Ficha Técnica – O último a sair apaga a luz
ter, 30 de maio de 2017 05:22
Algumas histórias sentenciam que não tínhamos idade para lidar com tamanho trauma quando criança, principalmente certas fábulas. Quem esses seres irracionais pensam que são para falar e se comportar como gente, ainda por cima com lição de moral? A mais nova delas saltou-me aos olhos no último domingo, mas não era de Monteiro Lobato, nem La Fontaine. Tudo começou em 1989, ano da lei do divórcio e da eleição do até então salvador da lavoura, Fernando Collor de Melo.

Totti, Batistuta e uma inesquecível lembrança da cidade eterna
Roma, capital da Itália. Na “cidade eterna” e milenar de vasta cultura e contribuição para o desenvolvimento histórico, um jovem e raro torcedor escrevia seus primeiros capítulos ao realizar o principal sonho dentre tantos. Do setor da curva sul do estádio olímpico da cidade, onde acompanhava os jogos ao lado dos tios e do irmão Riccardo, passou a assistir o time do coração ainda mais próximo, como gandula. Era um atleta baixo para a idade, mas considerado promissor entre os demais.
Como gandula, via de perto os ídolos Rudi Voller, alemão que viria a ser campeão mundial em 1990, e Giuseppe Giannini, cuja idolatria era estampada em pôsteres no quarto. Quando não treinava ou trabalhava nos jogos, assistia futebol pela TV. Certo dia, seus pais, Enzo e Fiorella, receberam uma ligação de um dirigente do Milan – “O clube está disposto a arcar com os estudos e acolher seu filho com todas as honras”, eles disseram. Depois, ouviram a única razão pelo qual o garoto jogava – “Ele só quer a Roma”.
Aos 17 anos, o jovem italiano estreou como profissional. Dali despontou para o mundo pela seleção italiana e pelo time de coração. Assim como Milan, outros tentaram o levar da capital com caminhões de dinheiro, como o Real Madrid, mas ele preferia lutar por aqueles que dividiam espaço nas arquibancadas. Talvez se aceitasse alguma transferência, fosse mais valorizado, com feitos ainda maiores. Lembro que em 2001, era eu quem deslocava para a casa dos meus tios para vê-lo em ação ao lado do argentino Gabriel Batistuta e do italiano Montella.
Em 24 anos de história, foi vice-campeão europeu e tetracampeão mundial pela Itália. Figurou entre time dos sonhos, oscar do esporte e seleção de estrelas. Durante esse tempo, respondeu por um único nome: Associazione Sportiva Roma. No último domingo, ele se despediu de casa. Francesco Totti é um monstro, dessas raras espécies em iminente extinção, com uma vida dedicada à instituição, de Ceni a Del Piero, Marcos a Raul. Gerrard, Giggs, Scholes, Neville, Puyol, Malafeev, Nilton Santos, Paolo Maldini e Baresi.
A cidade do coliseu vive uma apoteose. Os romanistas deixam o estádio com a incerteza do futuro, mas certos de que ganharão um reforço de peso no setor da curva sul. O camisa 10 e capitão se vai, mas o ídolo continua. O último a sair apaga a luz.
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