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JANELA LITERÁRIA – 4 DE NOVEMBRO

qua, 4 de novembro de 2026 08:00

A morte é uma experiência universal, mas cada sociedade desenvolveu maneiras próprias de lidar com a ausência, preservar a memória e homenagear aqueles que partiram.

O Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro no Brasil e em diversos países de tradição católica, faz parte de um conjunto muito mais amplo de manifestações culturais, religiosas e filosóficas dedicadas à memória dos mortos, como o Día de los Muertos (México), o Obon (Japão), o Qingming (China), o Pchum Ben (Camboja), o Famadihana (Madagascar), o Fèt Gede (Haiti), o Día de los Difuntos (Equador)…

Assim, nessa edição da Coluna “Janela Literária”, selecionamos 2 textos de acadêmicos sobre a temática. Esperamos que apreciem.

 

 

Camaleão

 

Professor Mauro Sérgio

#poetacanhoto

ALAA – Cadeira Nª 35

 

Um homem que caminha com a morte a seu lado é mais

sereno.

Seu guarda-chuva está sempre disposto na fechadura

da janela.

Seu casaco, pendurado no cabide.

Não que um homem ao lado da morte

tenha medo de chuva,

mas é que, como o guarda-chuva,

ele está sempre disposto.

Ele tem um acordo selado com a solidão, embora lhe agrade

a mesa cheia em plena segunda-feira.

Conhece o inferno,

recorda-se do céu,

mas prefere o chão.

Conhece também todos os olhos claros que iluminam

as esquinas.

Não guarda sorrisos

nem quando faz tristeza.

Sabe que todo ponto final é lugar de passagem

e que a única estadia definitiva é a estrada.

Parte sempre que algo se revela,

quando tem certeza e quando duvida.

 

O “Livro Sagrado dos Homens ao Lado da Morte” lhe

revelou:

o caminho é lugar de salvação

e a mala pronta,

o único fardo a ser carregado.

O homem com uma morte bem do seu lado

tem passadas firmes, comedidas, elegantes.

Escreve poemas alegres,

ouve Bizet de madrugada,

e lê Rimbaud nas horas vagas.

É marxista de direita

e odeia verdades absolutas.

Um homem que caminha lado a lado com a morte

sabe perfeitamente que o homem

é o parente mais próximo do camaleão

descendente direto das cigarras e dos bem-te-vis

Por isso,

um animal que

muda

canta

chega

e parte…

 

Mauro Sérgio dos Santos

Academico da ALAA –Academia de Letras e Artes de Araguari

Cadeira nº 35

Patrono : Edilberto Luiz Resende

 

 

FINADOS

Neide Dantas Sousa

 

Aos finados ofereço flores

As almas meus amores

E os espíritos onde estão?

No cemitério, na lápide fria?

Aguardando a visita rápida

Num momento de contrição?

 

Abram os olhos pobres mortais!

Quem vos criou simples e ignorantes

Além de todas as coisas

Não deixaria ser destruída

Sua mais sublime criação!

Existem muitas moradas

Nas paragens do Senhor.

 

Entre o céu e a terra

Muitas verdades contidas

No túmulo só fica dor

De quem se apega à matéria.

Dela nada se leva…

A não ser conhecimento e amor!

 

 

Neide Dantas Sousa

Academica da ALAA – Academia de Letras e Artes de Araguari

Cadeira 34

Patronesse : Auta de Sousa

 

 

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