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Márcio Nobre faz balanço do legislativo uberlandense em 2013

qui, 14 de novembro de 2013 13:05

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

ADRIANO SOUZA Márcio Nobre abre o jogo em entrevista à GAZETA DO TRIÂNGULO e revela desejo de disputar uma cadeira na Câmara dos deputados no próximo ano. Falou ainda sobre as dificuldades do prefeito Gilmar Machado para implantar medidas impopulares, mas necessárias para a administração da segunda maior cidade do estado, que há cerca de vinte anos, estava com a planta de valores do IPTU defasado.

Confira:

Estar à frente do Poder Legislativo da segunda maior cidade de Minas Gerais, referência regional, faz de você uma liderança importante e determinante. De que modo encara essa responsabilidade?
– Estar à frente do poder Legislativo da cidade de Uberlândia, que é a segunda cidade do estado de Minas Gerais, é uma responsabilidade realmente muito grande, mas tenho dito, constantemente, que eu prefiro traduzir uma grande responsabilidade como uma grande oportunidade de poder contribuir para que o poder Legislativo tenha um conceito à altura do povo e da cidade de Uberlândia. Sabemos que os poderes, principalmente o Legislativo, precisa avançar acompanhando o desenvolvimento da cidade. E Uberlândia tem desenvolvido de uma forma muito rápida! Queremos utilizar mecanismos, ferramentas com as prerrogativas que temos para contribuir para que a Câmara Municipal possa evoluir bastante no sentido da eficiência, transparência na democracia, de forma que possamos aproximar ainda mais da população como um verdadeiro instrumento de transformação, cumprindo sua função primordial que é ser a voz de cada cidadão uberlandense.

Sabemos que tem ligação com o movimento religioso. Seria essa sua base eleitoral?
– Todos nós temos uma atuação talvez um pouco mais predominante. Cada um tem uma origem, de uma projeção na política de um segmento de um determinado setor da cidade. É normal da política que defendemos algo, um projeto de um segmento. Enfim, no meu caso, eu tenho uma projeção muito forte no setor cristão, evangélico de Uberlândia. Sou evangélico desde criança, cresci em um lar evangélico. Hoje eu não sou um pastor, mas sou filho de pastor e genro de pastor. E digo isso, constantemente, que todas as minhas ações, todo o meu mandato, as iniciativas dos projetos que nós temos, a maioria deles são baseados em princípios dos valores da família, conduzindo de forma que as organizações sociais cristãs também sejam reconhecidas como grandes parceiras do setor público. Eu tenho dito que essas organizações tem papel predominante na gestão pública, pois elas são organizações que trabalham com vocação tendo conhecimento dessa missão importante diante da sociedade, que é trabalhar pelo fortalecimento da família. É importante dizer que quando a família vai bem, o reflexo é positivo na sociedade.

Qual a principal bandeira defendida pelo Sr. durante este mandato?
– O nosso mandato tem procurado se basear em muitas áreas da sociedade, principalmente na área de projetos sociais onde nós temos buscado parcerias para viabilizar ações importantes como, por exemplo, os casamentos comunitários. Eu tenho uma afinidade muito grande, ou melhor, uma paixão pelas questões sociais. Os casamentos comunitários têm sido um instrumento de transformação e uma inclusão social visando o fortalecimento da família. Uma das bandeiras prioritárias do meu mandato é o fortalecimento da família. Isso envolve também, programas de capacitação, geração de renda, sendo que para as mulheres, temos cem núcleos de atividades na cidade de Uberlândia, onde são desenvolvidos programas de capacitação profissional, além de um trabalho muito forte voltado para educação infantil. Temos buscado recursos públicos para construção de creches, como tivemos no mandato anterior a construção de duas creches que são referencia em Uberlândia.

Em sua avaliação, como caminha o Governo Municipal?
– Todo governo municipal em seu inicio de mandato às vezes precisa tomar medidas que, em sua maioria, são impopulares, ações que a população, as vezes , não entenda a necessidade e importância dessas decisões que pesam no governo municipal. E o prefeito Gilmar Machado teve que tomar essas medidas. Na área da saúde, por exemplo, para resgatar a gestão para o município, uma vez que ela estava praticamente na sua totalidade em parceria com o terceiro setor. A Prefeitura trabalhou com um esforço muito grande também em algumas outras medidas importantes, como, por exemplo, a reavaliação da planta de valores do IPTU e em muitas outras matérias que gera certo desgaste para um governo, mas que são decisões responsáveis de um governo sério comprometido com a sociedade e com povo de Uberlândia.

