FURANDO A BOLHA – 6 DE MARÇO
sex, 6 de março de 2026 08:00
30 Idiotas e 1 Médico
“A ciência não precisa de aplausos, mas também não pode ser refém da ignorância barulhenta.”
Por Leandro A.M
A internet está com um novo modismo de formato de conteúdo que me parece estar em alta. Trata-se de escolher um tema polêmico e colocar vários idiotas contra uma pessoa com conhecimento técnico para debater. Uma palavra que sempre costumo usar nesta coluna, não de forma aleatória, mas porque gosto muito do seu significado, é “idiota”. Trata-se de um termo originário do grego idiṓtēs, que significa leigo, alguém sem conhecimento técnico sobre determinado assunto. A coluna de hoje aborda exatamente esse ponto.
Sempre vi esse tipo de conteúdo com total desprezo, porque é impossível dialogar com quem já está imerso em opiniões cristalizadas, formadas pela faculdade do Facebook e pela pós-graduação no TikTok.
Destarte, alguns poucos temas me chamaram a atenção e vi parcialmente um debate envolvendo o pediatra Renato Kfouri, com mais de vinte cinco anos de experiência, discutindo com trinta cidadãos antivacinas com profissões variadas, desde criador de gado até uma professora, mas nenhum deles ligado à área médica.
Infelizmente, as redes sociais deram voz a todo e qualquer imbecil, conforme disse o celebrado e exaustivamente citado Umberto Eco. Indivíduos que nunca estudaram absolutamente nada passam a propagar, com a convicção de um Dom Quixote moderno, qualquer coisa que lhes dê visibilidade. Ao ver o especialista tentando explicar para esse grupo negacionista princípios basilares da ciência e o porquê de a imunização ser uma das maiores conquistas da humanidade, confesso que o conteúdo acabou se tornando interessante. Ao observar os comentários do vídeo, percebe-se que muitos espectadores começam a identificar argumentos completamente ab hominem e desprovidos de qualquer lógica científica, percebendo o quão absurda é a negação da ciência em tema de extrema importância como esse.
Uma das participantes afirmara que as vacinas seriam uma estratégia da indústria farmacêutica para ganhar dinheiro em cima da população e, portanto, não deveriam ser tomadas. Sabiamente, o pediatra a corrige explicando justamente o contrário: uma dose preventiva custa centavos de dólar e, como método de proteção, é infinitamente mais barata do que tratar a doença em si. Imagine, meu caro leitor, prevenir uma paralisia infantil com uma picadinha em vez de lidar com os efeitos devastadores da doença por toda uma vida.
Outra afirmou que a cura estaria no sol e na alimentação saudável. De fato, o doutor reconhece que se tratam de duas medidas preventivas importantes. Contudo, certamente ninguém que esteja com uma infecção bacteriana grave se curará apenas com os raios solares. Ora, se assim fosse, a expectativa de vida não teria avançado tanto com o surgimento dos antibióticos.
É de uma insensatez tão grande o raciocínio apresentado por esse grupo que a discrepância talvez até ajude a educar aqueles que estavam inclinados a negar a ciência porque viram algum médico charlatão viralizar nas redes sociais dizendo alguma fake news para ganhar notoriedade e reunir um séquito de seguidores igualmente desinformados.
Outro ponto muito bem colocado surgiu quando um participante afirmou que a vacinação infantil não deveria ser obrigatória. Contudo, Kfouri, com sua vasta experiência na área, explicou que, após tantos anos com a doença praticamente controlada, o aumento da coqueluche causado pela irresponsabilidade de alguns pais tem crescido de forma alarmante. Em 2023 foram registrados 213 casos; em 2024 esse número já ultrapassou 7 mil registros.
Portanto, meus caros leitores, sempre defendi a liberdade individual e a não ingerência do Estado em muitos aspectos da vida privada. Contudo, quando se trata de saúde pública, a questão deixa de ser apenas individual. A escolha irresponsável de alguns pode colocar em risco toda uma coletividade.
Porque a verdade é simples e incômoda: a ciência não precisa da validação desses néscios, mas também não pode ser refém da ignorância barulhenta. A imunização salvou milhões de vidas, erradicou doenças que mutilavam gerações inteiras e continua sendo uma das maiores conquistas da civilização. Negar isso não é rebeldia intelectual, nem coragem, nem pensamento crítico. É apenas burrice travestida de opinião. E quando a ignorância começa a colocar vidas em risco, talvez seja hora de lembrar que liberdade também exige responsabilidade, sobretudo com o próximo.
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Leandro Alves de Melo, bacharel em Direito e bacharelando em Administração pela Universidade Federal de Uberlândia, advogado, Ex-Delegado da ESA OAB/GO (2013-2015), colunista, é proprietário dos escritórios Alves & Melo Sociedade de Advogados, pós-graduado em gestão de pessoas INESP/SP (2018-2020), especialista em Direito Previdenciário pelo IEPREV/BH (2020 a 2022), pós-graduado em Direito Constitucional pelo Instituto de Direito Público de Brasília (2019-2022), Master Trainer in Neuro-Linguistic Programming NLP (2012-2019)*, vencedor do Top of Mind 2023: advogado previdenciário e vencedor do Top of Mind 2024 e 2025: advogado constitucional.
*com certificados reconhecidos internacionalmente sobre essa matéria
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