Guarda negra, por Inocêncio Nóbrega
ter, 8 de julho de 2014 00:02* Inocêncio Nóbrega
Legião secreta, apelidada de “Guarda Negra”, foi criada pelo Império a fim de conter os impulsos republicanos. Compunha-se de indivíduos serviçais, navalhistas e malfeitores, respaldados por um instrumental de polícia, a fulminarem violência e mortes. O republicanismo vinha das vésperas da independência, na metrópole e no interior do Brasil. Em Pernambuco, o armador Paes de Andrade costumava dizer: – “República e só República, e morra a tirania real!”; José Bonifácio não se considerava um realista puro; Cipriano Barata exigia mais liberdades; o jornal “Revérbero Constitucional Fluminense” abria debate público, qual a melhor organização política para o país.
Outros acontecimentos tiveram marca republicana: Guerra dos Mascates (1710), Conjuração Mineira (1789), Revolução de 1817. Acendia-se campanha, na imprensa, onde polulavam diversos periódicos, em defesa do novo ideário. O Manifesto de 1870 praticamente decretou a queda da monarquia. Fato consumado, anos depois, surgiram inúmeras repúblicas, com caráter pejorativo ou não: República da Rapadura, imaginário movimento no Ceará, de 1996; República das Rãs, fábula de Euzébio Rocha; Repúblicas dos Moedeiros, aludindo às seguidas denominações da nossa moeda; República da Banana, dos Bandidos, dos “Bundões”. Não esqueçamos da Nova República, de José Sarney.
São registros da história, consagrados pelo povo. Todavia, contrafrações de políticos, sem espírito republicanista, pretendem apagá-los. Este o reflexo da proposta do deputado Newton Cardoso (PMDB-MG), alterando a Lei 662/49, o qual define os feriados nacionais. Deseja o parlamentar, através do Projeto-de-lei 6.757/13, banir o 15 de Novembro do calendário cívico. Alega que a data não se popularizou e somente é comemorada timidamente. Nisso concordo, mas não seria motivo de sua extinção. Ao contrário, lhe caberia sugerir seu robustamento, denunciando negligência a partir do Ministério da Cultura e o silêncio dos órgãos privados de preservação da nossa história. A obrigatoriedade de sua divulgação nas escolas, universidades e instituições afins, a propositura correta, que deveria ser levada à análise pelo Congresso Nacional. Se aprovado, o de 7 de Setembro poderá vir, na sequência, para alegria dos monarquistas redivivos.
*Jornalista
inocnf@gmail.com
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