Quais os principais desafios a serem superadas para elevar – ainda mais – a qualidade de vida dos uberlandenses?
– Nós sabemos que os desafios são muitos e temos que superá-los para promover assim mais oportunidades para as pessoas. Por exemplo: um dos desafios mais importantes que eu vejo é realmente conduzir um processo onde haja oportunidade de diálogo com todos os setores da sociedade. O Governo Municipal e o Poder Legislativo vivem um momento de redemocratização, de conversar e dialogar com os todos os segmentos, com as organizações, movimentos sociais e entidades de classe. Isso é um preço alto que se paga, pois quando você abre a discussão, abre o debate, e muita das vezes o processo fica mais burocrático, mas fortalece a democracia. Essa é a visão do novo governo, tanto no Executivo como no Legislativo, onde estamos ampliando a discussão, ouvindo mais, discutindo mais e assim priorizando de uma forma bastante expressiva a participação popular nas decisões e nos encaminhamentos do governo.

Algumas matérias esquentaram os debates na Câmara Municipal neste ano. Qual delas exigiu maior habilidade da presidência da casa?
– A Câmara Municipal de Uberlândia, após o novo formato aplicado nessa nova gestão, com seis cadeiras a mais, vive um processo mais democrático mais aberto, por isso, as discussões e  os debates abertos acabam aumentando a dificuldade de conduzir uma sessão, principalmente, quando há matérias importantes que envolvem mais a opinião pública, com temas que, digamos, esquenta mais os bastidores. Nesse aspecto eu poderia destacar talvez o projeto da planta de valores do IPTU. Essa, sim, foi uma matéria um pouco mais complexa, e mais difícil de conduzir, mas tivemos muitos outros momentos que realmente o debate aqueceu muito o plenário.

Mediar conflitos entre oposição governista e situação não é tarefa fácil. Como é o clima interno na Câmara de Uberlândia? Saúde é sempre um tema complexo.
– Hoje a Câmara vive uma ampla maioria na base governista, onde nós temos uma oposição um pouco menor, mas mesmo assim trata de uma oposição com parte dela experiente, de vereadores com alguns mandatos. Isso, às vezes, dificulta um pouco a forma de haver uma sintonia que possa buscar uma conciliação para que a pauta possa ser produtiva. A preocupação da presidência é que haja democracia, o debate e transparência nas ações da Câmara para que não venha travar a pauta de votação da Casa, aumentando a produtividade para não prejudicar a comunidade que espera de nós, resultados positivos através do nosso trabalho, uma vez que se trata de projetos de interesse da cidade e do povo de Uberlândia. Não é fácil mediar conflitos e, por isso, eu tenho procurado ser democrático com todos, respeitando a soberania, dos mandatos, conduzindo a casa com imparcialidade para que, quando for necessário, uma consciência da oposição, ou da situação, possa haver a possibilidade de um consenso, uma contribuição para condução dos trabalhos na Casa. E graças a Deus eu tenho conseguido usufruir dessa circunstância de buscar a mediação desses conflitos entre oposição e situação com muita dinâmica, equilíbrio e coerência, e estamos conseguindo sucesso nessas mediações.

Em sua opinião, o que representa a FundaSus para os contribuintes?
– Veja bem, acho que no meu ponto de vista, qualquer governo precisa ter o comando em suas mãos. Com comando em mãos, ele tem condição de cobrar mais, de acompanhar mais de perto. Sabemos que hoje o terceiro setor é grande parceiro do Município. São organizações sociais que contribuem de uma forma extraordinária com o poder público e a gestão pública em Uberlândia. Mas, em se tratando de saúde, eu acredito que seja dever do estado, do município comandar essa gestão pessoalmente de perto. A FundaSUS é uma fundação que vem para assumir a gestão plena da saúde em Uberlândia e está caminhando para isso. Nós temos ainda parceiros, organizações sociais de renome, íntegras que participam desta gestão, mas a FundaSUS vem como um novo órgão, novo instrumento onde o governo assume a responsabilidade. Eu acho muito importante isso, o governo ter esse sentimento de responsabilidade com a saúde que é uma das bandeiras mais importantes para qualquer governo municipal, do Estado ou da União.

Outra pauta amarga discutida e votada em 2013 foi a revisão dos valores do IPTU. Qual a justificativa do Governo? Acredita que os vereadores chegaram a um consenso justo?
– A questão do IPTU eu acredito ter sido mais um ato de responsabilidade e de consciência que o governo teve. Logicamente que a Câmara Municipal é uma casa política onde temos parlamentares da oposição que aproveitam o momento para também promover suas ações políticas em cima de uma pauta que é uma manifestação popular,  que forma uma opinião de acordo com pensamento de cada um. Sabemos que um município como o nosso jamais poderia ter uma planta de valores que serve de referencia para as alíquotas dos valores prediais territoriais e urbano defasados em torno de vinte anos sem ser atualizado. Eu acho que foi mais uma questão de responsabilidade com o patrimônio público e com os recursos públicos, com os investimentos que precisam ser realizados em nossa cidade que era a única no Brasil a ter um TBI maior do que uma arrecadação de IPTU. Isso preocupa muito, pois percebe que não era uma preocupação dos governos anteriores. E hoje esse governo vem justamente para promover o desenvolvimento combatendo a especulação imobiliária em nossa cidade.

