Medicamentos com vencimento próximo serão incinerados em abril
qui, 16 de março de 2017 05:04por Tatiana Oliveira
Com prazo de validade quase expirado, os fármacos não podem ser distribuídos para consumo.
Em fevereiro a reportagem da Gazeta recebeu uma denúncia dos vereadores Cláudio Coelho (SD) e Wesley Lucas Mendonça (PPS) de quatro toneladas de remédios vencidos na Farmácia Municipal, os quais foram incinerados. De acordo com um representante da Farmácia Municipal, os fármacos foram adquiridos na gestão anterior, entre 2014-2015. “Os medicamentos foram vencendo aos poucos. Alguns em janeiro, outros em fevereiro e aqueles que vencem no final desse mês não podem ser distribuídos para a população, para evitar que sejam consumidos com prazo de validade extrapolado.”, disse. Após o vencimento em 31 de março, os materiais serão recolhidos e incinerados pela empresa competente.

Com prazo de validade próximo de vencer, medicamentos não podem ser distribuídos.
O funcionário, que preferiu não se identificar, afirma que a entrega de medicamentos é feita em etapas. “Essa compra é feita assim: a gente passa para o estado o que vai ser gasto durante um ano e ele divide a cessão em ciclos de três em três meses. A farmácia é abastecida com o suficiente para atender a população. O que a gente faz de um ano para o outro é aumentar a quantidade de material pedido em 20%, prevendo o aumento de demanda.”, explica.
Hoje a Farmácia Municipal encontra-se em falta de medicamentos. Informações prestadas pelo funcionário da farmácia mostram que a gestão anterior não solicitou os remédios necessários para abastecer o estoque até fevereiro. “O que está acontecendo é que no último ciclo do ano passado não houve autorização do envio de medicamentos, caso contrário a farmácia não estaria sem remédio. O ciclo terminaria em fevereiro e o próximo iniciaria em março, quando fomos liberados para fazer a compra.”, mostra.
O representante da farmácia afirmou que os novos medicamentos foram pedidos em março e que devem começar a chegar a partir do dia 23. Conforme ele, a prefeitura precisou registrar e notificar os fármacos vencidos, para justificar a necessidade de novos, e após isso fez o pedido para suprir o déficit da Farmácia Municipal.
A sub procuradora municipal Alessandra Jordão de Carvalho conta que a prefeitura adotou neste ano um sistema de gestão de estoque. Segundo ela, o programa foi implantado para evitar desperdício. “Para que não haja essa perda de medicamentos, neste ano foi implantado um software para controle efetivo de estoque. Nele você tem registro de entrada e saída de medicamentos e o que foi ou não descartado. Ele também notifica com antecedência sobre o que está para vencer”, diz.
Wesley solicitou as informações em 21 de fevereiro, mas a prefeitura ainda está dentro do prazo de resposta. “Requeri dados para verificar quais são os medicamentos, quantos foram e quais especialidades. Isso para saber se eles foram adquiridos com recurso do município ou encaminhados pela Gerência Regional de Saúde.”, afirma o vereador do PPS.
Para Coelho, após averiguada a situação, deve ser feita denúncia junto aos órgãos competentes. “Tendo isso em mãos, vamos atrás de mais provas para organizar um relatório e levá-lo ao Ministério Público, que vai tomar as providências cabíveis.”, afirma. A sub procuradora do município conta que solicitou os dados sobre os medicamentos descartados, mas que isso leva tempo.
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