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Mais Paulo Freire, mais educação e diálogo!

sáb, 23 de abril de 2016 08:26

“Educação é um ato político”(Paulo Freire)

por Mauro Sérgio Santos

 Professor de Filosofia, mestre em Filosofia Ética e Política.

Desesperados pelo que agora todos conseguem perceber que vem por ai, a turma do “Fora Dilma” parece ter se dado conta de que nos encontramos em uma grande celeuma. Todavia, não compreenderam ainda que, para esta, não há uma saída simplista e mágica, dentro do ambiente democrático.

A grande mídia, as redes sociais, os discursos escatológicos que emanam do Congresso e das “ruas” criaram um clima de “terror”, e um aparente sentimento de impotência e de descrédito a iniciativas alternativas ao que está posto.

E é justamente nessa ocasião que surgem as “salvações mágicas” dos estados de exceção. Nesses momentos críticos os “salvadores da pátria”, em face do clima de medo e desesperança criados pela manipulação midiática, conseguem justificar tudo: anistia para políticos corruptos (principalmente da direita), suspensão de direitos civis, políticos e sociais (para a esquerda, os movimentos sociais e as minorias); censura e intervenções militares…

Basta recordar a ascensão do nazismo na Alemanha, do Fascismo italiano, da Ditadura Vargas, do golpe contra Salvador Allende no Chile na aurora da década de 70, do golpe contra Jango em 1964 que instaurou no Brasil a Ditadora Militar (e sempre oportuno enfatizar: ditadura não é revolução).

Nas democracias, as disputas políticas e a luta pela justiça devem ocorrer em espaços públicos, através de palavras e ações que cultivem e promovam o respeito aos Direitos Humanos postulados pela Revolução Francesa (1789), estabelecidos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), corroborados, no Brasil, pela Carta Magna de 1988.

E, todavia, naturalizamos as conspirações, as rasteiras obscenas, as pedaladas políticas, o oportunismo tacanho, a mediocridade teórica; fornecemos roupagem de legalidade às manobras judicias com escusas inescrupulosas, os pesos e medidas diferentes, a manipulação midiática (…) Esse é o mosaico da tentativa de Golpe de 2016.

O momento é decisivo. E, nós, educadores, não temos o direito de nos manter alheios ao debate acerca de tudo o que está acontecendo. Não importa de que lado estamos; faz-se necessário que nos posicionemos. Não há neutralidade que se justifique a uma categoria de formadores de opinião.

Há dois milênios e meio, afirmava a o filósofo Platão: -“Quem não gosta de política está condenado a ser governado por quem dela gosta”, pois, que, como postula Aristóteles, “o homem é um animal político”.

Caro leitor, artistas, intelectuais, pesquisadores, professores do Brasil(…) parcimônia não pode se converter em alienação. Comedidade não é sinônimo de comodidade. Isenção intelectual não é apartidarismo. A neutralidade é tão estúpida quanto a unanimidade. E a educação é, sim, um ato político!

O silêncio dos educadores, hoje, pode custar caro ao futuro da nação. Nos silenciamos agora e poderemos ser amordaçados amanhã. Assim, conclamo à participação dos educadores na revolução do DIÁLOGO, afim de que possamos aprimorar a democracia, combater o retrocesso e reinventar a esperança.

 “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, na ação-reflexão” (Paulo Freire).

PS: Mais Paulo Freire e menos Olavo de Carvalho.

1 Comentário

  1. Sérgio Peixoto disse:

    Brilhante texto! parabéns pela elucidação dos argumentos a favor da democracia.
    “Aquilo que pedimos aos céus na maioria das vezes,se encontra em nossas mãos.”
    (Willian Shakespere)

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