Lembranças, por Priscila Diniz
qui, 8 de maio de 2014 00:00Ah, a infância. Quem não tem histórias boas da infância? Eu por exemplo, tenho ótimas recordações. Hoje se fala numa geração do futuro que não conhece outras brincadeiras, a não ser jogos eletrônicos. Não acredito nesta afirmação e até acho um pouco extremista, mas reconheço e percebo a transformação social que a tecnologia provoca nas mais diversas cotidianidades.
Bem, voltando ao assunto, o que quero falar mesmo é das minhas aventuras de criança. Nasci na cidade grande, mas isso não me impediu de conhecer as cantigas de roda e as brincadeiras de rua. Tínhamos uma “turminha da rua”. Quase todas as crianças da mesma faixa etária. Pique-esconde, pique-pega, bete, rolimã e carimbada. Essas e outras tantas brincadeiras cumpriam o repertório do dia.
Lembro-me da Copa do Mundo de 2002. A dona Lola, vizinha lá de casa, teve ideia de pintar a rua com bandeiras do Brasil, e claro, pediu ajuda para a meninada. As pinturas não ficaram aquela maravilha, mas foi pura diversão. Aquelas tintas duraram uns cinco anos. Depois da obra de arte, todas as crianças chamaram as mães para fotografar e apresentar o belo trabalho que havia durado toda a tarde.
Periodicamente, meu pai organizava uma excursão de bicicletas até o parque. Era uma loucura. Aquela cambada de pirralhos obedecendo ao careca que ia à frente, guiando as bikes, gritando pra obedecer o sinal de trânsito e pedestres que passavam.
Havia também os aniversários malucos que minha mãe inventava, com salgado e sempre um bolo enorme. Pendurava enfeites no teto e papel crepom envolto nas luzes para deixar a casa colorida. Todos os colegas da rua eram chamados para cantar parabéns e comer doces. Tudo terminava num banho de mangueira e muitas fotos, em poses divertidas, para que os momentos pra lá de especiais sempre ficassem na lembrança.
E foi assim, toda a infância vivida lá na Rua do Carteiro, no bairro Planalto. Na pressa do dia, às vezes ainda esbarro com alguns amigos que ainda moram por lá, outros foram estudar fora, alguns mudaram. Restam as fotos de uma infância contada em imagens, testemunhas de uma época quase recente, longe da fama digital das infâncias de hoje.
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Era bem assim msm … infância maravilhosa na rua do Carteiro, boas lembranças …
Que massa, parabéns para a jornalista.
Gracinha Pri. Linda! Pude ver toda sua infância retratada nesta cronica!