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Júri inédito – Trabalhador que assassinou ex-mulher pega 13 anos de prisão

qui, 24 de agosto de 2017 05:35

Da Redação

Pela primeira vez o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de Araguari foi formado apenas por mulheres, três professoras, uma servidora pública, uma laboratorista, uma supervisora de crédito e uma auxiliar de coordenação. Elas decidiram o futuro do trabalhador rural Marcos Rosa Lopes, julgado nesta quarta-feira, pelo assassinato de sua mulher, Jéssica Camilo, 23 anos, morta com seis facadas, em outubro de 2015.

Advogado Carlos Alberto Santos durante debate no júri de ontem ** Gazeta do Triângulo

Advogado Carlos Alberto Santos durante debate no júri de ontem
** Gazeta do Triângulo

Mesmo com o corpo de jurados 100% feminino, o advogado Carlos Alberto Santos considerou como satisfatório o resultado, vez que a pena aplicada ficou próxima da pena mínima. O Ministério Público de Minas Gerais, representado pelo jovem promotor de Justiça Fernando Henrique Zorzi Zordan, recorreu da sentença, apesar de o Júri Popular ter condenado o réu por homicídio qualificado (motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e feminicídio (crime praticado contra a mulher no ambiente doméstico).

Marcos Rosa Lopes, o Caquinho, pegou 13 anos de prisão no regime fechado. Ele se encontra recolhido no Presídio de Araguari há um ano e dez meses. Com a progressão de regime de cumprimento de pena, diante dos bons antecedentes e de comportamento exemplar na unidade, o réu pode ganhar liberdade ainda em 2019, conforme revelou Carlos Alberto, advogado com vasta experiência em julgamentos populares.

Em dezembro de 2016, seis mulheres e um homem participaram do júri de outro trabalhador, denunciado pelo assassinato de sua própria esposa, em fevereiro de 2015, no bairro Vieno. Ele pegou 15 anos e 2 meses de reclusão, no regime fechado.

INTERROGATÓRIO

Marcos Rosa Lopes foi interrogado em Plenário durante uma hora pelo juiz Cassio Macedo Silva, presidente do Tribunal do Júri, sendo contraditório em algumas declarações. Disse que no dia do crime procurou a mulher na escola para conversar, pois sabia que estava se relacionando com outro homem. Em outro momento falou que foi ao colégio apenas para se despedir dos filhos e retornar para Goiás.

O réu afirmou que não estava separado de Jéssica e veio à cidade para buscá-la. Segundo ele, a jovem teria falado que sua mãe se encontrava internada e desenganada pelos médicos. No entanto, em Araguari, teria pego a vítima com uma pessoa na casa da irmã dela, no bairro Novo Horizonte.

Na fatídica tarde de 7 de outubro esfaqueou Jéssica Camila: “me senti muito humilhado, pois nunca deixei faltar nada em casa e jamais agredi minha mulher”, frisou o acusado, reafirmando estar arrependido de seu ato, até porque estava há quase dois anos sem ver os filhos menores de idade.

DEBATES

O promotor Fernando Henrique sustentou a denúncia e disse que o réu cometeu um ato covarde, premeditando o crime da mulher que ele tirou da casa dos pais aos 13 anos de idade. “O acusado mentiu, tentando criar uma história bonita. Matou a vítima porque tinha encerrado o relacionamento e ela não queria mais voltar para ele”.

O representante do Ministério Público inovou na sessão de julgamento. Ele instalou um aparelho televisor em Plenário e apresentou reportagens de programas da região que abordaram o caso, chegando a comover as integrantes do Conselho de Sentença.

Para Fernando Henrique, Marcos Rosa jamais flagrou Jéssica com outro homem, na casa da irmã ou na porta da escola. Pelo contrário, matou a mulher com quem conviveu quase uma década na frente de um adolescente de 13 anos.

O advogado Carlos Alberto Santos, por sua vez, defendeu a tese da legítima defesa da honra. “Ele cometeu o crime por conta da ruptura do relacionamento, motivado pela traição da amada, que saiu de Goiás e, num período de cinco dias, já se relacionava com outro homem”.

De acordo com o defensor, não há provas de que a versão apresentada pelo réu seja falsa, vez que a polícia judiciária falhou na apuração dos fatos. “Na dúvida, sou obrigado a acreditar na palavra do acusado. Isso é norma jurídica. É o que existe no processo”.

FRIEZA

Marcos Rosa Lopes chegou ao Fórum Oswaldo Pieruccetti escoltado por duas viaturas do Presídio de Araguari. O tempo todo demonstrou tranquilidade e sequer se emocionou durante a exibição de reportagens com imagens de sua ex-companheira. Ao final do julgamento, ele chegou a sorrir e conversar com familiares, que saíram de Goiás para acompanhar a sessão, encerrada por volta de 17h.

 

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