovem Guarda
qua, 2 de setembro de 2015 08:09
Talvez eu não seja a pessoa mais indicada a falar do assunto, mas estive pesquisando e acho que seria uma pena deixar passar em branco um movimento musical tão grande e que por muito tempo teve fama de “alienado”.
A Jovem Guarda surgiu na década de 60, sob influência do rock “iê-iê-iê” dos Beatles, com temáticas adolescentes descontraídas e guitarras elétricas. A linha de frente era composta por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. Comandado por eles, o programa “Jovem Guarda”, exibido pela TV Record, caiu nas graças do público.

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Explodia então um fenômeno não apenas musical, mas comportamental. Gírias como “coroa” e “que onda” foram incorporadas rapidamente no vocabulário dos jovens. Eles também ditavam moda. As calças boca de sino, as roupas e os penteados faziam a cabeça da maioria de moças e rapazes brasileiros daquela época.
Também faziam parte da Jovem Guarda o “Príncipe” Ronnie Von (foto), Jerry Adriani, Eduardo Araújo e Sylvinha Araújo, Wanderley Cardoso, Martinha, Vanusa, entre outros. O movimento abria espaço para garotas, ajudando a quebrar muitas barreiras sociais.

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Pedindo o fim das guitarras elétricas na música brasileira, seguiram de braços dados Gilberto Gil, Edu Lobo, MPB4 e Elis Regina. Para eles, aquele som não passavam de “lixo importado dos Estados Unidos”, com letras “vazias” e atitude “alienada”, opinião da qual compartilhavam os críticos.
A Jovem Guarda sempre foi acusada de não ter se engajado politicamente na ditadura militar. Achei exagerado essa passeata, mas não foi só no Brasil. Quando Bob Dylan começou a usar guitarra, puristas do folk tiveram reações coléricas como esta.
Nem os próprios integrantes se defenderam desse carimbo de “alienação” que receberam. Em entrevista recente ao Estado de São Paulo, Erasmo Carlos se manifestou. “Ao contrário do público e dos cantores da MPB, muitos deles universitários, filhos da alta sociedade, com pedigree, nós da Jovem Guarda não tínhamos escolaridade nenhuma. Minha mãe veio grávida da Bahia até o Rio sozinha. O único jornal que havia em casa era o Jornal dos Sports.”

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O repórter questionou: “Quer dizer então que vocês eram mesmo alienados?” Ele então respondeu: “Depende do que você chama de alienado. Podemos ter contribuído para a liberdade dos jovens mais do que muitos cantores da MPB. Caetano Veloso disse que Quero Que Vá Tudo pro Inferno fez mais pelo País do que qualquer canção de protesto daquela época.”
A Jovem Guarda era para o povão mesmo. Despretensiosa, festiva, dialogava com os sentimentos dos adolescentes, a busca pela diversão. Não é porque tem um momento político turbulento que todo mundo é obrigado a fazer música de protesto. Acho que o mais saudável era ter espaço para todos e não rebaixar tanto a Jovem Guarda como aconteceu, sem ficar com esse patrulhamento ideológico.
Numa realidade alternativa, aconselharia Roberto Carlos e sua turma a fazerem letras de protestos também… contra a pretensão e as contradições da esquerda. E com boas menções a “Máfia do Dendê”.
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