Ficha Técnica – Um termômetro chamado Inferno Verde
qua, 2 de novembro de 2016 05:37
Em fila, o público se dirige ao espetáculo. Cada cliente procura sua entrada, o número da cadeira e uma pipoca amanteigada. Todos na platéia sabem se por no devido lugar. Até que um rapaz não se contém. Irritado, ergue o braço e distribui meia dúzia de abacaxis contra aquilo que assiste. Em pé, ele tampa a visão da turma de trás e é convidado a se retirar. Poderia ser um circo, teatro, cinema, mas é o prenúncio de um jogo do Campeonato Brasileiro de 2022.

Inferno Verde acompanha times de Uberlândia há 34 anos
*PMU
Jamais escondi a indignação com a violência e o sistema arcaico de controle de todas as mazelas provocadas por ela no futebol brasileiro. Baderneiros, integrantes de facções criminosas, que infiltrados numa relação de amor aproveitam para disseminar o ódio. Ainda assim, eximo-me a compactuar com quem subestima o efeito dos torcedores mais fiéis numa disputa. Tampouco, que defende a extinção de quem mantém viva a alegria e o barulho dos estádios.
Essa semana, conheci o Flaviano, presidente da torcida organizada Inferno Verde, do Uberlândia Esporte. Uma conversa de 20 e poucos minutos de esquentar a orelha de tantos causos. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram mais de 11 mil km acompanhando o time. Das curiosidades que disse, uma chamou a atenção. Em 34 anos de histórias, a torcida não tem uma ocorrência policial sequer registrada.
Apesar da inspiração no futebol, o grupo não se restringe aos estádios. Entre 2003 e 2005, foi eleita a melhor torcida de basquete brasileira pela SporTV, ESPN Brasil e Esporte Espetacular, quando acompanhou as campanhas gloriosas da equipe do Unitri pelo Brasil e na América do Sul. Seja no campo, no ginásio, na estrada, no profissional ou nas categorias de base, o frisson das arquibancadas é indicado entre suas bandeiras, tambores, batuques e canções.
Ontem, o Uberlândia Esporte completou 94 anos. O Furacão Verde da Mogiana, que um dia soprou forte no cenário nacional e que agora resume cada ano em seis meses de trabalho. Se hoje as arquibancadas do estádio do Parque do Sabiá ainda pulsam, esquentam e vibram mesmo com o descarrilamento do time, isso se deve a um termômetro chamado Inferno Verde.
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