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Índice Big Cat: o que nos mostra?, por Lívia Zanholo Santos e Marçal Rogério Rizzo

qua, 15 de janeiro de 2014 00:00

* Lívia Zanholo Santos e Marçal Rogério Rizzo

No “economês”, utilizam-se muitos números, estatísticas e índices, embora estes nem sempre funcionem. Roberto Campos (economista, diplomata, político brasileiro e ministro do Planejamento no governo de Castello Branco) costumava dizer: -”As estatísticas são como o biquíni: o que revelam é interessante, mas o que ocultam é essencial.”

Em português claro: não somos e nem pretendemos ser sumidades na área de estatística, mas achamos interessante escrever sobre um novo indicador de progresso chamado Big Cat, que é baseado na população de felinos domésticos. Tal índice aponta que há uma predominância de gatos em países desenvolvidos, em detrimento dos cães.

O fato curioso é que há algum tempo existe um ponto de vista respeitável e alvo de ferrenha defesa: o cão é considerado o melhor amigo do homem. Esse status pode, porém, segundo o referido índice, ser transferido para os gatos. Isso é explicado, uma vez que alguns países tiveram uma expansão das cidades, enriquecimento e aumento populacional, que, concomitantemente, fez a população de felinos crescer e superar a população de cães. Tal fenômeno ocorreu na França, nos Estados Unidos e na Alemanha.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET), esse fenômeno tende a se manifestar também no Brasil, pois a estimativa para 2022 é que, para cada cachorro que for visto passeando na rua de coleira, haverá um gato dentro de uma casa. Tal tese também é explicada: os gatos não necessitam de tanta atenção como os cães, são autossuficientes e não precisam de muito espaço. E com a verticalização das cidades tal aspecto é relevante.

Ora, a questão não se restringe a ter esse ou aquele animal. Vai além. Gatos se encaixam perfeitamente no mundo contemporâneo, no qual as pessoas não têm tempo para cuidar dos bichos de estimação.  A mulher, que era a principal responsável pelos devidos cuidados com os bichos, invadiu o mercado de trabalho, não tendo mais tempo para se dedicar aos animais. Enfim, entende-se que cuidar de gatos é mais fácil, prático e econômico do que cuidar de cachorros.

O índice Big Cat foi desenvolvido com o intuito de demonstrar que o número de gatos em um país é proporcional ao seu desenvolvimento econômico-social, ou seja, quanto mais gatos um país tem, este é proporcionalmente mais desenvolvido, uma vez que possui maior população economicamente ativa e mais mulheres no mercado de trabalho.

Percebe-se que o gato é a personalidade humana contemporânea exteriorizada: independente e autossuficiente age somente em prol de interesses próprios; quando não se adapta a um determinado ambiente desloca-se, sem pestanejar, para outro melhor e com mais oportunidades. Destarte, o índice Big Cat mostra que as pessoas estão trabalhando cada vez mais e dispondo de menos espaço e tempo. Diante de tal constatação, desponta a seguinte questão: será que daqui a alguns anos não estaremos afirmando que, quanto menos animais de estimação a população de um país tiver, mais desenvolvido ele será? Vamos aguardar os próximos capítulos deste “mundo cão”! Ou será “mundo sem cão”?

Uma coisa é patente. Sabemos que é covarde, cruel e desumano maltratar os animais de estimação, seja gato, cachorro ou outro “bicho” qualquer! Talvez desenvolvido seja aquele que não agrida a fauna, a flora e aos próprios seres humanos.

*Lívia Zanholo Santos:
Acadêmica do Curso de Direito – Campus de Três Lagoas.
E-mail: liviazanholo13@gmail.com

* Marçal Rogério Rizzo:
Economista e Professor do Curso de Administração da UFMS – Campus de Três Lagoas.

E-mail: marcalprofessor@yahoo.com.br

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