O ano de 2014 traz expectativas, sobretudo eleitorais. É sabido que mantém conversas e andanças por toda a região. De fato, hoje o enxergamos como pré-candidato a deputado federal. Seria esse mesmo o caminho? Qual o motivo dessa decisão e qual a motivação para defender os interesses regionais em Brasília?
– Veja bem, nós que estamos ocupando cargos eletivos sempre que há uma véspera de eleição, existe uma movimentação e uma preocupação nos bastidores. Logicamente hoje eu ocupo um cargo de relevância que é a presidência de uma dos poderes constituídos do nosso município. E é claro, existe uma especulação sobre nosso nome,  um questionamento se há essa possibilidade de nós disputarmos a eleição de 2014. Eu tenho sempre relatado ao meu partido, o PSDC, ao meu grupo político, que realmente nosso nome está à disposição deles. Isso também acontece no segmento em que eu trabalho, onde nós temos uma caminhada juntos, que há possibilidade sim de a gente buscar essa oportunidade de ocupar um cargo que possa dar condições maiores de contribuição para Uberlândia. Entendendo que há uma necessidade que eu vejo na esfera política para buscar as transformações necessárias  em todos os setores da sociedade, e por isso a gente vem com uma nova fórmula de fazer política, novo conceito, com uma visão um pouco mais moderna, dinâmica. Com isso nosso nome esta sim a disposição da sociedade de Uberlândia e região e a motivação que nos leva a isso é acreditar que nosso trabalho, que vem sendo desenvolvido na Câmara Municipal,   através do nosso mandato como vereador e como presidente, nós podemos sim contribuir mais com Uberlândia, com a nossa região e o estado, através de políticas públicas de uma forma mais moderna, mais eficiente, com transparência e mais ética na política. Essa é a minha visão política com ética, democracia e transparência.

A saída do prefeito da corrida por uma vaga na Câmara Federal deixa livre uma boa quantidade de votos, inclusive da comunidade evangélica. O Sr. acredita que esse espaço pode beneficiá-lo?
– Eu concordo com você que há sim um espaço muito amplo, principalmente na comunidade evangélica, no setor cristão em Uberlândia e na região. Logicamente, a saída do prefeito Gilmar Machado, que também é uma pessoa com princípios cristãos de formação evangélica, deixou um espaço muito amplo em um setor de um segmento que vem crescendo muito e precisa como todos os outros demais segmentos da sociedade ter seus representantes. Isso é normal na democracia onde vivemos em um país onde as organizações sociais, entidades de classe buscam fortalecer a sua representatividade. Encaro isso como justo e legitimo para todos os setores, e Uberlândia chega ao marco onde um terço da sua população é evangélico, e hoje a consciência dessa representatividade esta muito em evidencia. Logicamente o meu mandato, a minha atuação ela é para cidade de Uberlândia, indiferentemente do credo religioso, o que não interfere no perfil do nosso trabalho. É claro que sendo evangélico, é normal que nosso nome venha ocupar esse espaço que foi deixado pelo nosso deputado.

O que esperar da Câmara Municipal, do presidente e vereadores em 2014?
– A Câmara Municipal esta avançando muito, com transformações e inovações do poder Legislativo. O que a população pode esperar  do presidente e dos demais vereadores para 2014 é muito trabalho, muitos projetos, ações e iniciativas que eu tenho certeza que será exemplo para o país. Nós queremos e o nosso desejo é que a Câmara Municipal de Uberlândia seja um exemplo para o estado de Minas e para o nosso país, e que 2014 a Câmara esteja à altura do conceito do nosso povo e da expressão que Uberlândia representa no cenário nacional e de Minas Gerais. Vai ser um ano de grandes realizações, onde eu tenho certeza que o Legislativo irá avançar muito, priorizando suas ações em cinco colunas: democracia, eficiência, participação popular, aproximação das pessoas e na informação.

Deixe sua mensagem para o povo de Uberlândia.
– Eu gostaria de expressar uma palavra de gratidão ao povo de Uberlândia e de agradecimento pela generosidade para comigo. Quero agradecer a oportunidade de estar representando a nossa sociedade no poder Legislativo, de poder estar conduzindo um dos poderes constituídos da República em nossa cidade. E isso tenho procurado fazer com muita responsabilidade, comprometimento, ética e transparência. Ao expressar a minha gratidão, quero reafirmar também para que contem sempre com a Câmara Municipal de Uberlândia. Nós queremos contribuir de forma expressiva e que as ações do Poder Legislativo possa ser instrumento de transformação, de oportunidade e de mudanças na vida das pessoas, com muitas bênçãos para toda a população da nossa querida cidade. Um abraço a todos.

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