FURANDO A BOLHA – 01 DE NOVEMBRO
seg, 3 de novembro de 2025 13:56
INFLUENCERS DE QUÊ?
“Quando a fama se sobrepõe ao mérito e a visibilidade passa a valer mais do que o conhecimento, a sociedade se torna refém da própria ignorância.”
Por Leandro Alves de Melo
Nas minhas últimas colunas venho tratando de temas recorrentes sobre a manipulação das massas, as fake news e a idiotização do fã, entre outros assuntos.
Nesta, quero abordar um ponto mais específico que me incomoda há tempos: como as pessoas, especialmente as hiperconectadas à internet, se deixam manipular com tanta facilidade pelos chamados influencers, a ponto de abrirem mão da própria capacidade de raciocínio?
Antes de aprofundar o tema, faço um adendo: não tenho nada contra quem usa sua influência para o bem. Sigo alguns que realmente compartilham dicas valiosas sobre lugares, empresas e lojas que merecem reconhecimento, fomentando a cultura e os negócios locais. Graças a eles, muitas vezes descobrimos possibilidades que talvez jamais conheceríamos.
Minha crítica é à cegueira coletiva em que vivemos. Antigamente, uma autoridade ou pessoa influente era alguém que se dedicava a estudar profundamente determinado assunto: um médico altamente especializado, um jurista reconhecido, um administrador competente, um economista bem formado, um ator que estudou anos para aperfeiçoar sua arte.
Hoje, qualquer indivíduo com uma câmera pode ligá-la e começar a influenciar pessoas em temas que vão desde teorias absurdas de astrofísica, como a Terra plana, até assuntos perigosos, como medicina, direito, economia e política.
Recentemente, uma mulher sem qualquer formação profissional fez um curso por apostila e passou a aplicar botox e realizar procedimentos delicados em pacientes que conquistava pelas redes sociais, graças a um perfil bem construído. O resultado foi trágico: mortes, necroses, amputações. Pessoas confiaram cegamente na suposta competência de uma charlatã, seduzidas pela aparência de autoridade que ela exibia nas redes.
O fenômeno dos influencers no Brasil está assumindo contornos preocupantes. Muitos se lançam na política e se arriscam a discutir segurança pública, educação e saúde sem possuir o mínimo conhecimento técnico. Reproduzem frases prontas e memes, tornando-se ídolos superficiais de uma legião de seguidores idiotizados.
Nosso Congresso já conta com uma ala de “deputados influencers”, que fazem discursos rasos e apelativos, mais preocupados em gerar engajamento do que em tratar de temas sérios e relevantes para o país. Um desses deputados, na última legislatura, usou essas estratégias e acabou se tornando prefeito de uma importante cidade. Por duas vezes já decretou calamidade financeira e vem conduzindo uma administração lamentável, caótica, reconhecida como desastrosa por todos os espectros do campo democrático.
Enquanto isso, países como Itália, França e China já dispõem de regulamentações específicas para esses profissionais. Na China, por exemplo, apenas pessoas com qualificação comprovada podem abordar temas sensíveis como os já mencionados.
No Brasil, quantos incautos já foram enganados por influenciadores que promovem casas de apostas e jogos de azar? Quantas famílias foram destruídas porque alguém acreditou em promessas de lucros fáceis, baseadas em contas de demonstração manipuladas, e perdeu tudo o que tinha?
Esse já não é um tema marginal. Precisa ser enfrentado com urgência, pois os danos causados por esses falsos gurus são cada vez mais graves e profundos.
Vivemos uma era em que a visibilidade se confunde com sabedoria e a fama substitui o mérito. É urgente resgatar o valor do pensamento crítico, da educação e da verdadeira autoridade intelectual.
Se continuarmos a endeusar quem apenas fala mais alto ou exibe um perfil atraente nas redes, transformaremos a ignorância em virtude e a mentira em espetáculo.
Quando a fama se sobrepõe ao mérito e a visibilidade passa a valer mais do que o conhecimento, a sociedade se torna refém da própria ignorância.
Leandro Alves de Melo, bacharel em Direito e bacharelando em Administração pela Universidade Federal de Uberlândia, advogado, colunista, é proprietário dos escritórios Alves & Melo Advocacia MG e GO, pós-graduado em gestão de pessoas INESP/SP (2018-2020), especialista em Direito Previdenciário pelo IEPREV/BH (2020 a 2022), pós-graduado em Direito Constitucional pelo Instituto de Direito Público de Brasília (2019-2022), Master Trainer in Neuro-Linguistic Programming NLP (2012-2019)*, vencedor do Top of Mind 2023: advogado previdenciário e vencedor do Top of Mind 2024 e 2025: advogado constitucional.
*com certificados reconhecidos internacionalmente sobre essa matéria
Alves & Melo Sociedade de Advogados
34 3242 1489 e Whatsapp 34 99900 0819 (MG e GO)
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Excelente análise! “… a sociedade se torna refém da própria ignorância” . Como isso é verdadeiro. É lamentável ver a que ponto chegamos, as pessoas duvidam da Ciência, e acreditam em influencers que nunca produziram nada. O Brasil precisa urgentemente regulamentar esses ” profissionais “. Parabéns Leandro pelo artigo tão precioso!
O tema é muito relevante, principalmente no atual momento,em que passa o país.
Texto e tema muito importante socialmente. Ótima análise e reflexão.
Além disso sobre essas pessoas que n t3m competência pra fazerem as coisas. Ainda temos tantos profissionais pessimamente formados. Meu sobrinho tava com uma sepse o médico deu remédio pra hemorroida. Estamos f***